28 de fevereiro de 2011

Blogagem coletiva: Nós, os pais


Por Rodrigo Lagreca

Bom, eu escrevi na semana passada algumas coisas sobre como me sinto no papel de pai dos gêmeos Leonardo e Rafael. Nesta semana, vou escrever uma coisa muito especial na nossa vida agora: o aniversário dos guris, daqui uma semana. Eles vão fazer um ano, mas parece que nasceram há três ou quatro meses!! No máximo!
De vez em quando eu olho as fotos do nascimento, da primeira viagem a POA, da primeira ida deles ao parque, e fico embasbacado. Faz sim um ano que eles chegaram.
Não é fácil ser pai de dois, mas as coisas sempre se ajeitam. Ainda ontem saímos para almoçar fora, e foi quase igual como se nós estivéssemos sozinhos. Tudo bem que o Rafael deixou a mesa do restaurante toda marcada de tanto bater com a colher, mas também esse acabou sendo uma das partes mais divertidas do almoço!
O tempo tem passado muito rápido. Eu e a Carol andamos falando que logo serão adolescentes, e a seguir seremos avós. O que estamos descobrindo é como curtir (mesmo) cada fase que vivemos.
Logo logo vamos poder sair, pedir um espumante, um vinho, um prato requintado, voltar tarde de um encontro com os amigos, viajar apenas nós dois, etc. Mas enquanto esse dia não chega, temos que aproveitar enquanto eles não crescem. E quer saber? Nem sei se sinto tanta falta assim dessas coisas.
Eu acabo mais é sentindo medo de que esta fase que ele estão se torne uma lembrança apenas, daquelas que a gente fica sonhando que um dia volte.
Nesta 6ª feira à noite me ligou um amigo (também é pai, mas é divorciado e está "na vida”). Depois do papo-vai papo-vem de praxe, pergunto e aí, cara, o que tá fazendo? Responde ele tô indo pra casa de um amigo tomar uns tragos, eu tu? Resposta: tô na farmácia comprando fraldas!
Gargalhadas depois, entro na farmácia, aproveito uma promoção e levo quatro pacotes de fraldas pelo preço de três. Me dei bem! Ehehehe! Ao chegar em casa, eu sabia que a promoção viraria motivo de piada entre ele e o amigo, mas não troco por nada esse momento por uma mesa de bar ou uma saída com amigos.
Comprovado: eles crescem.

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Outros blogs participantes da blogagem coletiva:



24 de fevereiro de 2011

Empresa orgulhosa de sua responsabilidade social planta árvores e cuida de animais enquanto chicoteia funcionários.

Imagem é tudo.

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Imagem é tudo e gerenciamento de impressão também.

Tenho percebido nas dinâmicas de apresentação de meus treinamentos organizacionais que cada vez mais as pessoas se apresentam como jogadores de futebol, falando de si na terceira pessoa. Apresentam sua persona, não quem são. Falam do João, do Marcos e da Fernanda, mas não de si.

* * * * *

Uma turma resolveu pedir para que eu me apresentasse do mesmo jeito que peço a eles, falando dos meus valores e das coisas que não abro mão. Falei dos meus filhos e abri a pasta 'particular' do notebook e projetei uma foto da dupla no telão. Eu sou a mãe deles. 
Sabe o que não tem preço?

Poder sentar com o chefe, falar de como a carga de viagens está pesada e ouvir de volta: 'Carol, você tem que me dizer se estamos indo além do teu limite'.

Não tem preço.

22 de fevereiro de 2011

@vidacorporativa

Me dei conta que estou viciada em redes sociais quando recebi um mail assim:

Caros,
Gostaria de agendar uma reunião para tratarmos do Projeto X. Ainda não está claro para o presidente da empresa qual a mudança que queremos promover, pois o gerente Y não está sabendo vender o projeto para a direção.
Att,
Gerente do Projeto

E fiquei com vontade de responder assim:

@gerentinha
Posso conversar jah. Concordo que o Projeto X (link para o site da empresa) está truncado e que @gerentey não está sabendo conduzir o processo. #despreparoehpouco

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21 de fevereiro de 2011

Nós, os pais - blogagem coletiva

Devido ao enorme sucesso do post anterior (cof, cof) algumas #twitmães pensaram em fazer um blogagem coletiva, convidando os maridos a escreverem nos blogs. A Anne fez até um selinho especial (abaixo)  para identificar os posts participantes. O título da blogagem é Nós, os pais, e acontecerá no dia 28/02.

Quem topa?


Só não vale deixar o bebê chorando para escrever, tá?

18 de fevereiro de 2011

com vocês, o pai!


Como apresentar o convidado de hoje? Meu marido, pai dos meus filhos, companheiro de todas as horas... com vocês, Rodrigo!

os donos da casa

Por Rodrigo Lagreca


Já faz um tempo a Carol tinha me convidado para escrever um post para o blog. Ela inclusive tinha me sugerido que eu criasse um blog pra mim, ideia que eu acho legal, mas acho que não dou conta hoje. Por diversos motivos, mas não é o assunto que quero falar.

Quero falar de como eu me sinto e me vejo no papel de pai do Leonardo e do Rafael.

Aliás, vou falar de como me sinto. E vou comentar como os outros me veem, pelo o que me falam, e percebo; em geral, as pessoas me dizem coisas como “nossa, como tu é um pai participativo” ou “é raro ver um pai como tu, viu?”, e por aí vai.

Isso é legal de ouvir, não nego. Mas, como eu me sinto mesmo??

Olha, é difícil expressar isso. Posso começar com pequenas ideias que me veem: tudo o que eu faço hoje, no trabalho, nos planos de vida, nas pequenas coisas (como uma viagem, um almoço, ida ao shopping, ida ao parque) é feito pensando antes de tudo em como eles vão estar incluídos. Os meninos estão antes e acima de todo o resto.

Apesar das coisas que me falam, eu sempre acabo ficando com a impressão que poderia fazer muito mais. Eu sempre (até eles nascerem) trabalhei em casa, à noite, nos finais de semana eventualmente. Hoje, nem pensar! Esta semana ainda eu recebi às 18hrs um mail importante de trabalho no celular, e pela relevância do assunto resolvi abrir o computador. Bem na hora, os meninos estavam se exibindo pra gente, caminhando seis ou mais passos, e eu perdi isso.

Além do assunto do mail ser um porre, eu me vi sem opção na hora, e perdi de dar atenção e incentivar os meninos. Me senti um pai de última.

Passada a overdose de culpa, desliguei o computador, mandei o assunto às favas, e encontrei de novo a alegria ao olhar o Rafael gargalhando e abrindo os bracinhos para que eu o segurasse. Realmente, ser pai deles não tem o que pague.

Quase sempre nos perguntam (ou comentam) na rua “como vocês aguentam ser pai de dois?” ou “coitados de vocês” (sem entrar no mérito do que “coitado” quer dizer, literalmente). Quer saber o que eu respondo, como default? “Eu durmo menos, mas sou mais feliz”. Calam a boca na hora. A Carol se incomoda mais, eu não ligo. Acredito que as pessoas não fazem por mal, mas eu realmente recuso oferta de pena, seja por qual motivo for.

O segredo é sempre olhar para metade cheia do copo, e fazer graça com isso. Sábado passado levei o Leonardo às 6hrs da manhã no PA aqui perto de casa, com uma crise de tosse e inflamação na garganta. Ao chegar lá (dos recepcionistas aos médicos, todos nos conhecem pelo nome), a Dra. A. falou: “Ué, o Rafael de novo??” com seu sotaque baiano.

Não Dra., é o irmão dele! O resto vocês podem imaginar – nossa, como são iguais! Como vocês sabem quem é quem?? Etc., etc.

O fato mesmo é que não troco estar com eles por nada. Minha família vem sim antes de tudo, e não tenho vergonha de dizer. Penso também em como vai ser quando eles crescerem, como vai ser a vida deles no colégio, depois na faculdade, depois vão querer sair de casa, vão casar, ter seus filhos... eu penso nisso tudo, mas ainda é como se fosse um filme, daqueles que a gente começa a assistir depois que começou, sem saber ao certo se está conseguindo acompanhar o que acontece, se está entendendo...

Sei lá!! Acho que penso demais.

Bom, era isso. Acompanho os posts do blog, sei que vocês são uma comunidade muito unida, e minha intenção é vocês saberem um pouco como um pai (seja de quantos filhos) se sente em relação ao(s) filho(s), as coisas que nos cercam, e coisas que ainda nem chegaram, mas a gente sabe que um dia estarão aí, e mesmo que não adiante querer antecipar tudo, não evita que a gente se preocupe. Simplesmente porque amamos nossos filhos.

Pra quem conseguiu ler até aqui (rsrsrsr!!), recebam meu abraço e carinho!

Rodrigo
Marido da Carol, e pai do Leonardo e Rafael


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Para quem curtiu o post, que tal uma blogagem coletiva Nós, os pais no dia 28/02? Topa?

17 de fevereiro de 2011

por que eu procuro sarna para me coçar


Não adianta. Não consigo ficar quieta quando vejo injustiça ou um ato de desrespeito, tá no meu sangue. Tenho certeza que se eu fosse menos acomodada e mais desapegada seria ativista. Seria uma daquelas que se enfiam num bote em alto mar para protestar pelo Greenpeace ou iria passar um tempo na Palestina para promover a paz, como a querida Fê.

Sou uma mulher de causas, digamos assim.

Por isso minha indignação com a @americanascom e por isso todo o barulho. Não vou sossegar enquanto não entregarem o produto, não vou. É mais fácil cancelar a compra e ir comprar em outro lugar? É. Mas não vou. É obrigação deles entregar ou me dar uma explicação plausível para o que aconteceu. Não acho certo fazer de conta que nada aconteceu.

E para quem acha que não funciona, a novidade de hoje: me ligaram, pediram mil desculpas e informaram que estão enviando o produto 'novamente'. Tudo porque graças aos RT, apoios no facebook e comentários no blog consegui fazer algum barulho. Como escreveu a querida @ceila hoje, uma mãe ativista incomoda muita gente, duas mães incomodam, incomodam muito mais.

E o mais incrível é que podemos fazer tudo isso do sofá e no ar condicionado. Não tem desculpas para não reivindicar! Aja!

E para quem estiver em busca de 'causas', apresento duas:

- o grupo cria traduziu para português o manifesto contra a comercialização dos produtos GeoGirl pelo Walmart, linha de maquiagem que tem como público-alvo meninas entre 8 e 12 anos (aqui);

- Felipe Barcellos, jornalista, negro e pai de duas meninas, conta o preconceito que sofreu na festa de aniversário de uma das filhas no Espaço OX, no Leme (aqui).

16 de fevereiro de 2011

a brincadeira perdeu a graça

Pois bem que em dezembro o maravilhoso grupo #twitmães resolveu fazer um amigo secreto. Fiquei toda pimpona de ter tirado @marisemaia, uma querida. Entrei no blog dela, no google e fiz uma pesquisa digna de Sherlock Holmes para não errar no presente.

Fui na @americanas.com e comprei o dito cujo em 09/12. Alguém acredita que o produto ainda não foi entregue?

Lancei uma campanha no twitter (@carolpassuello) para que minha amiga secreta ganhe o presente. Quem quiser aderir, é só tuitar:

Comprei na @americanascom em 09/12 e o produto 02-503343093 ainda não foi entregue! Faça com que cumpram seu dever, dê RT!

Quem não tem twitter, pode ajudar colocando essa mensagem no seu mural do facebook, no blog ou dando sinal de fumaça!

Obrigada!

15 de fevereiro de 2011

hilarious

Uma amiga grávida perguntou como dou conta de dois bebês e um trabalho que exige viagens.

Tô rindo até agora!

Quem disse que dou?

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Li em algum lugar que não podemos ir matando um leão por dia, temos que ter um planejamento para seguir a risca.

Tô rindo até agora!

Como planejar alguma coisa se eu nem sei onde vou estar daqui a duas semanas?

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Para quem não gosta de tédio, ai vai a minha recomendação: filhos.

8 de fevereiro de 2011

para s.


ontem recebi a notícia da separação de um casal querido e fiquei muito triste. um casal que tenho dentro do meu coração e que decidiu que não dá mais, acabou, fim. para mim uma pena, para eles um recomeço, um outro rumo, promessas de dias melhores.

casaram poucas semanas antes de mim, cheios de amor eterno e expectativas de chegarem à velhice de mãos dadas, como todos nós. mas no meio do caminho não tinha uma pedra, tinha um casamento de verdade, com rotina, com chateações, com todo dia o dia todo. com falar de dinheiro e falar da família do outro. com mágoas.

com a lado bom da cumplicidade, que precisa sempre prevalecer para a coisa funcionar, mas aqui não deu certo. com a intensidade do amor que precisa sempre ser maior do que a do ódio, do sangue frio para tentar mais um pouco quando já se está de saco cheio. sem príncipes ou princesas, mas com duas pessoas reais tentando fazer a relação funcionar.

tenho pensado que um casamento só sobrevive quando as duas pessoas não o levam tão a sério para esmiuçar todas as coisas erradas, os defeitos e as picuinhas, porque daí ninguém resiste a tanta chatice. desapego e bom humor são as únicas possibilidades de salvar qualquer casamento.

e do lado de cá, seguimos tentando.

7 de fevereiro de 2011

Eu tenho um filho que anda!

Sim, um dia antes de completar 11 meses Rafael começou a andar! Três passinhos sem cair, quatro passinhos sem cair, cinco passinhos sem cair!

Em breve vídeo.

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Para as mamães-trabalhadoras-eternamente culpadas: coincidência eles começarem a engatinhar e Rafael a andar quando estão em casa conosco?


Ligeiro, eu?

4 de fevereiro de 2011

Cisne Negro: quando a perfeição sufoca

A convidada de hoje é a Carolina Pombo, do What Mammy Needs. Psicóloga, pesquisadora e mestre em Saúde Pública, palestra frequentemente na Escola Virtual para Pais. Textos engajados e idéias inteligentes é o que se pode esperar dela. Querem ver?



* * * * *
Por Carolina Pombo

A Carol me convidou para um desafio estimulante! Pediu um post-resposta ao seu "Nem santa nem louca". E eu, no meio de um rodamoinho de tarefas e em plena férias escolares de Laura, aceitei o desafio com muita honra! Como eu disse a ela, sou mais paixão do que razão, e acabo peitando as coisas pelo afeto que elas me despertam. Por isso, eis me aqui nesta noite de sábado, enquanto todos em casa dormem, após assistir o intenso filme "Black Swan" com a Natalie Portman (e o meu marido), cheia de gás para falar do tema polêmico que a Carol levantou!

O filme mostra a luta interna de uma bailarina à beira de um surto psicótico, para encarar o papel de Rainha do Cisne e ser a estrela da companhia de dança. O âmago de seus conflitos está na obsessão pela perfeição - mas na perfeição baseada no controle. Apesar de o diretor do balet lhe dizer que "perfeição não se refere sempre à controle", Nina cresceu sob a enorme pressão da mãe para que se tornasse a filha ideal. E qual mãe espera de sua filha que viva intensamente? Geralmente, os pais preferem filhos comportados, que não cheguem tarde em casa, durmam bem, estudem bastante, comam de tudo... E, a mãe de Nina tem um plus: abdicou da carreira de bailarina para ser mãe integral e, mesmo depois de sua filha completar seus vinte e oito anos, se relaciona com ela como se ainda fosse uma menina.

O filme mostra os rituais do par: antes de dormir, o cabelo escovado pela mãe, no quarto rosa e infantil, com o som de uma caixinha de música habitada por uma bailarina rodopiante. O quarto não tem chave, não há qualquer barreira para os cuidados e o desejo dessa mãe. Não há privacidade. Nina se esforça intensamente para controlar seu lado negro para assumir pefeitamente o lugar de filha ideal. O balet se torna, assim, o palco para sua obsessão, dando continuidade à neurose da mãe. Mas, para viver o cisne negro, ela precisa libertar-se dessa opressão. Ela precisa deixar fluir a agressividade, a paixão, a sexualidade há tanto tempo represada. E daí, desenrola-se uma trama cheia de conflitos e simbolismos.

O problema maior das pessoas que se esforçam loucamente para vestir a indumentária de santa é que, quando a puta precisa sair, sai debaixo! Elas não desenvolveram mecanismos saudáveis para equilibrar os dois lados do cisne.

E o problema maior das mães que não admitem falhar (ou seja, sendo impacientes, gritando, irritando-se de vez enquando) é que para sustentar tamanha repressão, precisam de filhos reprimidos. A mensagem indireta que elas passam é que só a idéia de descontrolarem-se é ameaçadora. E as respostas dos filhos podem ser na tentativa de manter essa mãe inquebrável. Parece mentira, mas existem mães assim, que beiram a perfeição do controle, à aparência de santas.

Eu, constantemente, me pego orgulhosa por ouvir as pessoas dizerem que Laura é uma criança ótima, compreensiva, educada. Mas, quando páro pra pensar em tudo que acabei de escrever, me preocupo em não transmitir para ela tal idealização. Quero que ela sinta-se livre para escolher seus caminhos, mesmo que para isso tenha que me contrariar. O desfralde tem sido um retrato interessante desse processo: depois de dois dias inteirinhos sem nenhum xixi no chão, se foram mais dois de nenhum xixi no vaso! É a maneira de ela dizer "eu não serei sempre o que você quer, sou eu quem controlo meus xixis, p#rr@!". E eu, por outro lado, não me descabelo nem grito, mas deixo bem clara minha insatisfação em ter que mais uma vez limpar o chão e levá-la para debaixo do chuveiro! É espontâneo: "Ah Laura, de novo não!!! Pô minha filha, que saco!!!"

Entrar em conflito faz parte! Como diria Winnicott, a mãe suficientemente boa não é aquela que supre todas as necessidades, mas aquela que falha sem abandonar, aquela que dá ao filho a oportunidade de simbolizar, se reinventar, se apaixonar por outras mulheres, afinal! Uma mãe que não admite a própria impaciência quer ser tudo para o filho, quer ter o poder de satisfazer-lhe mesmo quando ela própria está no limite da exaustão.

Só mais um causo para ilustrar: fui agora há pouco ver Laura dormindo em seu bercinho. (Depois de uns vinte minutos choramingando e arrumando todas as desculpas para ficar perto do pai e de mim, consegui colocá-la para dormir às oito horas). E agora, apesar do calorão, está ela deitada em seu travesseiro com o travesseiro da mamãe sobre seu corpinho, agarrada, como quem imita um abraço. Primieiro pensamento de culpa santa: "Ai tadinha... ela queria dormir abraçadinha com a gente... vou trazê-la pra nossa cama!"; segundo pensamento de mãe orgulhosa: "Ah, ela tá simbolizando! Eu também não gosto de dormir abraçada num travesseiro? Então, que bom que ela está criando maneiras de lidar com minha ausência!". Boa noite!

3 de fevereiro de 2011

ainda o lado deles

A discussão sobre o post anterior rendeu também no Facebook. Selecionei alguns comentários muito legais e verdadeiros para compartilhar aqui, sendo que marquei as partes que mais me chamaram a atenção:

"Sempre foi muito chato ter de levá-las ao banheiro masculino, pois muitos lugares não disponibilizam o espaço família. Homens na condução com crianças no colo não merecem o lugar, pois são "fortes". Nas filas das conduções, idem. Em alguns ambientes a presença dos pais acompanhando os filhos é muito mais tolerável, mas ainda assim não deixa de ser "engraçadinha", como se fosse um estranho no ambiente. Mas nada supera o fraldário. Ali dá pra se ter a nítida impressão que você é o total estranho. Se você vai acompanhar a mãe e ajudar, fica quase sem graça. E se vai sozinho com a criança então, parece que ficam de olho pra ver se está fazendo direito. E não é paranoia, pois já chegaram a perguntar se estava tudo bem ou elogiar por cuidar da criança. Uma vez, quando fui dar a comida da minha pequena, teve uma mãe que quase desistiu de amamentar seu bebê porque me viu. Ela se torceu tanto pra se esconder que parecia que eu estava lá só pra olhar os seios dela. E não estava nem aí se a mulher estava lá ou não. Sei lá se existe alguém que faça isso. Até acho que tem de ter certa privacidade, mas a paranoia foi geral nesse dia. Bom, é isso, mas que impeça a participação dos pais. Acho que tem sim de ajudar a cuidar das crianças. Sou partidário da criação em conjunto, participativa e da troca de experiência".
Manogon Gonçalvez, do Coisas de Manogon.

 
"Eu acho que o único gesto de preconceito que senti na pele (pelo menos explicitamente) foi uma vez que uma mulher chegou para o marido e disse: O, fulano, esse é o Flavio Salles que escrever o livro sobre paternidade. E, imediatamente, o cara retrucou: Você gosta de futebol? Em outras palavras, ele estava me perguntando: Você é macho mesmo?".
Flávio Salles, autor do livro Pai Crônico.


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Assisti Um Lugar Qualquer, o novo filme da Sofia Copolla, que fala justamente da relação entre pai e filhos. Aqui, um pai galã, ator famoso, pegador, tem que cuidar da filha de 11 anos, depois que a mãe decide 'dar um tempo' (será que pais só podem assumir os filhos quando a mãe está ausente?). Filme bonito, delicado e cheio de metáforas, que mostra com cuidado a construção da relação entre os dois.

PS para quem viu o filme: o que é de linda a cena dos dois na pisicina?