30 de dezembro de 2010

Férias de quem, cara pálida?


Vou pedir para o Aurélio incluir "férias com bebês" como um exemplo de oxímoro em seu dicionário. Para quem matou essa aula, oxímoro é a figura de linguagem que harmoniza dois conceitos opostos em uma expressão, como "proibido proibir" ou "inocente culpa". Uma expressão contraditória, antes de tudo.

Nessas férias eu estou exausta, mas os meninos estão se divertindo horrores. Tomam banho de piscina gelada, comem terra, brincam com o cachorro e lambem o chão. Meu pai dá alimentos proibidos a eles, meus irmãos os sacodem depois das refeições e a rotina já foi pro beleléu. Aprenderam a subir as escadas e onde fica o registro do lavabo. Chupam lenços umedecidos, entram na lareira e brincam com pedrinhas. Eu subo, desço, sento, levanto, lavo e amasso. Banho, limpo e troco. Rio, me canso e sou feliz.

24 de dezembro de 2010

O Verdadeiro Presente


A convidada desta data especial é a Mari Hart, do Diário de uma mãe polvo! Mãe da Stella, do Leo e do Pedro, penso que não tem ninguém melhor para falar de amor e esperança.

Feliz Natal!

Quarteto fantástico

* * * * *
Por Mari Hart

Quando eu era apenas uma criança, o Natal era minha data festiva preferida. Até mais do que meu aniversário, devo dizer. As luzes na cidade me hipnotizavam, a decoração de natal me encantava, a montagem da árvore, e a noite do dia 24 era um evento como poucos em que reunia a família completa. Sem contar na presença mais que espiritual do bom velhinho de barba branca que vinha todos os anos nos presentear com os maiores desejos. E eu que sempre fui uma boa menina durante ano, me sentia feliz e abençoada sem ao menos saber o verdadeiro significado desta data.

O tempo passou. Eu cresci. E a boa menina se transformou em uma mulher que passou a entender melhor o porquê de todo aquele encantamento na prática. Mas junto com o entendimento veio o vazio. Junto com a lenda do papai noel, do consumismo desenfreado, há o esquecimento de certos valores. Não aprendi na teoria, pois meus pais estavam muito ocupados com a ceia e as compras e fim de ano para me ensinar. O aprendizado veio com o tempo.

O espírito do natal independe de religião, apesar da celebração do nascimento de Jesus e sua chegada a terra como o salvador. É muito mais. É a época em que as pessoas lembram de exercitar o perdão, da solidariedade a flor da pele, demonstração de carinho, da gratidão, da emoção e do querer bem. Tudo o que envolve uma única, simples e pequena palavra: o AMOR! E é tudo que tento passar para meus filhos, não só nesta data, mas o ano todo.

Que todo dia é um natal. Natal que significa nascimento. Para mim uma data mais que especial, conscidentemente foi perto dele que meus meninos nasceram, dei a luz dois bebês que enalteceram minha vida com o amor incondicional, daqueles vindo das entranhas. Gêmeos que assim como a festa natalina, significa divisão, fraternidade, a verdadeira expressão da união.

Foi em um 25 de dezembro que senti as primeiras contrações, quando eles ainda ensaiavam sua chegada ao mundo se exercitando em meu útero. Cedo demais é verdade, e na virada do ano eles decidiram vir a vida prematuramente. Inesquecível. Meus bebês nasceram junto com o ano novo, e junto com eles a esperança de dias melhores sempre. Hoje o desafio é outro. Um ciclo se fechou junto com aquele vazio permanente, e um outro ciclo se iniciou. Me senti completa apesar das adversidades que quem me acompanha conhece.

Hoje, mais um final de ano se aproxima, desejos se renovam, o balanço dos erros e acertos do que se passou e a esperança permanece intacta sempre. Para mim, um balanço de uma vida inteira, desde que eu ainda sentava em frente a árvore enfeitada esperando minha vez de receber meu presente. Foi preciso muitos anos para perceber que o real e maior presente de todos já estava em minha mão. A vida! E é a ela que eu brindo hoje, junto com minha filha, meus eternos bebês, meu marido, minha família que construí e que se solidificou desde aquela virada de ano.

O espírito natalino está dentro de nós, e que ele esteja em você! Que o seu natal não seja apenas troca de presente. Que seja a renovação! Paz! Caridade! Compaixão! Sabedoria! Que essa luz divina tome conta do seu coração!

É o meu mais sincero desejo! Um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de amor!

23 de dezembro de 2010

notícias do front

Estamos em Porto Alegre desde terça, e desde quarta estamos lutando contra uma virose. Falta de apetite, vômito e diarréia.

(Taí um assunto que eu nunca imaginei que fosse render um post).

Me desculpem amigos reais presenciais e virtuais pela falta de contato.

20 de dezembro de 2010

eu sou a única?


Decidi que não vou comprar presente de Natal para os meninos. Eles têm 9 meses, não entendem o que é Natal, tem milhares de brinquedos, alguns até guardados. Odeio fazer coisas por obrigação, custando dinheiro então...

Empregada vai ganhar, babá vai ganhar, professoras da escolinha ganharam, pediatra vai ganhar presentão. Esses entendem. Eu e Rodrigo não vamos nos dar nada, quer dizer, compramos uma caixa de chocolate gourmet de diversas D.O. (procedências) e vamos fazer uma degustação um dia desses. Mas os meninos ainda não entendem e o que gostam mesmo é de caixas, potinhos, colo e fuzarca. Isso eles têm todos os dias.

Para mim, o importante do Natal é amor e estar junto de quem se gosta. Não é obrigação.

Pronto, falei.

Detalhe da árvore.

16 de dezembro de 2010

Matando a Babá


Minha atual ídola é a Cínthya Verri, psiquiatra multimídia gaúcha que escreve um blog chamado Matando Carpinejar. O interessante é que o Carpinejar ao qual ela se refere é o Fabrício, escritor e namorado dela. Como mulher bem resolvida, expõe todo o ciúmes que sente dele, trama diversas formas de matá-lo e até desenha suas vinganças.

Pois bem, estou quase criando o Matando a Babá, que oferecerá aos leitores doses de sadismo, crueldade e sanguinolência que vai colocar Tarantino no chinelo. Tudo porque ando com muito, mas muito ciúmes da babá. Ela trabalha das 18hs-06hs conosco, 6 vezes por semana e me dói admitir, mas eles são loucos por ela. E sim, eu tenho medo de que eles gostem mais dela do que de mim.

Não adianta racionalizar "ela é a babá e eu sou a mãe" porque eu não sou uma pessoa razoável e não me convenço. Me pego pensando que eu bem que gostaria de mandar ela embora. E que eu bem que gostaria que ela se explodisse. E quem quiser lembrar do que uma mãe enfurecida é capaz, é só clicar na imagem:


E ela ainda nem viu o meu tigre grou...

15 de dezembro de 2010

executivos


Depois de escrever o último post, fui dar um treinamento para um grupo de 20 líderes, todos homens, e me dei conta de algo que nunca tinha percebido: assim como nós, eles também sofrem. Muitos falaram sobre como se sentem culpados em deixar a família para se dedicar à carreira em uma empresa que exige muito. De como se sentem tocados quando a filha de 05 anos pergunta para o pai (gerente de manutenção) se naquele final de semana haverá troca de um rolamento na fábrica pois ela gostaria de ir ao clube com ele e de como é difícil se concentrar no trabalho quando a esposa já está na 40ª semana de gestação e o filho pode chegar a qualquer momento.

A figura do executivo durão que não tem sofrimento ou sente culpa nem sempre é real.

* * * * *

Ainda, me peguei pensando que a paternidade, assim como a maternidade, envolve uma construção. E como mães de meninos, que pais são esses que ajudamos a construir? Como disse a Cris nos comentários do post anterior, "criamos filhas princesas e filhos guerreiros". Meninas orientadas para forno e fogão e meninos para ganharem o mundo. Que tipo de pais serão? Será que ajudarão suas esposas nos cuidados dos nossos netos e da casa? Por que então não damos uma boneca e algumas panelinhas para nossos meninos? Será que meninos não deveriam brincar de ser pai?




13 de dezembro de 2010

executivas


 
O jornal Valor Econômico publicou hoje um caderno especial chamado Executivas: as melhores gestoras de empresas no Brasil, com a apresentação de 14 executivas de destaque e mais algumas reportagens sobre o assunto. De forma geral, acho que o caderno retratou a loucura que é ser uma executiva: para quem vê, glamour e poder; para quem vive, renúncias e trabalho duro. A vida como ela é.

Não acho natural que uma mulher se torne presidente ou diretora de primeira linha de uma empresa: ainda não somos educadas para chegar ao topo, as empresas não estão adaptadas para que uma mulher/ mãe chegue nesses níveis e há sim, ainda, discriminação. Os números concordam comigo: atualmente, no Brasil, apenas 5% das presidentes de empresas são mulheres, 19% diretoras e 25% gerentes. Então, cara amiga, temos que tirar o chapéu para quem conseguiu chegar lá.

Como disse antes, as histórias retratam muito sacrifício. Maria Silvia Bastos Marques, atual presidente da Icatu Seguros, por exemplo, contou que voltou a trabalhar um mês depois do nascimento dos filhos gêmeos, quando era presidente da Companhia Siderúrgica Nacional: "Se eu ficasse quatro, cinco meses fora, não precisariam mais de mim. Em algumas funções não é possível estar tanto tempo fora". Antes de atirarmos pedras e dizer que ela é uma péssima mãe, vamos lembrar que cada um faz a sua escolha e que, convenhamos, deve ser bem difícil deixar a presidência da CSN.

A publicação faz um esforço para mostrar como as mulheres podem alcançar cargos de liderança e como o Brasil pode repetir dados de países nórdicos, onde é lei que 40% do conselho de uma empresa deve ser composto por mulheres, por exemplo. Mas como já dizia o meu chefe, 'o mundo não é uma grande Noruega', volta e meia a publicação adota um caráter machista e nos retrata como idiotas. Por exemplo, em um texto que fala sobre networking feminino, está escrito que nos encontros "não têm muito tempo para falar dos filhos ou do rumo da novela das oito", como se esses fossem os assuntos preferidos das mulheres quando se reúnem.

Mas o pior de tudo vem agora. Depois do esforço de apresentar 14 mulheres que deram duro e criaram estratégias diferenciadas para poder administrar casa, família e trabalho, o caderno é fechado com uma matéria sobre sapatos. Até aí tudo bem, quem não ama sapatos? A questão é que o sapato, especialmente o de salto, é apresentado como o objeto que personifica o poder feminino ou, vamos lá amigas psicanalistas, como o falo da executiva! Exemplo:

"Nada deixa a imagem feminina tão poderosa (...) É impossível que uma mulher se acovarde quando está de saltos altos (...) Mesmo com todo o desconforto que os saltos causam, depois de dez horas de trabalho, boa parte delas prefere equilibrar-se sobre bases incertas desse tipo de calçado a perder a aparência de sucesso usando modelos rasteiros".

Não interessa se a mulher estudou, ralou e trabalha 14 horas por dia, só terá sucesso com o sapato certo, alto e desconfortável. Pode haver algum discurso mais machista? Definitivamente, estamos longe, muito longe, da igualdade entre os sexos, o que só aumenta o mérito de quem conseguiu. Independente do tamanho do salto.

business

A gente se dá conta que é business oriented quando brinca de mineradora com os filhos de 9 meses.

Assim:

- Gente, olha só o fora de estrada carregando o minério de ferro. Bruuuummmmmmmmmm. Tá levando o minério, Lelo, olha só!

- Rafa, olha só a locomotiva que puxa os vagões do trem que vai levar o ferro pro porto! Vai levar toda a riqueza do Brasil pra China, filho! O tio Roger vai ficar mais feliz!

- Vamos embarcar o ferro num navio graneleiro agora!

- Ihhh, não tem navio graneleiro aqui! Ninguém deu um navio graneleiro pra vocês?

- Pronto, achamos uma forma do minério ir pra China. Vai de yellow submarine!


(ufa, ainda tenho salvação).

10 de dezembro de 2010

Mamãe tá Trabalhando!


A convidada de hoje é a very busy woman Camila, do Mamãe tá Ocupada!!! Psicóloga de formação e mamãe ocupada por opção e de coração, como ela mesma diz, largou a profissão para cuidar dos filhos e ser mãe em tempo integral.

Joaquim, Manuela e Pedro. Ou será Pedro, Manuela e Joaquim?

* * * * *

Por Camila Garcia


Eu me formei em Psicologia, tive o enorme privilégio de escolher a empresa em que gostaria de trabalhar e o cargo que ocuparia. Fui de cara para a Diretoria do RH, sem estágio ou período de experiência.

Por pouco tempo, tive um CEO acima de mim e apenas uma gerente para administrar e “controlar”.

Talvez esse tenha sido o meu período de treinamento, pois apenas 1 ano e 2 meses depois, surgiram mais dois gerentes. Daí, a minha situação profissional apertou de verdade.

Vejam só: o CEO prepara o orçamento e lá vou eu cuidar das contas a pagar, arquivá-las, organizá-las e fazê-las caber no orçamento dessa empresa de médio porte, porém de altíssimo consumo financeiro e tributário.

Sou responsável pela contratação, treinamento e demissão de funcionários, assim como de serviços terceirizados, abastecimento do refeitório e almoxarifado, elaboração dos menus, organização de eventos culturais e sociais, ou seja, eu trabalho mais que impressora multifuncional. Sem horário para entrar ou sair, fiz até a opção de morar na empresa. Facilita horrores!

Os gerentes em si parecem estar em árduo treinamento. Às vezes nos surpreendem pelo não cumprimento de horários, apresentam comportamentos inadequados e que comprometem o trabalho em grupo da equipe (estou pensando em promover um workshop motivacional de cooperação...), discutem sobre quem tem preferência para ocupar determinada sala ou cadeira, quem vai usar o grampeador, o furador , o xerox, o fax primeiro... Daí, batem na porta da minha sala para que eu resolva esses probleminhas.

Mas, no geral, os três gerentinhos são muitíssimo bem humorados e grandes companheiros de trabalho. Sabe gente que dá gosto de trabalhar junto?

Agora , o CEO é um caso à parte e vive me rondando, convidando para uns almocinhos e happy hours. Sou absolutamente contra beber durante o expediente, compromete mesmo o trabalho. A gente fica mais devagar, com sono e não dá conta do que tem de ser feito, especialmente se tiver alguma situação mais importante com os gerentinhos. Mas, no entanto, já combinamos: uma tacinha de vinho após o trabalho na sala de reunião, pode. Sem falar de trabalho, negócios e orçamento. Só das futuras férias e da evolução dos gerentes em pleno processo de treinamento.

Uma noite, nos empolgamos no happy hour. Éramos muitos aqui na nossa sala de reunião. Conversa vai, vinho, conversa vem, vinho, vinho para sobremesa, conversa vai, vinho do Porto e o happy hour foi até às 4 da manhã. No dia seguinte, era dia útil (todos os dias são úteis, porque trabalhamos aos domingos também, sabiam?) e os gerentinhos estavam a postos às 8 da manhã.

CEO, caridoso que é, levantou e foi lá tocar o projeto gerencial. Quando deu o meu horário, umas 2 horas depois, a observação do querido chefe foi:

- Trocar fralda de cocô de ressaca é literalmente uma $#%&!!!

Independentemente de percalços como esse, a empresa tem uma política de bônus bastante agressiva. Afinal, em que outro lugar há distribuição de lucros todos os dias da nossa vida?

Agradeço enormemente à Carol pelo convite para escrever nesse blog delicioso, do qual sou fã e fiel leitora.

* * *

Sou Camila, Psicóloga, 30 anos, full time mom, blogueira fanática e autora do www.mamaetaocupada.blogspot.com. Casada com o CEO Rodrigo, advogado, 30 anos. Somos pais dos três gerentinhos: Manuela (3 ½ anos), Joaquim e Pedro, gêmeos de 2 anos e 4 meses.

8 de dezembro de 2010

Na Ilhéus de Jorge Amado


Jorge em papel machê

Então que depois de algumas horas de viagem e duas noites longe dos meus filhos, o cliente não conseguiu se organizar para que eu o atendesse durante o número de horas combinado. Por pura desorganização, trabalhei um turno a menos ontem. Uma maravilha, dada a quantidade de coisas que tenho que fazer. Em outros tempos, voltaria para o hotel, abriria o notebook, responderia todos os emails da minha caixa, resolveria pepinos e pendências e chegaria à noite com a sensação de dever cumprido, mesmo que tivesse visto um dia maravilhoso de sol apenas pela janela. 

Como a maternidade nos ensina a priorizar e dar valor ao que realmente importa, mandei o trabalho pra longe e resolvi conhecer o Centro Histórico de Ilhéus. Se estou duas noites longe dos meninos, tenho que fazer a viagem valer a pena. Simples assim.

A primeira coisa que tive que entender é que Ilhéus não é Salvador. Não tem Pelourinho, Cidade Alta, Cidade Baixa, todas as igrejas, ladeiras e vielas. É bem menor e não tem aquele charme. Mas tem Jorge Amado. A cidade vive em função de ser a cidade onde o escritor cresceu e viveu (pois nasceu na vizinha Itabuna) e há vários lugares que remetem a ele e a sua obra. Onde mais poderia haver uma Gabriela FM?

O início do meu passeio foi pela Casa de Cultura Jorge Amado, a casa da família Amado que foi transformada em uma espécie de museu. Há poucos objetos originais, o que mais gostei foi um pijama, exposto na primeira sala. Ainda há algumas máquinas de escrever e cópias de livros, um vídeo do escritor falando de sua relação com a cidade e poucos resumos de suas obras, mas o acervo é bem limitado e o museu, de forma geral, merecia mais investimentos.

O meu preferido

De qualquer forma, o museu é importantíssimo para a cidade e recebe muitos turistas e visitas de escolas.


Alunos de escola pública, com azulejos portugueses atrás.

Sai de lá e fui conhecer o Bataclan, o bordel frequentado pelos coronéis e gerenciado por Maria Machão em Gabriela. O prédio é bem bonito e, felizmente, está sendo restaurado. Depois, corri para conhecer o Vesúvio, o bar de Nacib em que Gabriela trabalhava.

Quem é esse senhor à direita?

Fiquei com medo de ser um lugar pega-turista, com comida ruim, cerveja quente e conta cara, mas mesmo assim resolvi arriscar. Tomei um chopp, comi um quibe gostoso e  uma esfirra de coalhada simplesmente maravilhosa! Bela surpresa! Nas mesas próximas, uma família tirando fotos, algumas senhoras em excursão e um grupo de gringos recebendo orientações de outra gringa sobre como conseguir visto para poder se mudar para a Bahia de forma legal.


7 de dezembro de 2010

o que é, o que é

o que é, o que é: um ponto branco no cantinho de uma praia de Ilhéus?

eu, tentando dar um mergulho sem que o cliente, que está hospedado no mesmo hotel, me veja de biquini tigrado.

Ilhéus, hoje.

6 de dezembro de 2010

9 meses

Então que hoje a dupla comemora 9 meses. Vou falar o clichê: o tempo passou muito rápido. Eles já engatinham, ficam de pé, estão cheios de dentes e o Lelo fala mamamã. Tenta dizer mamãe, obviamente. A grosso modo, hoje completam o mesmo tempo que ficaram na minha barriga. Sim, porque os moleques nasceram de 38 semanas. Engraçado como as coisas são. Hoje acordei e vesti a primeira roupa que vi para tomar café. E sabe o que foi? O vestido que usei para ir à maternidade. Coincidência? Inconsciente, isso sim.
Até o nascimento deles, o dia do casamento tinha sido o dia mais espetacular da minha vida. Não porque eu sou um pessoa muito romântica e casar era o meu sonho, mas porque foi o dia perfeito, que terminou com a melhor festa de casamento do mundo. Mas foi fichinha perto do dia do parto. Acordamos cedo, fomos pra maternidade e tudo começou a acontecer como em um sonho. Tive a sorte de poder contar com uma excelente equipe médica, coordenada pelo Dr. Renato Kalil. Já conhecia a médica assistente e a enfermeira obstetriz, que me acompanharam naqueles exames de rotina para a baixa hospitalar. Contei em todos os momentos com a ajuda do Rodrigo, que sempre foi um pai exemplar, desde a gestação. Me senti muito segura e tranquila em todos os momentos. Fui para a sala de parto, e a enfermeira já tinha colocado uma música para tocar baixinho e o anestesista já estava lá. Treinamos a posição para a anestesia, ele me explicou tudo o que eu iria sentir. Ter tido o apoio de uma enfermeira obstetriz foi a cereja do bolo. Ela me explicava o que estava acontecendo, mostrava toda a sala para o Rodrigo, nos ajudava na apropriação daquele espaço tão frio.  Devagarinho começaram a chegar mais pessoas e a sala a encher: duas médicas neonatos, a médica assistente, a instrumentadora e o meu obstetra. Show time. Lembro da música baixa, da pouca luz e da minha ansiedade. Lembro o primeiro choro de cada um e de como eles nasceram com os olhos bem abertos. Lembro de ter perguntado ao médico se eles estavam bem. O resto eu não tenho lembranças, apenas sensações. E tudo foi passando muito calmamente. Depois de serem examinados, amamentei os dois, antes de completarem a primeira hora de vida. Realmente me impressionou como eles já nascem sabendo, somos nós quem temos que aprender. Após serem amamentados, foram banhados pelo Rodrigo, durante um bom tempo. Se eu pudesse escolher um dia para viver de novo, com certeza seria dia 06 de março de 2010.


Legenda:
Foto 1: poucos minutos antes da cesárea
Foto 2: nascimento Leonardo
Foto 3: Rafael mamando
Foto 4: Rodrigo dando banho na dupla

2 de dezembro de 2010

pequena aula sobre espumantes




Sei que muita gente não tem o hábito de tomar espumantes durante o ano, pois essa bebida ainda é considerada 'de festa' no Brasil, mas quando chega o período de Natal e Ano Novo ela reina absoluta. Para democratizar o consumo de espumante (ulalá!) e todo mundo fazer bonito em qualquer conversa sobre o assunto, preparei essa pequena aula. Tin tin!

A primeira coisa a saber é que se o espumante não for da região de Champagne, na França, ou se não for produzido conforme algumas regras muito específicas de fabricação (como usar o método champenoise, por exemplo) não pode ser chamado de champanhe*. Da mesma forma, só chamamos prosecco se o vinho vem do Vêneto e é feito através do método charmat e de cava aquele espumante catalão. Para outros vinhos que borbulham e espumam, mas não têm essas denominações de origens, usamos o termo genérico espumante.

O espumante é feito a partir de um assemblage de uvas, ou seja, de uma mistura de diferentes tipos de uvas. No Brasil usa-se bastante as variedades chardonnay, riesling e moscatel. Complicado? Não! É como se você usasse para fazer determinado vinho tinto uma mistura de pinot noir, cabernet sauvignot, tannat, etc. Diferentes uvas de diferentes safras podem compor um espumante (ou qualquer outro vinho). O enólogo é justamente o profissional que 'monta' o vinho. Trabalhinho ruim, não?

Na produção do espumante se faz um vinho base e depois se re-fermenta ele. O que acontece é que o açúcar da uva se transforma em álcool e tem como produto desta reação química o gás carbônico. O vinho então ganha espumas e bolhas, que se dissolvem no líquido e só são liberadas quando abrimos a garrafa. Essa segunda fermentação pode ser feita na própria garrafa (método champenoise) ou em grandes tanques (método charmat). No Brasil, faz-se espumantes das duas formas. Por exemplo, a Miolo produz o Miolo Brut Millésime a partir da forma champenoise (quando se faz o tour da vinícola é apresentada a  sala em que todas as garrafas estão dispostas) e a Chandon usa o charmat. Outro termo importante é perlage, que é conjunto de bolhas do espumante. Quanto mais e menores, melhor a qualidade do produto.

E todos os espumantes são iguais? Não! Vão do mais seco ao mais doce, dependendo da quantidade de açúcar que o produtor coloca. Existe o extra brut (o mais seco) brut (seco) e o demi-sec e o doux (que é o mais doce). No Brasil, a uva moscatel, é a mais utilizada para fabricar o doux, e as vezes o rótulo do espumante diz só Moscatel, ao invés de indicar Doux. Essa uva é dulcíssima e tem um paladar bem típico, uma maravilha!

Para quem não conhece sobre espumantes e está achando tudo complicado, sugiro chamar as amigas e experimentar um pouco de espumante brut, limpar o paladar, experimentar um pouco de espumante demi-sec, limpar o paladar e por fim um pouco de moscatel. Impossível não ver a diferença entre os espumantes. Ainda, se não quiser comprar, é só torcer para ganhar o kit Freixenet que o Pequeno guia prático para mães sem prática está sorteando.

E para quem não sabe, a informação mais importante dessa aula: o Brasil produz espumantes excelentes! A maioria das vinícolas ficam no RS, no Vale dos Vinhedos ou na Rota dos Espumantes. E por que estão localizadas lá? Por causa do terroir, que é a junção do solo com o micro-clima de determinada região.

Tenho dois posts pensados sobre o Vale dos Vinhedos, acho o melhor passeio para se fazer no RS (me desculpem Canela e Gramado) por causa das diversas vinícolas concentradas na mesma região com estrutura e preparo para atender visitantes. O Vale dos Espumantes também está concentrado, mas as empresas não estão tão preparadas para atender os turistas.

Sobre harmonização? Não vou falar. Como se diz por aí, harmonização é a arte de combinar a bebida com a comida, e eu tenho muito medo de certas regrinhas. Dizer que só se pode fazer uma refeição com brut, sobremesa com doux é igual a dizer que vinho tinto só combina com carne vermelha e vinho branco com peixe. É generalizar. Acho que a gente combina o que gosta, e cada um tem o seu gosto. Eu e meu marido cometemos o sacrilégio de ter apenas um espumante no nosso casamento, demi-sec, da entrada à sobremesa, então não sou a melhor pessoa para sugerir como harmonizar um espumante. Diversos blogs sobre vinhos estão reunidos no Enoblogs e trazem essa informação. Eu também só vou dizer bem rapidinho que é errado 'estourar' a bebida, para não perder as bolhas quando a rolha sair, porque essa é uma parte da graça do espumante, não é?

* Como é a região de Champagne, dizemos que tomamos uma champanhe, não um champanhe.

* * O espumante da foto é o Chandon Passion, docinho, rosinha e, claro, fabricado na serra gaúcha, uma maravilha!

1 de dezembro de 2010

a mais linda propaganda de Natal


E como já estamos em dezembro, compartilho com todos a mais linda propaganda de Natal que conheço, feita por uma rede de supermercados gaúcha em 2005. A primeira vez que vi esse comercial foi no dia em que a minha irmã me contou que estava grávida. Fez tanto sucesso que foi reprisado em 2006, quando ela e minha sobrinha já tinham se mudado para a Espanha. Cada vez que era exibido, eu chorava copiosamente na frente da TV e era preciso que alguém mudasse de canal para eu parar de chorar. Hoje é aniversário desta que se diz minha correspondente internacional (humpf!) e eu não consigo pensar em outro post.

Feliz cumpleaños!