31 de março de 2011

Maternidade Real - Blogagem Coletiva


Já que todo mundo topou (oba!) faremos a blogagem coletiva sobre Maternidade Real. A idéia é falar um pouco de como a experiência é diferente da teoria, de como a vida real é diferente da idealizada. E que não há nenhum problema nisso!

Para participar da blogagem coletiva é muito fácil:

- escreva um post sobre o assunto no dia 08 de abril, na próxima sexta-feira;

- pegue o selinho que está neste post (by Anne, of course);

- e, se você quiser, deixe um comentário no meu post da blogagem avisando que você também postou para que eu coloque seu blog na lista de participantes.

então por quê?


De tempos em tempos recebo comentários ou emails que mexem comigo porque (apesar de não ser de nenhuma forma meu objetivo quando escrevo) percebo que faço a diferença na vida de outras pessoas. Há algum tempo atrás recebi um mail agradecendo o fato de eu falar sobre maternidade e carreira de uma forma natural e possível e frequentemente pessoas comentam 'que bom que eu não sou a única' ou 'obrigada por ser normal e mostrar que eu também sou normal'.

Foi assim no post de ontem no qual eu brinquei sobre o fracasso de não ter parido de forma natural, amamentado exclusivamente até o sexto mês, ter comprado DVDs para eles, dar papinha Nestlé e cogitar usar a mochila anti-desaparecimento de crianças. Claro que muitas mães se identificaram e comentaram que fazem o mesmo. Também foi assim no dia que escrevi que eu não era a mãe do comercial de margarina (aqui) e quando eu disse que não era parecida com a Virgem Maria (aqui), por exemplo. 

Então me pego a pensar: se o que eu sinto é o que muita gente sente, por que as pessoas comentam e agradecem por eu livrá-las da culpa de não serem perfeitas? Se no final das contas todo mundo faz o que xiitas condenam, por que não falamos sobre isso, baixamos a nossa expectativa de perfeição para um nível de realidade e somos todas mais felizes?

Então me veio a idéia: por que não fazer uma blogagem coletiva sobre a maternidade real? Que tal? Será que alguém topa? Será que Anne Super Duper faz selinho? Será? Será? Será?

30 de março de 2011

estaria eu fadada ao fracasso?


Então me pego fazendo tudo o que é condenável. Tive meus filhos de cesariana, não amamentei exclusivamente até o sexto mês de vida, comprei o DVD dos Backyardigans* e, sim, eventualmente dou papinha Nestlé para eles.

Até na it-polêmica me posiciono contra o 'politicamente correto': usaria sim a mochilinha anti-desaparecimento (como diz a Lisa Barroso). Não sei o que eu pensaria se tivesse apenas um filho, mas com dois, acho uma ótima solução para lugares cheios como aeroportos. Não vejo necessidade se houver mais de um adulto acompanhando, mas sozinha com a dupla, com as malas e com um check-in a ser feito, acho ótimo.

É meio absurda a comparação que se faz com cachorros quando se fala disso. Não é porque a criança está 'emochilada' que está sendo mal tratada ou tendo sua possibilidade de descoberta do mundo diminuída. Há situações para uso desse recurso, isso deve ficar claro. Muito mais limitante para uma criança é ficar sem mochila, enbonecada de roupa Ralph Lauren, sendo perseguido por todos os lugares pela babá. Isso sim.

*Aquele episódio do Samurai das Tortas não é o máximo?

29 de março de 2011

frase do dia


A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.

Peter Drucker, o dinossauro.

28 de março de 2011

mãe é tudo igual. será?


Tenho uma amiga que odiou a gravidez. Sofreu com enjôos e se achou muito esquisita no novo corpo. Eu amei ficar grávida, mesmo com o peso da barriga, a dor nas costas e a azia (salve mylanta plus!). De verdade, eu poderia passar o resto dos meus dias férteis barriguda. Mas não gostei de ser mãe de recém-nascido. Passo. Ela amou, diz que poderia ter milhares de bebezinhos se não precisasse passar por uma gestação antes.

Da mesma forma, acho que existem mães que adoram quando os filhos são adolescentes, enquanto outras lamentam que tenham crescido. Mães que gostam de brincar e praticar esportes enquanto outras são mais voltadas à organização da vida dos rebentos. Mães que geraram, mães que adotaram, duas mães. E é tudo é igual? Isso não é simplificar demais?

Mãe que trabalha fora. Mãe que trabalha (muito) dentro. Mãe que não trabalha e tem tempo para depilação-unha-escova toda semana. Uma questão de perfil e de possibilidade. Simplificar é reduzir todas as complexidades do ser humano que se torna mãe e eternamente compará-lo a um ideal inatingível. É dizer que depois que nossos filhos nascem morrem nossas individualidades e nos tornamos mais uma. 

25 de março de 2011

a gente desconfia que tá viajando demais

... quando conhece outro viajante em um aeroporto qualquer e conversa exaustivamente sobre os aspectos negativos e positivos de boa parte dos aeroportos brasileiros

... quando não só sabe que existe aeroporto em Araguaína como o conhece

... quando desenvolve amizade com o rapaz do ponto de táxi de Congonhas e é carinhosamente apelidada por ele de Gaúcha

... quando começa a se referir a cidades por códigos como SDU, VIX e SSA

... quando olha para qualquer tripulação e tem a impressão que já viu a maioria daquelas pessoas

... quando leva de casa uma leitura para o vôo pois as revistas de bordo já foram lidas e relidas

... quando adquire a impressionante capacidade de de fazer malas compactas com rapidez e eficiência

... quando adota exatamente os mesmos critérios que o personagem do George Clooney em Amor sem Escalas para passar no raio-x.




PS: para quem não assistiu Amor sem Escalas, recomendo demais o filme. É ótimo!

Obviamente que esse post foi escrito em um aeroporto.

23 de março de 2011

maternidade e carreira: eu concilio!


Esse post vem sendo escrito a muito tempo. Vou, volto, vou, volto, mas nunca tenho coragem (sim, é essa a palavra) para postar. Acho que não é muito esperado que uma mãe afirme que consegue conciliar carreira e maternidade sem tanta culpa ou sofrimento. Mãe não tem que sofrer?

Pois bem. De vez em quando dou minhas choradinhas, sinto saudades, me questiono, mas, do melhor jeito que eu consigo, concilio sim carreira e maternidade. Até que me saio direitinho. E sabe do que mais? Acho que tem mais um monte de mãe por ai que consegue e fica encolhidinha e também tem medo de assumir que yes, we can.

Claro que cada caso é único, mas eu consigo seguir trabalhando (e viajando) em função de três fatores. O primeiro, e mais importante, é o apoio que tenho do Rodrigo, meu marido e pai da dupla. Além de ser um super pai que faz tudo (fraldas, banho, comida, nina, acorda de madrugada) e é super paciente, me incentiva a continuar trabalhando e desenvolver minha carreira. O que ele respondeu quando eu perguntei o que achava sobre eu passar uma semana fora para trabalhar no meu primeiro projeto internacional? Óbvio que tu vai, não tem porque perder essa oportunidade. Ele não só ajuda (e assume) os meninos, como me estimula. Imprescindível.

Minha empresa também ajuda. E muito. Tenho a felicidade de trabalhar com pessoas ótimas que entendem que antes de tudo sou um ser humano com sentimentos. Claro que antes de ser mãe trabalhei muito, tenho um histórico e quando eu falo que alguma coisa é difícil eles sabem que é realmente difícil. Em função de tudo o que já fiz estabelecemos uma relação de confiança e de troca. Posso falar sobre minhas dificuldades e problemas que eles entendem.

Montei uma estrutura de apoio. Não tenho dinheiro sobrando, mas tenho uma empregada diarimente e uma babá que dorme com os meninos durante a semana. Penso como um investimento e como a única forma de continuar viajando. A empregada auxilia com os meninos pela manhã e a babá de noite, para que Rodrigo possa descansar. Conto também com a minha mãe, que eventualmente vem de Porto Alegre para alguma emergência (para isso que juntamos milhas, correto?).

Eu consegui me organizar desse jeito. E vocês?

Mega obrigada para a Carol P que é uma mãe super bem resolvida e sem culpa e que me encorajou a publicar esse texto!

22 de março de 2011

por que a gente se atrasa


Rodrigo tentando amarrar os tênis, para saírmos.

21 de março de 2011

sorteio produtos MAM

Semana passada fui num evento promovido pela MAM e ganhei produtos super legais para grávidas e mamães de bebês pequenos para sortear. Os produtos são um esterilizador a vapor para micro-ondas (1), uma mamadeira anti-cólica (2), protetores de seios para aleitamento materno (3) e um mordedor (4). Haverá apenas uma ganhadora (ou ganhador) que levará o kit com todos os produtos, combinado?

Concorrer é muito simples! Basta:
- seguir este blog;
- ter um endereço de entrega no Brasil, e;
- deixar seu nome e email neste post.

Mas preste atenção: eu sortearei o produto, mas o frete (através de SEDEX) será pago pela sorteada (ou sorteado).

As inscrições poderão ser feitas até 31/03 e o sorteio será feito por mim no dia 01/04 via http://www.random.org/.

Boa sorte!!!

17 de março de 2011

Manual de Etiqueta para Bebês - parte II


Hoje eu não tenho uma convidada especial, mas várias.

Como assim?

Há tempos que eu queria fazer um post com idéias de várias pessoas que lêem o blog. Aproveitei as ótimas idéias que surgiram para o Manual de Etiqueta para Bebês e fiz um post coletivo. Muito obrigada Renata, Ana, Naiara, Renata CM, Juliana Ramos, Anne, Julia Usui, Camila, Mix Martins e Nat. Esperam que curtam a brincadeira e que gostem de ser as minhas convidadas especiais hoje!

* * * * *

Outras dicas de etiqueta para bebês:

7. Sempre evite comportamentos imaturos e infantis. Falar chorando, resmungando ou miando é extremamente deselegante. Jogar objetos ao chão é indelicado, principalmente se for pelo simples prazer de ver sua mãe recolhendo 6784 vezes a mesma coisa.

8. Cuidado com o que você leva à boca: não coma terra (apesar de ter aspecto de chocolate não tem uma boa digestão) e não mastigue controles remotos (em hipótese alguma esses servem como mordedores).

9. Cuidado com o que sai da sua boca. Hora de comer é apenas para comer. Não brinque de fazer "plrlrlr" com a boca quando a mesma estiver cheia.

10. Não chore, grite ou esperneie em lugares públicos. Isso causa constrangimento para seus pais e cuidadores. Lembre-se que se você quiser alguma coisa no supermercado o correto é falar com a mamãe ou com o papai e não se jogar no chão.

11. Não mexa no celular da mamãe ou do papai. Existem coisas para crianças e outras para adultos, e esta é uma delas. Usando inadequadamente o telefone na madrugada, por exemplo, você pode acabar ligando pro jardineiro, que ligará de volta desesperado, querendo saber quem o acordou.

12. Comportamentos como arrotar na cara dos outros ou fazer xixi durante a troca de fraldas são terminantemente proibidos. Nem mamãe nem papai acham isso engraçado. Controle-se.

13. Sorria de volta para estranhos que dão risada, fazem caretas, falam como bobos e conversam com você. Isso determina como você será visto nas diversas rodas sociais às quais você e sua família pertencem.

A primeira parte deste Manual você encontra aqui.

cartinha pro CEO


Minha empresa tem uma comissão de funcionários que anualmente se reúne com o CEO em algum lugar muito chique na Europa para transmitir as opiniões e sugestões da tigrada com relação à estratégia e organização da companhia. Muitas das idéias são realmente implementadas, então esse ano participei enviando meus comentários e sugestões. Minha cartinha para o CEO ficou assim:

"Caros,
Em primeiro lugar, muito obrigada pela oportunidade de poder fazer sugestões e comentários sobre a empresa. Acredito que esse espaço de troca é fundamental para alcançarmos os objetivos que pretendemos.
Como representante do sexo feminino de um país em desenvolvimento (Brasil), acho importante escrever sobre tópicos específicos de gênero.
Sinto falta da empresa possuir um programa específico para mulheres, especialmente no nosso país. Há alguns anos fui convidada a participar de um programa de coaching para lideranças femininas mas fui desconvidada quando constataram que eu estava baseada na América do Sul. Gostaria que esse programa fosse ampliado para que sulamericanas também participassem e tivessem oportunidades iguais a mulheres de outras nacionalidades para se desenvolverem e alcançarem cargos de liderança na empresa.
Penso que a empresa também poderia estabelecer políticas específicas para mulheres que são mães de crianças pequenas, pois sabemos que há demandas diferentes entre mulheres mães e 'não-mães'. Como a empresa se preocupa e cuida tão bem de seus funcionários, penso que deveriam existir políticas e facilidades para as mulheres conciliarem trabalho e maternidade. Felizmente conto com o apoio de meus líderes, mas não sei como é a realidade de outras mães.
Não conheço a realidade de outros países em relação a auxílio creche, mas no Brasil a empresa cumpre a legislação apenas, ou seja, dá R$180 por criança para auxiliar na creche, enquanto que uma escolinha em um centro urbano custa, pelo menos, 4 vezes mais.
Acredito que esses pontos de melhoria sejam importantes para a empresa conseguir manter um perfil de diversidade entre seus funcionários".

Vamos ver no que dá!

16 de março de 2011

Manual de Etiqueta para Bebês

um clássico

Agora que os meninos estão crescendo, além de mimados, cuidados e amados precisam ser educados. Para facilitar a compreensão do que pode e do que não pode, estou elaborando um pequeno manual de etiqueta para eles.

1. Não puxe brincos e colares de outras pessoas, pois pode machucar. Pelo mesmo motivo, não brinque com os cabelos das mulheres que carinhosamente pegarem você no colo.

2. Auxilie a mamãe e o papai na troca de fraldas: fique parado de barriga para cima. Não role, engatinhe ou se rebele, principalmente se você estiver sujo. A regra número um para um bebê ser chique é estar limpo.

3. É extremamente deselegante e anti-social adotar comportamentos como mordidas. Dói e deixa marcas nos outros. Fortemente contra-indicado.

4. Trate os outros como gostaria de ser tratado. Se você espera tirar boas sonecas sem ser incomodado, respeite as noites de sono da mamãe e do papai. Acordar, só se for para mamar, no máximo uma vez por noite e até o 3º mês de vida.

5. O pãozinho se parte com as mãos apenas após aprender a comer direitinho. Não brinque de esfarelar alimentos ou de fazer chuvinha com o líquido que está  na mamadeira. 

6. Não mexa em armários, gavetas e portas em geral. Você tem brinquedos adequados a sua idade. Brinque com eles.

Alguém tem mais dicas?

15 de março de 2011

sugestão de serviço para maternidades


quando os meninos nasceram fiquei um pouquinho paranóica.

só deixava eles ficarem no berçário quando fosse extremamente necessário, fazia o Rodrigo ir de tempos em tempos lá para verem se estavam chorando ou quietos e até persegui uma enfermeira para ver se estava levando a dupla para o berçário mesmo (podia estar sequestrando, ora).

agora que fizeram um aninho, penso que seria bom se a maternidade disponibilizasse essas horas que eu não usei para que eu possa dormir.

não seria o máximo? 


10 de março de 2011

Gangue dos Adesivos da Família

A Camila fez um post super legal hoje, alertando para que não se utilize aqueles adesivos que retratam famílias por razões de segurança. Famílias com crianças são alvos visados por bandidos. Muito sério e importante o post, utilidade pública mesmo.

* * * * *

Pois bem que estou num mau humor do cão e quando li o post me lembrei de um vídeo que me mandaram esses dias. Preconceituoso e de mau gosto, mostra uma gangue colando Ricardões, filhos ilegítimos e casais gays nos carros dos outros. Não me orgulho disso, mas achei bem engraçado. #euri


9 de março de 2011

desculpa, mas hoje não vai ter post.

porque eu tenho um relatório pra terminar;

porque eu tenho que comprar velas e lembrancinhas para o aniversário deles no sábado;

porque eu tenho que recortar cataventos;

porque eu tenho que fazer malas para a viagem de sexta;

porque eu tenho que lançar milhares de despesas e pedir reembolso pro plano de saúde (o dinheiro acabou);

porque eu tenho que rezar para que a febre do Leonardo seja só uma febre e que ele não tenha pego estomatite do irmão.

* * * * *

alguém tem algumas horas para doar?

4 de março de 2011

Ativa, Ativada, Ativista

Hoje a convidada é a minha querida amiga Fê. Uma guria fora de série, que largou a vida fácil e confortável para lutar por mundo melhor. Psicóloga do trauma, já trabalhou no Sri Lanka com Nonviolent Peaceforce protegendo os civis afetados pelo conflito daquele país, na República Democratica do Congo com The Center for Victims of Torture supervisionando e treinando conselheiros psicossociais locais e atualmente está na Palestina (West Bank) com Médicos Sem Fronteiras atuando como psicóloga do trauma.

Sri Lanka

Congo 

Palestina

PS: quem estiver em São Paulo entre os dias 04 e 30 de março pode conhecer um pouquinho mais do Médicos sem Fronteiras através da exposição "Experiências de vida – Olhares sobre a atuação de Médicos Sem Fronteiras", no Shopping West Plaza, na praça de eventos, térreo, bloco B. A exposição trará fotos, depoimentos, vídeos e mapas interativos mostram como vivem e trabalham os brasileiros de Médicos Sem Fronteiras (MSF), e no dia 18 de março às 19 horas, haverá um bate-papo com a psicóloga paulista Elaine Teixeira, que teve experiências em Moçambique e Suazilândia.

* * * * *

Por Fernanda Menna Barreto Krum


Primeiro de tudo: Obrigada Carol pela oportunidade! Uma das primeiras coisas que fiz quando comecei o meu trabalho fora do Brasil foi montar um Blog. Adivinhem? A ONG vetou e disse que qualquer publicação deveria passar primeiro pelo crivo deles. Imagina, escrever em inglês e depois em português e depois ainda organizar o que dá e o que não dá pra publicar. Desisti!!!!

Mas não desisti de seguir registrando e compartilhando tudo durante esses quase quatro anos de testemunho, aprendizado e vivência. Tentei manter uma lista de emails nos quais dividi um pouco algumas experiências. Tenho publicado alguns recursos no facebook (documentários e notícias - ainda bem que a gente encontra serventia pra isso) e fotos no meu álbum pessoal para que, além de palavras, as pessoas tenham uma visão física de onde os dramas teatrais acontecessem. Por fim, para que nada se perca, tenho mantido um diário pessoal que, se o Universo entender ser o melhor caminho, se tornará um livro no futuro.

Hoje, mais um capitulo será escrito, graças a essa grande amiga Carol e sua ativa atividade de ativista blogiana, mãe, psicóloga, cidadã. Admiro tua forma de viver, pois como disse uma vez a uma amiga que referiu admirar minhas escolhas “desapegadas” de vida e trabalho: EU que te admiro, porque não sei como consegues gerenciar dois filhos pequenos, casa, estudos, trabalho e marido ao mesmo tempo sempre com um sorriso nos lábios e um coração em paz; eu, neste momento, não conseguiria!

Desapego na verdade pra mim é poder estar em paz com as escolhas que fazes e não sempre querendo algo diferente ou sentindo que algo falta. Estar plena e certa de que este é o caminho, até que ele se mostre diferente e rume em outra direção, que será somente a continuação do caminho anterior.

Acho que já filosofei demais, o que não era o principal objetivo dessa participação especial. Vamos ao que interessa então. Ou não! :)

Trabalhar e estar presente de corpo e alma em regiões onde conflitos armados entre seres humanos são o prato principal todos os dias realmente não é algo fácil. Não é pra qualquer um, mas isso não nos torna mais ou menos. Somente mostra que existem pessoas que se adaptam mais e amam mais algumas coisas do que outras coisas, mesmo que para alguns esse amor seja “um pouco estranho” (pra não dizer muito). E está tudo bem.

Este é um outro elemento muito importante quando se necessita estar frente a frente com membros do exército ou grupos armados ou radicais que já mataram ou feriram muita gente: o não-julgamento. Aprendi que não é só na sessão de psicoterapia que devo me colocar neutra (mesmo que a pessoa seja um ex-combatente que já matou mais de 50). Já estive em reuniões e em escritórios lidando com gente muito má, rude e dissimulada, tentando negociar, mediar ou solicitar um serviço (vistos, normalmente). Minha posição e reação deve ser sempre não-partidária, sem reações extremas ou opiniões definidas sobre certo ou errado. Não é todo mundo que consegue, já vi colegas perderem o prumo com funcionários do governo pedindo propina para autorizar que o nosso trabalho continuasse em operação. Sei que essa cena parece comum aos olhos de nós brasileiros, mas o grande problema neste caso é que um pequeno gesto de nossa parte faz com que uma ONG inteira seja simplesmente mandada embora do país enquanto milhares de pessoas ficam no inferno sem água para beber.

O que estou tentando dizer é que muitas vezes você se pega jogando o jogo deles, por mais sujo que seja, para que possa fazer melhor e tentar reparar um pouco do dano que causam. O sistema é terrível, a pressão que eles exercem é justamente para que reajamos de forma “desapropriada”, fornecendo a perfeita justificativa para que nos mantenham longe.

Duas semanas atrás fui ao ministério em Israel pedir meu visto de trabalho e foi exatamente isso que vivenciei. Uma mulher mais do que estúpida, tentando me tirar do sério para que então meu visto fosse negado. Ao pedir que eu escrevesse uma declaração que trabalho em Jerusalém e não nos Territórios Ocupados da Palestina (mentira, claro) foi capaz de dizer: “Tu precisas perguntar a alguém como faz, ou tu sabes mesmo escrever? Escreve logo que eu estou aqui esperando”. Meu coração bateu forte mas mantive meu rosto neutro e fiz o que foi solicitado. Menti para que pudesse manter meu trabalho como psicóloga do trauma na Palestina, óbvio! Sai de lá triste e com um desgosto dentro de mim, de testemunhar a que nível chegam as relações humanas como forma de manipulação e poder.

Discutindo o caso com meu companheiro, percebo que não deixei ela me atingir no sentido de me desestabilizar, mas sim, sou grata de ainda me surpreender e me entristecer com práticas como essa. Acho que essa é a pedra filosofal do Ativismo. Deixar-se tocar pelo injusto, mas não se deixando matar por ele. Sendo inteligente o suficiente para se manter vivo para, então, transformar a injustiça em arma de paz e de cura.

Afinal de contas, é isso que importa no final, manter-se ativo, ativado, ativista, da forma que puder pra que algo melhor floresça!

3 de março de 2011

A mãe ET


Então que tenho me sentido uma ET.

Essa semana, junto com a dupla, recebi na porta da escola dois kits com mochila, DVD e caderno de atividades para comprarmos de uma apresentação que os meninos viram na escola. Sei que essa é uma prática comum, mas achei absurdo e mandei uma cartinha para a diretora. Sou contra ficar comprando só por comprar e não gostei que a escola está incentivando isso. Acho ótimo que eles tenham experiências e assistam espetáculos desde pequeninhos, mas vincular o consumo a isso é muito errado. Há uma grande diferença entre vivenciar, ser e ter. Se os artistas devem ser remunerados, porque não cobrar uma taxa de cada aluno ao invés de empurrar produtos? É inclusive mais justo com os profissionais.

Sexta vai ter uma festinha de carnaval na escola e eles vão participar. Só que eu acho um absurdo gastar uma grana em uma fantasia para eles usarem apenas uma vez, e correndo o risco de não ficarem nem 5 minutos vestidos. É impossível fantasiar um bebê, concordam? Como eu vou por chapéu, gravata e capa em duas crianças que arrancam tudo e que gostam mesmo é de usar camiseta e shorts de algodão, e ficar de pés descalços? Me explica? Decidi que não vai ter fantasia nenhuma e que quando eu chegar em casa vou 'enjambrar' alguma coisa (que deve ser só os bodys de Super Baby).

Decidi que não quero que recebam presentes na festa de 1 aninho. Eles possuem quantidades exageradas de roupas, usam uniforme na escola (que custou uma fortuna) e têm tantos brinquedos que alguns estão fechados. Vou pedir fraldas, por que isso sim nunca é demais. Não quero que ganhem coisas que não vão usar, não vejo nenhum sentido nisso. A festa vai ser em POA, mas se fosse em SP uma das alternativas seria a sugestão da Anne de pedir cupons para locação de brinquedos (simplesmente brilhante!).

E ai, mais alguma ET? Ou eu devo me recolher e voltar à nave-mãe?

2 de março de 2011

para quem me acha uma mãe dedicada e/ou uma profissional de sucesso, vai a bomba:

estou lendo a biografia do Rick Martin e adorando!

a gente não pode se levar tão a sério.

 (ainda que olhe para os dois lados antes de abrir o livro em locais públicos)

1 de março de 2011

Dá licença, eu sou pai!

Muito legal a campanha da Rede de Homens pela Equidade de Gênero, a favor da maior participação dos pais no cuidado com os filhos. Com o objetivo de estimular a participação deles nos primeiros dias de nascimento do filho, solicita a ampliação da licença-paternidade para 1 mês.

Super apoiada!