A discussão sobre o post anterior rendeu também no Facebook. Selecionei alguns comentários muito legais e verdadeiros para compartilhar aqui, sendo que marquei as partes que mais me chamaram a atenção:
"Sempre foi muito chato ter de levá-las ao banheiro masculino, pois muitos lugares não disponibilizam o espaço família. Homens na condução com crianças no colo não merecem o lugar, pois são "fortes". Nas filas das conduções, idem. Em alguns ambientes a presença dos pais acompanhando os filhos é muito mais tolerável, mas ainda assim não deixa de ser "engraçadinha", como se fosse um estranho no ambiente. Mas nada supera o fraldário. Ali dá pra se ter a nítida impressão que você é o total estranho. Se você vai acompanhar a mãe e ajudar, fica quase sem graça. E se vai sozinho com a criança então, parece que ficam de olho pra ver se está fazendo direito. E não é paranoia, pois já chegaram a perguntar se estava tudo bem ou elogiar por cuidar da criança. Uma vez, quando fui dar a comida da minha pequena, teve uma mãe que quase desistiu de amamentar seu bebê porque me viu. Ela se torceu tanto pra se esconder que parecia que eu estava lá só pra olhar os seios dela. E não estava nem aí se a mulher estava lá ou não. Sei lá se existe alguém que faça isso. Até acho que tem de ter certa privacidade, mas a paranoia foi geral nesse dia. Bom, é isso, mas que impeça a participação dos pais. Acho que tem sim de ajudar a cuidar das crianças. Sou partidário da criação em conjunto, participativa e da troca de experiência".
"Eu acho que o único gesto de preconceito que senti na pele (pelo menos explicitamente) foi uma vez que uma mulher chegou para o marido e disse: O, fulano, esse é o Flavio Salles que escrever o livro sobre paternidade. E, imediatamente, o cara retrucou: Você gosta de futebol? Em outras palavras, ele estava me perguntando: Você é macho mesmo?".
Flávio Salles, autor do livro Pai Crônico.
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Assisti Um Lugar Qualquer, o novo filme da Sofia Copolla, que fala justamente da relação entre pai e filhos. Aqui, um pai galã, ator famoso, pegador, tem que cuidar da filha de 11 anos, depois que a mãe decide 'dar um tempo' (será que pais só podem assumir os filhos quando a mãe está ausente?). Filme bonito, delicado e cheio de metáforas, que mostra com cuidado a construção da relação entre os dois.
PS para quem viu o filme: o que é de linda a cena dos dois na pisicina?


8 comentários:
Bom, eu tenho um garoto, acho que é mais fácil para o pai lidar com ele. Mas nunca tinha pensado nisso? Pois para eu e meu marido sempre foi muito natural irmos juntos para todo o lugar, ele trocar as fraldas no fraldário enquanto eu usava o banheiro ao lado, me ajudar a segurar o paninho sobre os seios, pois eu derrubava tudo e ficava de peitão de fora! Mas já percebi homens incopmodados porque eu estava amamentando ao lado do meu marido, mesmo coberta, percebi um mal estar e acho que, como não custa nada, sempre evitei. Procurava um cantinho mais sossegado e pronto! Elogios, ele sempre recebeu, mas adora, claro! Ele sempre particpou de tudo, até hoje. Beijos.
bem legal o depoimento do manogon, vou até encaminhar pro maridón, pois já viveu cena semelhante em fraldários estilo "família". E teve também uma vez em um restaurante, em que o trocador ficava do lado de fora dos banheiros, junto às pias, e gerou também um certo "frisson" entre as mulheres do local.
Mas lembrei de outra situação, e percebi o quanto eu também fui preconceituosa (ainda que às avessas): fui com meu marido na oficina mecânica que costumamos levar nosso carro, e ela havia mudado pra um novo local, tudo novinho, e, além de terem criado um "cantinho das crianças", com tapete emborrachado, mesinha, brinquedinhos e livrinhos, o banheiro, misto, tinha trocador. Fiquei muuuito surpresa de ver tudo aquilo num ambiente predominantemente masculino, o que denota um enraizamento dessa postura que você cita nos posts: eu mesmo já naturalizei que isso seria "coisa de mãe", mesmo que, racionalmente, seja crítica a isso. Mas aí, o outro lado: quem pensou em tudo isso foi a mulher do dono, pensando nas mulheres que também assumem o conserto dos carros, e mtas vezes levam os filhos junto. Eu mesma já passei por isso. Ou seja, é uma mudança de postura, mas ainda com foco na relação mãe-filho, e não pensando nos pais que frequentam o ambiente... Mas já é um começo, não?
(atô adorando esse papo, posta mais! hehe)
bjs
Vim parar aqui pulando de blog em blog. Li um bocado. Mas especialmente esse último texto pegou pesado. Porque eu tinha um marido exatamente assim, participativo, atencioso, faz tudo. Você leu bem: eu TINHA. Ele não está mais aqui entre nós. Agora, eu me viro sozinha para lidar com os questionamentos deles sobre a morte precoce do pai, com a minha própria carreira e com a felicidade dos meus pequenos. A barra não leve, mas há algo que ainda me move. Vou continuar lendo aqui os textos.
Beijo!
Marcele
Conforme a participação dos pais for aumentando, gradativamente será assimilado como algo "normal" (eita palavrinha difícil)
A cena do filme é bonita mesmo, lembra bem a infância.
É complicado para os que querem participar.
Mas o preconceito nesse caso vem mais dos próprios homens do que das mulheres? Concorda?
Sei que as mulheres vão olhar torto e achar curioso... mas pelo fato de ser raro, pouco visto.
Agora os homens vão até questionar a masculinidade do individuo, como mesmo conta o relato.
Complicado isso...
BJos
é por isso que os daddy blogs são um sucesso... o lado deles é sempre uma visão super interessante.
e não há como discordar, sofrem mesmo um certo preconceito. em linhas gerais, acho que aos poucos isso vai mudando. mas não enquanto mães como eu tiverem um tanto de dificuldade de delegar completamente funções do trato dos filhos aos maridos: eu por exemplo nunca deleguei a preparação de uma papinha. deveria né?
bjo
Que discussão ótima Carol! Na hora lembrei de outro blog de pai, o Manual do Pai Solteiro. Ele é pai de uma menininha de 5 anos e, vira e mexe, conta no blog dele os perrengues que passa. Lembrei de um post dele contando como era difícil quando ia com a filha no shopping e ela queria ir ao banheiro. No banheiro masculino ela não quer ir, então se não tivesse mesmo jeito, ele pedia para alguma mulher acompanhar a menina. Que situação, pedir a uma estranha acompanhar a filha ao banheiro!!
Há mesmo preconceito, de todo lado. Reforçado pelo machismo de muitas mulheres, que não delegam tarefas aos maridos, e pela sociedade, que ainda olha estranho para pais participativos.
beijos
Quero ver o filme!!!!
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