30 de novembro de 2010

minha resposta é não


Então que estou prestes a dizer o primeiro não para a empresa desde que os meninos nasceram. Vai haver um projetinho de 2 semanas em Angola e, pela minha formação, sou a pessoa mais indicada a atender o cliente. A agenda é a seguinte: sai no sábado, chega no domingo (escala em Lisboa), trabalha de segunda a sexta, folga sábado e domingo, trabalha de segunda a sexta, volta no sábado.

Se eu não fosse mãe, já teria mandado um email pro chefe para confirmar minha total disponibilidade e interesse no projeto, já teria opções de pacote de sáfaris na África do Sul para o final de semana e já estaria pedindo alguns dias livres para dar uma esticadinha de uns dois dias em qualquer lugar da Europa na escala do vôo. Quando o Rodrigo chegasse em casa, seria comunicado da viagem.

Mas não vai ser assim. Não tenho mais a menor vontade de fazer isso sozinha e, muito menos, de ficar longe deles por tanto tempo. Mesmo não tendo parado de trabalhar, acabo de me dar conta que minhas prioridades mudaram. Absurdamente. O único leão que quero ver é o que mora no meio da minha sala:

29 de novembro de 2010

revolta feminista


Li em algum lugar que no Brasil é impossível não ser feminista*. Concordei muito: com a vulgarização e banalização do corpo (e da mente) da mulher, é impossível não se revoltar com coisas que vemos diarimente.

Como tuitei hoje, não entendo porque na seção 'Feminino' de livrarias só encontramos a Nova, a Vogue, a Marie Clare e a Cláudia. Revistas como Exame, The Economist e mesmo a Veja estão na 'Masculino', como se todas as mulheres estivessem interessadas em ler como prender um homem na cama com técnicas inovadoras do pompoarismo, emagrecer 20kgs em 1 semana e saber como a Giovanna Antonelli consegue tempo para correr 1 mês depois de ter tido gêmeos (aqui).

Uma pena que pensem que somos inseguras a ponto de achar que é só magra e com técnicas sexuais avançadas que se pode ter uma relação saudável com um indivíduo do sexo oposto (ou do mesmo, para quem preferir). E o pior é que quando se tenta fazer uma revista de finanças voltada para o público feminino (por que a separação?) a reportagem de capa é Como agarrar um milionário: conheça esta e outras rotas para enriquecer (aqui).

Também, nem nós mesmas nos ajudamos. Ou, o que era o bolo de aniversário da Valesca Popozuda? Aqui. Aposto que a piadinha que rolava na festa era que todo mundo estava comendo a bunda dela. Neste contexto, dá pra imaginar ela cantando que só um tapinha não dói, não é?

Mas o real motivo deste post é o novo clube de descontos que descobri, exclusivo para adultos. Funciona nos moldes de todos os outros clubes: o anunciante dá um super desconto em seu produto para vender muitos cupons e todo o negócio valer a pena. Só que esse produto não é tratamento capilar, jantar em um japonês ou diária de hotel, é um programa com uma prostituta! Assim: as meninas dão um desconto significativo no programa, anunciam no site e vendem milhares de cupons. Pra quem não acredita, o nome do agenciador é Peixereca e o site está aqui. Longe de mim ser uma pessoa puritana ou moralista, mas fomos longe demais. Colocar o corpo a venda dessa forma é chocante. Vejam as quantidades de cupons vendidos por cada menina aqui. Isso é normal?

* Se você sabe onde li isso, me indique para que eu possa dar os devidos créditos.

26 de novembro de 2010

uma vida em comum

Hoje a convidada é a Anne, do Super Duper. Mãe do fofíssimo Joaquim é blogueira divertida e tuiteira impossível! Olha o que ela disse: "Escrevo sem censura. Eu sou minha própria editora, e ela me adora!". Sacou?

Anne e o marido em mil novecentos e guaraná de rolha

* * * * *

Por Anne Rammi

Recebi um convite mais do que especial: divagar em blog alheio! E que honra, sou leitora assídua e fã da Carol. Os temas são tão ricos, que me bateu uma insegurança sobre o que escrever. Durou 7 segundos: Vinhos, não sei nada. Viagens, são muitas. Dois bebês, ainda não... mas a vida em comum, nessa eu sou especialista.

Conheço meu marido desde 1991. Namoro com ele desde 1994. Moramos juntos desde 2006. Somos casados desde 2008 e pais do Joaquim desde 2010. Para quem gosta dos números, eu nasci em 1979.

Uma longa vida em comum rende bons causos, e esse é um dos mais tragicômicos, com direito a aparição em rede nacional, vozes do além e insônia. Dos tempos em que a noite era uma criança, que dormia.

***

Em algum tempo entre o namoro e o morar junto uma repórter soube de nossa história pouco comum. Casal jovem, apaixonado, com muitos anos de relacionamento e querendo mais. Ela entrou em contato conosco e perguntou se poderíamos dar uma entrevista. Eu achei o máximo, afinal que maravilha dividir uma experiência tão bacana com os outros. Na época não existiam blogs.

No dia marcado, apareceu a fulana com equipe, pó compacto, luzes câmeras e ação e ficou uma hora conversado com a gente. Qual o segredo de uma união tão longa: Paciência, amor, dedicação. O que vocês representam um para o outro: Amizade, cumplicidade. Qual a maior característica do namoro de vocês: Diversão, palhaçada. O que vocês pensam para o futuro: Casamento, filhos. E assim a conversa foi. A moça era simpática e nos fez dar muita risada num papo descontraído.

Anotamos o dia em que a matéria iria ao ar e ficamos na frente da TV. Sabe pobre quando vai aparecer na TV? Então, eu divulguei, né? Contei para todo mundo, pai, mãe, sogros, vizinhos, os amigos da faculdade, da escola, da rua, que nos conheceram crianças no início do namoro. Mó fuá. Todo mundo sabia.

A matéria começou num tom estranho: Relacionamentos muito longos têm final feliz? E mostrou um casal recém casado, num apartamento recém comprado reclamando das dificuldades que enfrentavam no casamento depois de terem namorado muitos anos.

Corte seco, aparece minha carona de trouxa e a voz em off da repórter:

- A artista plástica Anne já está cansada de esperar pelo casamento com o publicitário Pedro, com quem namora há 10 anos”.

-“ Paciência”. – dizia eu.

Corte seco aparecia a carona do Pedro rindo em câmera lenta como se ele fosse o maior salafrário da parórquia. A matéria se desenvolvia mostrando o casal deprimido pós-casamento, Pedro-salafrário e eu cansada de esperar os diamantes, o buquê e o lar doce lar. A voz em off voltava:

- “Sabe o que o Pedro sente mais falta?”

- “Liberdade”. – Saído da boca dele mesmo.

Voltava para o casal que estava se degringolando na crise pós nupcial. E então eu com a minha mão na cabeça, e um ar desolado que sei lá eu como o câmera conseguiu captar aquela cena e a repórter finaliza:

- “Mas o que os amigos e a família acham desse relacionamento tão longo?”

-“ Palhaçada!”

Eu nem lembro da conclusão da matéria pois estava reparando no meu pai levantando do sofá e batendo as duas mãos nos joelhos com ar desolado. “Tsc... é.” Foi o único comentário.

O que fizera aquela louca com minha história de amor? Eu havia concordado em espalhar o amor, em defender os relacionamentos longos, em pregar em prol da paciência, da cumplicidade da dádiva de encontrar sua cara metade e não de atestar em rede nacional que meu futuro casamento que nem estava nos planos já estava fadado ao insucesso.

Well, passei algumas semanas explicando prásamiga que estava tudo bem, que a matéria havia sido equivocada que não era nada daquilo e a vida seguiu.

Mais de um ano depois recebi uma ligação às 2h da manhã da minha irmã. Ela acabara de receber uma ligação de uma amiga insone que assistia TV na madrugada.

- Liga a TV, liga a TV põe no 7!

- Tá louca? – quando a gente não é mãe não existe a menor possibilidade de se achar normal acordar às 2h e ligar a TV.

- Liga, liga, você vai ver!

A cena:

Um pastor pregando. A imagem de um casal em câmera lenta no fundo e uma legenda: “Infidelidade no casamento tem cura?”

Adivinha quem era o casal? Nós mesmos! Adivinha que programa era esse? Fala que eu te escuto!

E as ligações de mulheres histéricas e traídas e homens convertidos, mas outrora traidores com histórias horripilantes não paravam. E o pastor não parava de dar dicas e fazer conclusões dentro da linha dogmática daquela religião sobre a presença de forças do mal nos relacionamentos permeados pela traição. Tudo devidamente ilustrado por minha própria imagem de pessoa digna, trabalhadeira e super legal que sou e meu doce, fiel e amado namorado ao meu lado gargalhando irônicamente. Over and over and over.

Passamos a noite lá no fundo de tela do pastor servindo de ilustração para uma pregação televisiva. Até que cedemos lugar para alguma imagem de cemitério e um outro questionamento “Vozes do além, verdade ou mentira?”.

***

Hoje estou me vingando, posso usar até o blog da amiga para fazer minha tão esperada defesa da vida em comum. Não somos românticos inveterados. Não nos amamos todo dia. Não temos uma vida perfeita. E nem esperamos nada disso. São 16 anos de relacionamento entre muitos altos e alguns baixos, na base da cumplicidade. Se existe algum segredo é paciência, amor e bom humor. Mas acho que relacionamentos, assim como filhos, são únicos e não têm receita. Cadum cadum!

Por falar em filhos, o momento em que dois viram três é sim mágico. Fora os arranca-rabos por quem vai esvaziar o lixo de fraldas, os siricoticos da mãe na madrugada e o pai fingindo que lavou direito a chupeta, a vida em comum depois da maternidade e paternidade é uma delícia. E que venham novas histórias para dividir e dar risada!

25 de novembro de 2010

é requentado mas ainda tá bom!


As vezes fico com dó dos meus posts antigos, lá no fundo do arquivo, esquecidos... Decidi então que de tempos em tempos vou requentar alguns num post especial como esse. Espero que gostem!

Vinhos
Lote 43
Concha y Toro

Viagens
Paraty
Tarragona
Carajás
Hotéis no Rio de Janeiro

Uma vida comum
Restaurantes Astrid y Gastón e Patagônia (Santiago)
Restaurante La Table O & Co. (São Paulo)

Dois bebês!
Acessibilidade para gêmeos
O saco do pediatra
Viajando com bebês

Foto daqui.

24 de novembro de 2010

maternidade e carreira


Ultimamente tenho lido bastante sobre mães que largam as carreiras para cuidar dos seus rebentos, o tal fenômeno Opt Out, denominação criada em 2003 por Lisa Belkin para descrever o grande número de mulheres altamente qualificadas que optam por sair do mercado de trabalho após o nascimento dos filhos (deu no New York Times). A justificativa é sempre a mesma: tempo para os filhos, vê-los crescer, qualidade de vida.

Particularmente, acho que isso é uma escolha, e eu fiz a minha. Não vou parar de trabalhar por causa dos meus filhos. Meu trabalho me faz muito feliz, me realiza e eu seria infeliz sendo 'apenas' mãe (com todas as aspas merecidas, OK?). Sinto necessidade de ter outros papéis.

Tenho consciência de que essa decisão é facilitada pela flexibilidade que tenho. Posso trabalhar em casa, faço minha agenda e, pasmem, meu chefe me apóia a não marcar viagens longas ou em semanas consecutivas. Os meninos não precisam ficar em escolinha das 07hs ás 19hs e se adoecem, aviso que não vou trabalhar e pronto. É mais fácil decidir diante desse cenário. Mas, e quem não tem essas opções?

Daí vem a decisão: ou tudo ou nada. Ou trabalha, ou pára. Ou se integra no movimento de mães empreendedoras que acontece no mundo inteiro, as tais Mompreneurs (deu em vários lugares, mas não vi no New York Times). Na minha opinião, essa foi uma boa saída para quem queria continuar trabalhando, mas empurrou a discussão mais importante sobre maternidade e carreira para longe: como as mulheres que trabalham continuarão trabalhando sendo mães? Como as empresas se adaptarão a essa realidade?


Há algum tempo atrás essa imagem correu o mundo. Licia Ronzulli, italiana, foi votar no Parlamento Europeu com o filho de 7 semanas no sling. Sobre o quê era a sessão? Direito das mulheres no trabalho. Claro que considerando todos os aspectos políticos, o tema da votação e que era o Parlamento Europeu, ela pôde trabalhar com o filho nos braços sem problemas. Mas se fosse eu e você a levar o filho (ou os filhos) para o local de trabalho, como a empresa reagiria? O quão longe estamos dessa realidade? E o que podemos fazer?

Foto daqui.

22 de novembro de 2010

Sim, é possível!

Só leia o post abaixo após apertar o play:


* * * * *

E o inacreditável aconteceu: os dois passaram a dormir bem.
Depois das cólicas das papinhas, da chatice dos dentes, da saudade do pai e do assombramento com a dimensão de mundo que o engatinhar proporciona, Leonardo e Rafael começaram a dormir bem melhor!
Dormem as 20hs, mamam por volta das 23hs, depois só 04hs ou 05hs! E o mais importante é que não há resmungos, choramingos e outros entre esses horários!
Sim, é possível dormir em uma casa com dois bebês!

* * * * *

E pra melhorar ainda mais o meu humor, o Rodrigo volta amanhã!

21 de novembro de 2010

tédio.


E daí que hoje é domingo e estou entediada. Marido viajando, minha mãe está cuidando da dupla e eu realmente gostaria de ler alguma coisa inteligente. Os blogs das amigas não foram atualizados. Todas têm coisas mais interessantes para fazer no final de semana, of course. Vamos lá Mr. Google, me mostre alguma coisa nova, algum site legal, me surpreenda.
Não consigo achar algum blog que fale sobre maternidade e trabalho ou maternidade e carreira. Humpf. O site que achei sobre mulher contemporânea fala sobre inseticidas eletrônicos (aquelas raquetes vendidas no centro do Rio que dão choque e que eu morro de medo). Essa é a mulher contemporânea? Que brinca de Guga com mosquitos? Tô fora.
Escrever é o que me resta.

20 de novembro de 2010

meus vícios




Sou viciada em Rafael, Leonardo e Rodrigo!

Gostou do selo? Quer ele? Passa lá na Mari e pega!

18 de novembro de 2010

mi espanol es fueda


Chefe: Carol, como está o teu espanhol? Temos um projeto em Buenos Aires e tu poderia ajudar fulano com isso.

Eu: Veja bem chefe, vou ser sincera. Meu espanhol é péssimo, mas meu portunhol é ótimo, fluente. Já fui pra Argentina, pro Chile, pro Peru, pra Espanha e nunca passei trabalho. Posso ir trabalhar em qualquer lugar que se fale espanhol sem problemas.

* * * * *

Como que uma pessoa que responde pro chefe que tem o portunhol fluente pode progredir na vida? Como, meu Deus?

17 de novembro de 2010

Mereço ou não mereço?


Então que nos próximos dias sentarei com meu chefe para conversar sobre minha carreira, sobre as metas que me propus, sobre treinamentos e desenvolvimento pessoal.

Acontece que esse ano não aperfeiçoei o inglês ou comecei a estudar espanhol. Não fiz curso, não participei de congresso, não apresentei paper, nem fui gerente de projeto importante.

Mas isso não significa que não tenha desenvolvido minhas competências. Veja bem:

- Trabalho no projeto mais importante de todos os tempo, Maternidade, com sucesso. Não sei se os clientes estão 100% satisfeitos, mas que estão risonhos, gordos e engatinhando, isso eu garanto.

- Desenvolvi minha experiência como líder de funcionários próprios (empregada e babá) e terceirizados (escolinha e pediatra).

- Todo o projeto acontece sem eu estourar o reduzido orçamento, o que é quase um milagre.

- O projeto é exaustivo do ponto de vista físico e emocional, trabalho muitas vezes no limite, e mesmo assim faço todas as atividades diárias propostas.

- Não trabalho com atrasos nas atividades fraldas, alimentação, sono e banho.

- Desenvolvi a capacidade de tomar decisões em situações de estresse: quem pegar primeiro quando os dois choram ao mesmo tempo? O que fazer se a criança já está na banheira e eu me dou conta que esqueci o sabonete?

- As relações com terceiros envolvidos (marido, família e amigos) continuam estáveis.

- Apesar de ser um pacote dois em um, consigo perceber e atender as diferentes demandas dos clientes.

- Não lanço dados no Project, mas a base proposta (agenda da escolinha) está sempre atualizada.

E ai, não mereço uma promoção?

16 de novembro de 2010

Os dois estão engatinhando!

Há vários dias Leonardo ensaiava engatinhar. Se punha de quatro, ia para frente e para trás, mas não saía do lugar. Até que no domingo desencantou. Rafael sempre preferiu ficar em pé a tentar engatinhar, eu já estava até achando que ele seria daqueles bebês que andam direto, sem engatinhar, mas foi tanta animação e gritaria com o Lelo que acho que ficou com vontade. Segunda foi o dia dele.

Fiz uns vídeos para mandar para o Rodrigo, que está viajando e perdeu de ver esse grande momento. Por favor, não liguem para minha voz de taquara rachada e meus gritinhos de pura empolgação e histeria.

Leonardo, no domingo:



Rafael, na segunda:


Lindo demais, não?

14 de novembro de 2010

Há 4 anos!

Posted by Picasa

12 de novembro de 2010

Você já tomou sua paciência hoje?

A convidada de hoje é a Mari, do Viciados em Colo. Mãe engajada da Alice e do Arthur, faz campanha pela amamentação, usa sling, trabalha e faz mestrado. E ainda, humildemente, diz que seu único super poder é produzir leite...


* * * * *

Por Mariana Sá

Quando Carol me convidou para escrever aqui me senti honrada e desafiada. Sou apaixonada por este blog e tenho especial apreço pela Carol. Queria fazer bonito, mas não achava o assunto, pensei em falar de culpa, livre demanda, etc. Mas sábado Alice me deu de presente o assunto, me irritou com um monte. Imediatamente lembrei da falta de paciência que qualquer uma de nós com seus filhinhos e me coloquei a pensar em tudo que eu já tinha feito para conseguir ter mais paciência com uma fase chatérrima: a dos porquês!

É uma fase chata porque dura muito tempo – começa lá para os três anos de forma bem interessante (por que a folha cai? por que o céu é azul?), se intensifica com quatro ou cinco de forma irritante (por que eu tenho que fazer isso? por que agora? ou simplesmente por quê?), piora na adolescência de forma aterrorizante (todos vão, por que eu não posso ir? por que tenho que estudar química? por que você não empresta o carro? por que você é tão chata? por que você me educou desta forma? por que você não morre? por que eu nasci?). Aí, lá para uns 25 anos se você tiver sorte, passa! Afinal isto também passa. Demora, mas passa!

Conto umas estratégias sobre como eu lido com a segunda etapa para vocês:

Quando Arthur tinha seis meses resolvi ir a uma sessão de cinematerna com ele e Alice, seria numa terça-feira e chamei uma amiga para ir comigo. Eu nunca tinha saído só com os dois para um lugar tão movimentado. A minha amiga furou e me vi sozinha, em cima da hora da sessão com um bebê, uma menina e uma sacola. Disse a Alice: “estamos sozinhas, você tem que me obedecer e não quero ouvir nenhum por quê, só aceito ‘tá bom, mamãe’, certo?” ela concordou e fomos ao cinema.

Pois bem, com o combinado feito, tivemos uma tarde ‘harmoniosa’: ela obedeceu a TODOS os comandos sem questionar e resolvi que enquanto ela fazia o que eu tinha ordenado, eu explicaria o por quê... Tipo: “Alice, me dê a mão.” “Tá bom, mamãe!” obedecia e eu dizia: “este corredor está muito cheio, tenho medo de te perder.” Alice, pegue a meia do seu irmão que caiu.” “Tá bom, mamãe!” eu dizia: “é que não consigo me alcançar com Arthur no sling”.

Só quem é mãe sabe o valor de ter uma ordem obedecida sem questionamentos!

Há um tempo, percebi que a quantidade de porquês antes curiosos e genuínos, agora não passava de enrolação, uma forma de ganhar tempo, de procrastinar. Aí inventei o “porque o quê?”. Tipo: “Alice, vá tomar banho!” ela perguntava: “por quê?”.

A opção normal seria começar a responder porquês em cascata - “porque você tem que ir limpa para a escola”, “por quê?”, “porque você estava brincando de picula e está suada”, “por quê?”, “porque seus coleguinhas não gostam de criança fedorenta”, “por quê?” “porque é ruim né, sentar junto de alguém azedo!”, “por quê?”, até perder a paciência e agarrá-la pelo pulso e colocar no chuveiro aos gritos: “p@##@, caceta, vá agora!” e entrar num círculo vicioso de irritação, mau humor e falta de paciência que resultará em dor e lágrimas (sim, eu falo palavrão, mas digo a ela é coisa de adulto e que criança falar é feio e ela não fala nem merda - não, não bato na minha filha! Mas experimente desembaraçar um cabelo enquanto está irritada: dói) e ficar me sentindo mal o resto da semana.

Ou opção alternativa é reperguntar: “porque o quê?” “por que eu tenho que tomar banho agora?” “porque são 12h00, já passou do horário, se você não tomar seu banho agora, vai ter que ir fedorenta para a escola. Você que ir fedorenta para a escola?” se não pudermos esperar. “ Ou vai chegar depois da primeira roda. Você quer chegar atrasada hoje?” se nós não tivermos compromisso, deixo ela chegar atrasada, porque ela odeia... se ela disser “quero!” para qualquer uma das duas opções eu soltava um “então tá!” e saía de junto. E tinha que sustentar a decisão.

Só quem é mãe sabe o valor de um “então tá” somado à capacidade de ignorar e abstrair!

Observe que a opção normal exige mais criatividade e paciência. A gente acaba respondendo a questões que não importam e como não damos a resposta que eles precisam, eles continuam o inquérito. A opção alternativa dá a eles um caminho lógico que sendo respondido não há porque continuar. É claro que eles podem soltar outro “por quê?” e neste caso soltamos outro: “por que o quê?”.

O problema da opção alternativa é que exige autoridade, decisão e capacidade de sustentar ameaças e, claro, a habilidade de pensar em ameaças possíveis de serem cumpridas por você e que estejam encadeadas com a desobediência – se não, não resolve, então não vale dizer que a mulher da trouxa vai levar, que você vai deixar de amar, ou que ela não vai a escola, ou que vai ficar sem sorvete no final de semana – tem que ser a consequência natural do comando.

Quando eles decidem desobedecer à ordem, temos que ser firmes no cumprimento da ameaça feita, temos que sustentar: um dia Alice foi de camisola para a escola. Foi chorando até chegar lá e além de aguentar este escândalo, eu tive que aguentar a cara feia do marido que achou um exagero. Pode ter sido um exagero, mas “nunca mais” ela enrolou para trocar a roupa de manhã...

Ser mãe exige paciência, e quando a gente decide criar os filhos no diálogo é preciso uma dose extra. No ano passado, a professora me chamou para contar que ela e mais três estavam fazendo complô em algumas atividades: lá tem um dia no mês que fazem cinema, fazem uma enquete e assistem ao filme que ganham (tem um aprendizado importante nisso: conceder), uma vez chegaram a ficar de costa para um filme que não queriam assistir – ficaram de costas por uns dez minutos e depois se divertiram muito.

Outro dia, as mesma fizeram um motim e desta vez acharam uma alternativa para não ver o filme – ficar com outro grupo que estava no parque pequeno, sob supervisão de outras professoras: perderam o cinema e a pipoca (que adora) porque queriam brincar de boneca na casinha.

Numa outra vez pararam as quatro na coordenação: “Mas elas são demais, foram para a coordenadora que disse ‘assim não está funcionando’, aí uma delas soltou: ‘e não vou funcionar mesmo! Não sou máquina, para funcionar’”... A coordenadora disfarçou a gargalhada que professora deu ao me contar a história: “nossa escola se baseia nisso – no questionamento de cada norma!”

Nós decidimos criar nossos filhos para mudar o mundo e não para se adaptar a ele, escolhemos uma escola sintonizada com esta escolha, Alice é educada para questionar. Então muitas vezes a prática diária entra em conflito com este princípio, mas temos claro que liberdade só se justifica com responsabilidade, que cada ato traz uma consequência, seria fácil colocar a palmada como esta consequência, mas a realidade é que no mundo ninguém te bate a cada erro, nós simplesmente perdemos coisas quando tomamos o caminho errado.

O “porque o quê?” foi a estratégia que encontramos para nos manter no diálogo sem sermos manipulados pelos filhos. Respondemos e damos as nossas ordens, mas entendemos que a obediência é uma coisa relativa. Outra estratégia é ressaltar o benefício: “e então, você não está se sentindo melhor assim fresquinha, cheirosinha?” Então fica claro que aquilo que ela faz não é para mim, ou para me agradar, não é para outra pessoa além de si mesma. Foi assim que ela voltou a comer verduras.

De vez em quando tento ressuscitar aquele combinado do “tá bom, mamãe”, mas ela só adere quando é uma situação limite tipo essa do cinema. Às vezes, eu esqueço a estratégia do “por que o quê?” ou do benefício (tem coisa que não tem benefício claro ou imediato) e entro direitinho no jogo de poder e manipulação que culmina num grito, e isto é um problema para mim, para o pai e para ela.

Porém confesso que queria que todos os banhos, todos os almoços, todas as arrumações de brinquedos fosse realizadas sem tantas justificativas e estratégias. E que o resultado fosse um adulto cidadão, proativo, que tenha liderança e que seja capaz de melhorar este mundinho nosso... Mas nada é de graça e trato de tomar minha paciência todos os dias!

11 de novembro de 2010


Jogos femininos.

Então que hoje foi a tal reunião. Quase não dormi de noite porque o Rafael está resfriado. Agradeci a existência da MAC e da Natura. Não tive tempo de fazer luzes, escova ou unha. Cheguei lá com aquele ar 'Passei a semana desenvolvendo clientes em Bangkok e, bem, vocês sabem como são as manicures tailandesas', ou seja, achando chique o dedo pura cutícula. Entrei na sala com minha melhor cara de paisagem, desenvolvida por 5 anos no curso de psicologia. Me indicaram para sentar o lugar ao lado da única mulher da sala, a diretora de comunicação.
Ela me olhou de cima a baixo, querendo saber com quem lidaria. Prontamente coloquei minha única bolsa poderosa pendurada na cadeira. Ela recuou, mesmo percebendo a falta de cuidado com as unhas e os cabelos e as enormes olheiras. Percebi que o esmalte dela estava descascando e, o pior, que ela tinha um enorme fio puxado na meia-calça. Fizemos um pacto. Será que ela também é mãe de gêmeos? 

Foto daqui.

10 de novembro de 2010

a educação que quero dar para os meus filhos


Estão pipocando em diversos blogs e jornais comentários sobre os exames seletivos para alunos a partir do ensino fundamental, os tais vestibulinhos. Para quem não sabe (ou acha que não entendeu direito), crianças que querem estudar em escolas tradicionais de SP, a partir do 1º ano, prestam provas para serem admitidas, no estilo vestibular.

Me parece óbvio que as escolas que fazem essa seleção tem um objetivo muito claro: o de ter como aluno a criança estudiosa, que acerta a maior parte das questões e preocupada em aprender. Os pais que submetem os filhos a esse estresse e competição têm a melhor das intenções: colocar o filho em uma escola 'forte' que garanta seu futuro por meio da entrada em uma boa universidade. Escola boa é aquela que faz passar no vestibular, e isso é associado a sucesso.

No meu ponto de vista, tudo isso é um tremendo engano. Quem disse que escola forte é boa? Quem disse que escola boa é a que aprova no vestibular? Quem disse que passar no vestibular é sucesso? E quem disse que escola é sinônimo de educação?

Sinceramente, o que espero para meus filhos é que sejam pessoas felizes e do bem.

Que façam as coisas por inteiro porque acreditam nelas, não porque são obrigados. Que sejam ensinados a pensar e não a decorar. Que aprendam a ganhar e a perder. Que respeitem as diferenças, tendo suas próprias opiniões. Que não façam o mal. Que saibam tomar suas decisões e que arquem com as consequências de seus atos.

Espero que tenham amigos verdadeiros e professores que sejam exemplos. Que aprendam a falar inglês para poderem ganhar o mundo mais fácil. Que sejam matemáticos ou artistas. E que façam de forma responsável e com amor.

Realmente acho que fazer faculdade é uma escolha, e que há diversos caminhos para ser uma pessoa culta e educada. Pretendo matricular os meninos em uma boa escola de artes ou música quando eles tiverem idade para isso. Levá-los a museus para que ainda pequenos saibam diferenciar um Picasso de um Monet e depois dos 18 anos mostrar as diferenças entre um tannat e um cabernet. 

Criar o hábito da leitura. Admirar o que é belo. Ter sonhos. Interessar-se por outras culturas. Pedir licença, desculpas e falar por favor. Para mim isso é o que importa. E é muito mais difícil do que acertar uma questão de múltipla escolha.

9 de novembro de 2010


É tudo uma questão de estratégia.

Essa semana vou fazer uma apresentação para o presidente de uma multinacional. Sério. Euzinha. Vou me vestir de importante, fazer cara de inteligente e falar do que sei. Estou focada na preparação do material, mas quero achar um tempo para retocar as luzes, fazer uma escova ou, pelo menos, as unhas. Tudo porque tem uma mulher na diretoria. Se fossem só homens, podia ir até com o cabelo sujo e preso e com os dedos pura cutícula, mas quando tem mulher na jogada o buraco é bem mais embaixo.

Tenho mais de 10 anos de carreira, já aprendi bastante e vi muitas coisas na selva corporativa. Não sou nem um pouco ingênua e sei bem os códigos velados de conduta. Reunião com homens? Cabelo preso, pouca maquiagem e caneta poderosa. Reunião com mulheres? Cabelo arrumado, pouca maquiagem, roupa perfeita e bolsa poderosa. A medida em que a gente vai tendo contato com as camadas mais altas da cadeia alimentar hierarquia, o jogo passa a ser 40% competência, 40% estratégia, 10% sorte e 10% blefe. Pra mim isso é muito mais legal que jogar War.

Foto daqui.

4 de novembro de 2010

Nem santa, nem louca


Queridas Natália, Roberta Lippi, Carol Garcia, Dê Freitas, Kah, Anna, Isabela e Diego, (Mamãe) ~Pinel, Miguel...Presente de Deus, Sarah, Anne, Silvia Azevedo, Naiara Krauspenhar, Dani Lopez Garcia, Luciana, Renata, Pâm, A Mamãe do viajante, Nine, Fabiana, Coisa de Mãe, Beta, a mãe, Tatiana Menezes, tititidapietra, Mariana - viciados em colo, Vivian, Mamãe Livia, Rafaela, Carol P, Coisas de mãe, Mariana, Dione, Bia, Camila e Celia na Italia,

Muito obrigada pelos comentários no post abaixo. É confortante saber que não sou a única a não dormir e, principalmente, a ficar irritada. Como é bom ouvir outras pessoas falarem que também não têm paciência e que aguentam o tirão pensando na Birkin que comprarão na crise de meia idade do marido, com o cartão de crédito dele (adorei A Mamãe do Viajante!).

Confesso que fiquei um tanto impressionada com a quantidade de pessoas que compartilharam que passam ou passaram pelas mesmas coisas que eu pois, sinceramente, não costumo ler muito sobre isso. Claro que todas falamos sobre as noites em claro, mas é difícil assumir que nos irritamos com nossos filhos.


Madonna del Libro. Botticelli, 1481. Definitivamente, eu não me pareço com ela.

Costumamos registrar o lado bom da maternidade e talvez até idealizar essa vivência. Logo após o nascimento dos meninos perguntei para minha prima Bambam, que tinha tido um bebê 10 meses antes de mim, porque ninguém falava como realmente era ter um (ou mais de um) recém-nascido em casa e a resposta dela foi muito direta 'As mulheres são muito competitivas. Ninguém fala sobre o que não está bem ou assume que é difícil ser mãe'. Na hora me pareceu uma resposta brilhante, mas hoje penso que temos a síndrome da Virgem Maria.

Pura, santa e paciente, é de certa forma aquilo que temos como a mãe ideal. Abre mão de sua vida para acompanhar Jesus na sua missão (ei você que parou de trabalhar!) e aparece sempre como coadjuvante do filho. Me faltam conhecimentos históricos/ bíblicos para aprofundar a questão, mas faz um pouco de sentido, não é? Em uma cultura fortemente influenciada pelo catolicismo, quem mais poderia ser a mãe ideal? Maria nunca se irritaria com Jesus e nem se incomodaria em acordar milhares de vezes durante a noite, embora isso lhe conferisse um ar apático e um olhar que não era direcionado ao filho, embora ele a busque na tela de Botticelli. E olha que ela era santa.

Se alguém tiver formação/ conhecimento teórico para aprofundar essa discussão e quiser publicar no blog, manda o texto! 

3 de novembro de 2010

Como ser mãe, mulher, profissional, loira e depilada sem dormir?

ou Que m... de mãe sou eu?

ou Eu não sou a mãe do comercial de margarina.

Hoje tô péssima. Exausta, irritada e com síndrome de pré-viagem de 10 dias do marido. A noite foi puxada aqui em casa, apesar de cada um só ter mamado 1 vez. Resmungaram a noite toda e eu levantei dezenas de vezes. Claro, porque essas coisas acontecem no dia da folga da babá. E quer saber? Tô dependente de babá noturna. Não tenho mais forças para levantar, levantar, levantar e trabalhar no outro dia. Sinceramente, não sei como aguentei cuidar de dois bebês durante seis meses sem nenhuma ajuda. Ah, lembrei. Tive que contratar alguém para me ajudar porque eu tive uma crise de estresse (se é que isso existe) e uma noite simplesmente não tive forças para me levantar da cama e o marido teve que cuidar dos dois sozinho. Mas o problema não é o cansaço ou as olheiras, que devem ser de uma mutação de mãe-pandas exclusiva para quem tem gêmeos (Carol, a especialista na espécie, já está pesquisando sobre o assunto e em breve nos escreverá um tratado). O pior é a irritação e a culpa que vem dela. Quer saber? Ter que acordar durante a noite me deixa irritadíssima e olha, sinceramente, não sou comos as mães propaganda de margarina que sorriem quando pegam seus filhos no meio da noite. Eu pego eles ainda dormindo, toda despenteada e com bafo. Mas mesmo assim eles gostam do meu colo. E eu me sinto péssima por desejar que eles não acordem de noite, que eu não tô mais nem um pouco a fim de dar colo de madrugada. E me sinto ainda pior quando leio outros blogs e vejo que bebês bem menores que os meus dormem a noite toda. Que merda de mãe sou eu, afinal? Semana passada fiquei muito puta porque o ser humano que é responsável pelos tweets da Pampers escreveu que se o bebê depois de X meses não dorme a noite toda é porque é inseguro e precisa de carinho, não de mamadeira. Entenderam? Não dou carinho o suficiente, deve ser porque estão na escolinha. E já que é pra chutar todos os paus da barraca, como é que vou trabalhar, sorrir para o marido, retocar as luzes e depilar a virilha com esse humor? O que eu quero é uma barra GG de chocolate e/ou uma garrafa de vinho, preferencialmente um Bourdeaux, pra compensar.



1 de novembro de 2010

33

Trinta e três.
É a idade que completo hoje.
Me acho tão velha e tão nova. Será que ainda vou me sentir assim quando fizer 80?
Me lembro perfeitamente de quando tinha 15, 18, 21, 25, 30... e continuo igual. Mudaram as responsabilidades, a rotina e o corpo, mas continuo a mesma. Gostando de fotografia, Madonna e livros, só que agora casada e com dois filhos. Tenho um carro e o DVD dos Goonies. Não tenho mais agenda cheia de figurinhas, mas tenho um blog. Trabalho e ainda tenho um moletom de quando fui para a Disney, em 1992. Não precisa fazer a conta, foi há 18 anos atrás. Incrível, não?
Quando era criança, pensava que haveria um dia que eu viraria adulta, passaria por uma espécie de portal que me daria responsabilidade, maturidade, marido, casa, filhos e um ar sisudo, mas não é bem assim. Aliás, não é nada assim. Não me sinto uma 'adulta' como eu pensava que seria quando criança. Cheia de certezas, opiniões e respostas pra tudo. Ainda mais sendo mãe. Mãe sempre sabe tudo! Que mentira... Fui entender só agora o que o Renato Russo quis dizer com "Você culpa seus pais por tudo/ Isso é absurdo/ São crianças como você*". A tal 'adultez' é uma farsa. Ainda bem. Espero continuar pensando assim quando for velhinha, ouvindo Balão Mágico com meus netos (será um clássico!)  e fazendo tricot.

Pra quem se interessar por aniversários de 33, aqui tem um texto do Antonio Prata que eu realmente gostaria de ter escrito.

*Pais e Filhos, Legião Urbana, Composição: Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá.