Não sou a favor da cesárea. Muito menos contra. Sou a favor da diversidade, de cada um achar o que é melhor para si e da democracia na escolha. Sou terminantemente contra rótulos e unanimidades, porque, como já dizia Nelson Rodrigues, são sempre burras.
Acho ótimo que o parto natural seja estimulado e que cada vez mais mulheres busquem por ele. É uma opção e, antes de tudo, um direito da mulher escolher de que forma terá seus filhos. Sou contra não poder escolher o que se quer, isso sim. Mas cada vez mais tenho sentido preconceito quando digo que tive meus filhos de cesárea por que eu quis assim. Como se eu fosse burra, alienada ou comprada pelo sistema. Eu e todas as outras. Mulheres que optaram pela cesariana: ignorantes. Mulheres que aceitaram oxitocina sintética: desinformadas. Mulheres que quiseram anestesia: fracas. Mulheres que não pariram no marco da porta: não amam seus filhos.
Eu escolhi fazer cesariana. Nunca tive desejo verdadeiro por parir, apesar de ter sido acompanhada por um médico conhecido por estimular e ter índices altíssimos de partos normais no setor privado. Um parteiro como ele mesmo diz, que mantém na equipe uma doula, que acompanha as mulheres na gestação, no parto e no puerpéreo.
Ouvi histórias maravilhosas sobre todos os partos naturais que eles fizeram, inclusive de múltiplos. Vi e revi o vídeo da cantora lírica que pariu seus gêmeos cantando. Até o sétimo mês estava convencida que teria os meninos de parto natural. Todos falavam que era o melhor, então assim eu faria. Mas nunca foi uma vontade minha, compreende?
Até o dia que me dei conta do meu desejo e avisei ao marido, ao médico e à doula que não iria mais ter parto normal, queria cesariana. Mas por quê? Você tem tudo para ter um ótimo parto! Porque eu não quero. Simples assim. A escolha ainda é minha ou não? Essa escolha tem a ver com minha individualidade, não cabe aqui expor os porquês, mas foi uma decisão consciente. Para mim, definitivamente, foi a melhor escolha. Em nenhum momento senti dor ou tive medo, estava segura.
Meus filhos nasceram de olhos abertos, quase não choraram e mamaram na primeira hora de vida. Não acho que minha relação com eles seria diferente se tivessem nascido de parto normal. Impossível amá-los mais. Também não acho que seria melhor mãe se tivesse optado por um parto domiciliar. Não mesmo. Também não faço apologia à cesariana, isso é uma decisão individual, e percebo que muitas das mulheres que hoje são extremistas em relação ao parto normal são aquelas que não puderam escolher e fazem disto uma bandeira. Compartilho a bandeira da possibilidade da escolha e do acesso à informação mas não, de forma alguma, de que há uma opção que é melhor para todas as mulheres.
Inclusive, acho esse tipo de colocação muito perigosa. Estou muito sensibilizada com um casal de amigos com problemas sérios de fertilidade que já tentaram inseminação e fertilização e não conseguem engravidar. Entraram recentemente para a fila da adoção. Ela será uma mãe inferior por não ter conseguido parir (e nem gestar) um bebê? E um casal de amigas homoafetivas que pensa na idéia de uma engravidar com o óvulo da outra e com o sêmen de um doador? A que parir será melhor mãe que a outra? E aquela que engravidou duas vezes indo contra todas as recomendações médicas por ter uma deficiência importantíssima de coagulação e as cesarianas tiveram que ser realizadas em tempo recorde com aparelhos de UTI por toda a parte apenas aguardando que ela descompensasse? Serão elas mães piores por não terem tido seus filhos de parto normal? Porque se dizemos que há um jeito melhor dos filhos nascerem necessariamente há um jeito pior, não importa qual seja o motivo que leve a um ou a outro.
Até o dia que me dei conta do meu desejo e avisei ao marido, ao médico e à doula que não iria mais ter parto normal, queria cesariana. Mas por quê? Você tem tudo para ter um ótimo parto! Porque eu não quero. Simples assim. A escolha ainda é minha ou não? Essa escolha tem a ver com minha individualidade, não cabe aqui expor os porquês, mas foi uma decisão consciente. Para mim, definitivamente, foi a melhor escolha. Em nenhum momento senti dor ou tive medo, estava segura.
Meus filhos nasceram de olhos abertos, quase não choraram e mamaram na primeira hora de vida. Não acho que minha relação com eles seria diferente se tivessem nascido de parto normal. Impossível amá-los mais. Também não acho que seria melhor mãe se tivesse optado por um parto domiciliar. Não mesmo. Também não faço apologia à cesariana, isso é uma decisão individual, e percebo que muitas das mulheres que hoje são extremistas em relação ao parto normal são aquelas que não puderam escolher e fazem disto uma bandeira. Compartilho a bandeira da possibilidade da escolha e do acesso à informação mas não, de forma alguma, de que há uma opção que é melhor para todas as mulheres.
Inclusive, acho esse tipo de colocação muito perigosa. Estou muito sensibilizada com um casal de amigos com problemas sérios de fertilidade que já tentaram inseminação e fertilização e não conseguem engravidar. Entraram recentemente para a fila da adoção. Ela será uma mãe inferior por não ter conseguido parir (e nem gestar) um bebê? E um casal de amigas homoafetivas que pensa na idéia de uma engravidar com o óvulo da outra e com o sêmen de um doador? A que parir será melhor mãe que a outra? E aquela que engravidou duas vezes indo contra todas as recomendações médicas por ter uma deficiência importantíssima de coagulação e as cesarianas tiveram que ser realizadas em tempo recorde com aparelhos de UTI por toda a parte apenas aguardando que ela descompensasse? Serão elas mães piores por não terem tido seus filhos de parto normal? Porque se dizemos que há um jeito melhor dos filhos nascerem necessariamente há um jeito pior, não importa qual seja o motivo que leve a um ou a outro.

