29 de julho de 2011

o dia em que me percebi cautelosa


Sempre fui corajosa. Mais do que isso, sempre gostei de fazer coisas diferentes e estar em situações que para a maioria das pessoas são problemáticas. Gosto de trabalhar sob pressão, de assumir riscos e de lidar com o inesperado. Gosto de ir para lugares em que a maioria das pessoas passaria longe, de explorá-los e conhecê-los bem. Conheço o Pará, o interior de Sergipe e o Rio de Janeiro. Tô brincando.

Herdei isso do meu pai, com certeza. Quando ele tinha 16 anos decidiu com mais 2 amigos que iriam conhecer a floresta amazônica. Detalhe: moravam em Porto Alegre. Meu pai então avisou a minha avó, que não deu muita bola, mas no outro dia não encontrou mais o filho em casa: tinha ido viajar. Passou 50 dias viajando de carona, dormindo onde dava, comendo quando tinha dinheiro. E até hoje ele conta que foi a melhor viagem que fez na vida.

Já eu, nunca viajei sem um cartão de crédito, mas independente de onde estava, sempre tirei um bom tempo para caminhar, conhecer a cidade e as pessoas. Me meter em roubadas e sair delas. Quando fui a Veneza com minha irmã, nosso programa preferido era nos perder. Caminhávamos um tempão no meio daquelas ruelas só para termos que sair e dar chance ao inesperado de nos surpreender. Porque Veneza não acontece na Piazza San Marco.

Obviamente, quando tive a oportunidade de ir à Bolívia, não tive dúvidas: só se for agora! Acontece que estava numa área de fronteira, onde tráfico de drogas e desvios de carros roubados era o que mais tinha. Uma versão hardcore da terra de Evo Morales. Mulheres com longas collas e cerveja Paceña rolando dia e noite. Em outros tempos passaria o dia fotografando.

Mas a maternidade instala em nós uma sirene, um sinal de alerta e cuidado, do dever da responsabilidade de criar alguém que depende da gente. E eu não consegui fazer nada do que faria antes. Fiquei com medo, não quis desbravar a cidade, me mantive segura. Me estranhei e percebi como fui transformada de um modo silencioso, intenso e profundo.

non-go area for mothers

28 de julho de 2011

mamãe vende tudo!


Gêmeos cheios de tralhas e um apartamento pequeno não combinam, então vou vender tudo o que os meninos não usam mais. Simples assim.

Se você quer comprar produtos de segunda mão em excelente estado, não perca meu novo blog, o Mamãe vende tudo! Eu não perderia!

No lançamento, tem bebê conforto, redutor para bebê conforto e carrinho e móbile a preços incríveis!

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27 de julho de 2011

do fundo do coração

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Obrigada pelas palavras de apoio e incentivo hoje. Fizeram a diferença.

preciso falar com Fátima Bernardes, urgente


Alguém me passa os contatos dela, por favor? Preciso aprender como uma mulher bem sucedida e mãe de múltiplos faz para viajar a trabalho sem sofrer.

Meu problema é que quando viajo os meninos passam muito bem durante o dia: brincam, correm, tiram sonecas, almoçam e jantam normalmente. Mas as noites em que não estou em casa têm sido um caos. Eles acordam, choram e sentem minha falta. Querem a mamãe deles, essa maravilhosa.

Tenho sofrido por causa disso. Não é culpa, mas morro de dó. Eles são pequeninhos e por mais que eu explique que eu vou mas volto, eles não entendem. Choram e me querem. Ó céus, ó vida.

Mas Fátima pode me ajudar. Porque Fátima é âncora do principal telejornal do país, poderosa e casada com um cara charmosão e igualmente poderoso. Não deve ter esse tipo de dúvidas ou de problemas. Porque Fátima é firme. Fátima já largou toda a família no Brasil e ficou mais de um mês cobrindo a Copa do outro lado do mundo quando os filhos eram pequenos. E vejam que a copa é de futebol, esporte tipicamente masculino, que Fátima cobriu. De cabelo escovado e unha feita diariamente na redação. Vocês sabiam que ela faz a unha diariamente? Fátima pode.

Fátima teve trigêmeos porque gêmeos não teria graça, muito fácil. E ter um de cada vez, para ela seria como ser rebaixada. Cadê o desafio? Fátima madruga na redação e vai embora muito tarde, tomando decisões importantes. Fátima não tem as dúvidas de uma mãe comum porque ela não é uma mãe comum. Fátima é inteligente. Fátima dá conta de tudo. Fátima é bem resolvida. Fátima não fica de mimimi. Fátima viaja a trabalho sem fazer drama.

Já eu sou fraca, mal resolvida e não dou conta de muita coisa. Mal e mal de mim. Questiono se não deveria largar o trabalho que adoro por meus filhos. Para que cada vez que eles acordarem de noite eu esteja lá. Entenderam agora porque só Fátima pode me ajudar?

26 de julho de 2011

fala, Chevy Chase!


chevy chase e seu carrão cheio de filhos e tranqueiras: não é ótimo?

Tudo indica que depois de quase 3 meses o seguro pagará o valor do carro que nos foi roubado e estaremos motorizados novamente. O único problema é que o carro que tínhamos está tão caro que desistimos de comprá-lo e tivemos que começar a peregrinar por concessionárias para escolher outro modelo. Marido quer um carro cheio de botões e coisas que eu nunca vou usar e eu quero um carro rosa grande, cheio de porta-malas e espaço para colocar filhos e mais filhos. Então que tivemos o seguinte diálogo:

Marido: Não, esse carro não. Esse carro parece aqueles dos filmes do Chevy Chase. Família com pai na faixa dos 40 anos, dois filhos e esposa loira, que vive arrumando confusão por onde passa. Viajam com o carro gigante lotado de tranqueiras para as crianças, que são ora pestes ora a coisa mais fofa do mundo. Esse carro, é pro Chevy Chase, não pra nós.

Esposa: OK, mas eu não entendi a diferença entre a família do Chevy Chase e a nossa.

PS: adivinhem qual foi o carro escolhido.

25 de julho de 2011

não faz mais que a obrigação. ou faz?


Chamou-me a atenção nos comentários do post anterior o fato de algumas pessoas se irritarem quando alguém elogia o marido por cuidar dos filhos. Pensava que eu era a única. Me tira do sério quando alguém diz Ele troca fraldas e dá banho? Não acredito!, Que sorte, nunca vi um homem assim! ou, a pior, Tu tens que dar graças a Deus por ter um marido que te ajude com as criancas.

Desenvolvi uma série de respostas para esses comentários, desde a mais educada até à mais grosseira, que é utilizada em ocasiões muito especiais: comentário vindos de pessoas de quem eu não gosto, mau humor, sono, frio, fome, TPM e/ ou quando o marido não está por perto. Nessas situações, minha resposta padrão é: Sorte tem ele de ter uma mulher que divide as contas da casa. Auch!

Pois bem que as mulheres saíram de casa, começaram a trabalhar tanto quanto os homens, em funções qualificadas e ganhando tanto (ou mais que) eles. Mas o cuidado com os filhos (e com a casa) continua sendo visto como da mulher. Se não, por que alguém acharia excepcional um pai que cuida dos filhos?

A questão que venho pensando é: embora eu ache certo (e tente praticar) igualdade de gênero - homem e mulher pagam as contas, homem e mulher cozinham e lavam a louça, homem e mulher cuidam dos filhos - até que ponto os papéis de pai e de mãe também são e devem ser intercambiáveis? Até que ponto mãe e pai podem fazer tudo igual e suprir igualmente as necessidades de uma criança?

Mas será que precisa ser igual?

Talvez seja esse o segredo: pais e mães sempre terão papéis diferentes, mas as responsabilidades devem ser compartilhadas. Cada um com suas peculiaridades e atividades, mas assuminando (e não só ajudando) a tarefa de cuidar e de educar os filhos.

22 de julho de 2011

ahã ou me engana que eu gosto


na maioria das vezes, a criança estaria dentro do balde.

As mulheres sempre se queixaram (com razão) da carga de trabalho: 8 horas remuneradas na empresa e 16 horas não remuneradas em casa. Entretanto, a reportagem de capa da Time dessa semana (aqui) traz dados bem interessante: afirma que homens e mulheres trabalham um número equivalente de horas na semana, pelo menos nos EUA. Apesar das mulheres continuarem trabalhando um pouco mais em casa (20 minutos a mais por dia), homens trabalham mais fora e no final das contas, á quantidade de trabalho de homens e mulheres é quase o mesmo. Não tenho competência para analisar a reportagem do ponto de vista da sociedade norte-americana, mas pelas minhas observações, em terras brasileiras isso não se aplica. Aqui a mulher continua sobrecarregada, trabalhando fora e cuidando dos filhos e da casa muitas vezes sem ajuda do companheiro. O que você acha?

21 de julho de 2011

separar 'vida profissional' e 'vida pessoal': pra quê?


Ontem acordei cedíssimo, coloquei uma roupa bem formal, me maquiei, fiz cara de importante, peguei um avião e fui ministrar um treinamento para um grupo de executivos. Homens de terno e mulheres de bolsas incríveis. Todos muito poderosos e sérios.

O treinamento transcorria bem e como me é característico, lá pelas tantas esqueci dos slides e fiquei só falando. Falei, falei, falei. Eis que entra na telão meu descanso de tela: eu e Rodrigo no chão, brincando com os meninos. Só me dei conta quando alguém perguntou se eram gêmeos. Hein? Como assim?

Somos treinados para separar a 'vida pessoal' da 'vida profissional', uma não deve interferir na outra. Problemas no trabalho não devem ir para casa e problemas familiares não podem afetar a produtividade. Mas quantas pessoas afinal somos? E como engavetar todos esses papéis e conseguir acionar apenas alguns em determinados momentos. E para que mesmo?

Particularmente, acredito que se nos entregamos a algum trabalho, nos entregamos inteiros, é impossível separar. Minha faceta profissional só ganha com minhas experiências da maternidade e do casamento. Sou uma só, e sempre a mesma, independente do papel que esteja desempenhando. Então, não tive dúvidas em responder que erm gêmeos sim, falei nome, idade, que não foi tratamento, tirei todas as dúvidas que o grupo demonstrou e voltei pros meus slides revigorada e feliz.

descanso de tela da mamãe

20 de julho de 2011


a gente não se torna melhor mãe apenas quando lida com a culpa, mas com a imperfeição também. porque perfeição simplesmente não existe.

19 de julho de 2011

"tem que" nada


Falar (e questionar os pressupostos) da maternidade mexe com a gente. Toca no que nos é mais sagrado: os filhos e o que queremos para eles. Fazemos nossas escolhas pensando neles, no que é melhor dentro do possível e (espero que) também em nós, mães, tendo o cuidado para não ultrapassar alguns limites. Quais limites? Desde os mais concretos até os mais abstratos. O contracheque mensal comporta apenas papinhas com legumes e verduras orgânicas e frango Kórin? Se sim, ótimo, se não, legumes, verduras e frango comum. Tive informações, apoio e força de vontade suficientes para amamentar meus filhos até a idade que acho adequada? Se sim, ótimo, se não, leite artificial. Tenho vontade de cuidar exclusivamente de meus filhos até determinada idade? Se sim, ótimo, se não, volto a trabalhar. E assim por diante.

A vida é cheia de escolhas e possibilidades, por isso me incomoda tanto a ditadura do "tem que". Dependendo para o lado que se olhe, "tem que" um monte de coisas: tem que fazer cesariana e sair do hospital já com Nan; tem que parir sem o uso de analgesia e amamentar até a criança ter 4 anos; tem que comer apenas produtos orgânicos e passar longe do Mc Donald's; tem que fazer festa em buffet e gastar uma fortuna na festinha de 1 ano. Escolha sua tribo e o que você tem que fazer.

A coluna do meio não existe. Ou existe? É possível circular por diferentes ambientes e conviver com pessoas de distintos valores? E o que ensinamos a nossos filhos quando dizemos que existe apenas uma forma de ver as coisas, "o" jeito certo? Na minha opinião, no dia em que realmente entendermos que a maternidade é o exercício da escolha e das possibilidades e respeitarmos (verdadeiramente) a visão do outro conseguiremos fazer uma revolução do bem, através da tolerância, da gentileza e do respeito ao próximo. Esse é o verdadeiro empoderamento feminino.

18 de julho de 2011

a mãe perfeita é um mito


O titulo desse post é o título da entrevista da Elisabeth Badinter para a Veja dessa semana (edição 2226, 20 de julho de 2011). Para quem não conhece, Badinter é filósofa, francesa e luta arduamente contra o pensamento que toda mulher deve ser mãe - e perfeita.

Seguem trechos mais interessantes da entrevista:

"[As pessoas que eu combato] chegam a fazer apologia do parto sem anestesia, sob argumento de que há beleza no sacrifício feito em nome dos filhos já no primeiro ato. (...) Para essa gente, as mães nunca devem estar indispostas para suprir as necessidades de sua prole. Essa pressão só causa frustração e culpa nas mulheres."

"Mães são naturalmente imperfeitas, como é inerente à própria natureza humana".

"As mães que põem os interesses e as vontades dos filhos sempre acima dos seus são vítimas desse equívoco historicamente determinado [o mito do amor materno instintivo]. Essas mães acreditam que a dedicação incondicional pode ajudar a produzir uma criança perfeita, resultado dos incentivos constantes."

"Chama muito minha atenção ver mulheres com expressão vazia enquanto cuidam dos seus filhos nas praças e jardins. Fico me perguntando: qual é o problema de reconhecer que não querem passar o dia inteiro com seus filhos? Evidentemente, elas acham que isso significaria amá-los menos."

"O ponto ideal é aquele que as mulheres mantenham a equidistância entre os próprios desejos e os de seus filhos. Em outras palavras, que alcancem um ponto de equilíbrio em que não fiquem excessivamente próximas a ponto de roubar o espaço necessário ao desenvolvimento das crianças nem tão distantes que pareçam ausentes. As mães são, afinal, referência afetiva e intelectual imprescindível aos filhos."

Não preciso nem dizer que concordo com tudo o que ela falou. E você, o que acha? 


A Mamãe Ocupada Camila também postou sobre isso hoje: aqui.

15 de julho de 2011

maternidade preguiçosa


O que pode e o que não pode uma mãe?

Três situações me fizeram pensar bastante sobre esse tema essa semana. A primeira foi um comentário via chat no programa Lá em Casa, que eu participei na terça-feira, sobre gêmeos. Enquanto eu e outra convidada falávamos sobre nossa (louca) rotina de dar conta de múltiplos, alguém comentou que "mãe de gêmeos não pode cansar!". A segunda foi contada pela Pri Perlatti, que certa vez foi acusada de exercer a maternidade preguiçosa por ser a favor do uso das famosas coleirinhas infantis em uma situação bem específica (supermercado) e orientada a utilizar a criatividade e o lúdico para dar conta de suas duas filhas nesse momento. Já a terceira situação contei ontem no blog, que foi a saída que encontrei para conseguir organizar um pouco a casa antes dos meninos irem para a escola: DVD da Galinha Pintadinha.

A pergunta que me fiz é como (e em quais circunstâncias) devemos lançar mão de estratégias e produtos questionáveis para facilitarmos nossas vidas multi-tarefas. Até onde é válido, por exemplo, ligarmos o DVD para termos um pouco de sossego. Podemos oferecer o bom, ao invés do melhor, para diminuirmos nosso trabalho? Ou, em síntese, mãe também pode cansar?

Na minha opinião sim. Mãe cansa porque também é gente. Mãe tem vontade e interesse próprios, desejos que vão além da maternidade. Acredito que é mais saudável a dinâmica em que a mãe coloca o filho para ver TV para conseguir se arrumar e resolver questões pessoais do que outra que a criança passa a determinar todo o ritmo da família e as atividades dos pais. Não estou defendendo o uso da televisão (muito menos de forma indiscriminada), mas o direito da mãe de fazer o que bem entender com o seu tempo.

Eu até me preocupo um pouco com mães que colocam criar os filhos como uma missão acima de tudo, muitas vezes se anulando em função do outro. Que cobranças essas crianças terão no futuro? Sim, porque se tiveram uma mãe que fez tudo, ofereceu sempre o ótimo (e as vezes o quase impossível), deverão ser a provas de falhas. Crianças que não assistem TV, só comem comida integral e não andam de coleirinha pela cidade devem se tornar adultos perfeitos. Ou não?

Pri Perlatti também escreveu sobre isso hoje (aqui).

14 de julho de 2011

sobre galinhas pintadinhas, pablos, tashas e afins


Sempre achei errado colocar um bebê para ver TV, independente se é canal aberto, fechado ou DVD. Coisa de quem exerce a maternidade preguiçosa (né @priperlatti?) , que não quer sentar e brincar. Ploft, mais uma cuspida na minha testa. Claro que já tinha passado filminhos e desenhos para eles, mas muito pouco, não faz parte da rotina. Acontece que essa semana estou sem empregada, casa para arrumar, com o marido viajando e cheia de trabalho. Ah, e claro com dois bebês para alimentar, limpar, arrumar e levar para a escolinha de carrinho, pois estou sem carro. É o No Limite da vida real.

Ontem pela manhã troquei fraldas, arrumei os meninos, dei mamadeira, troquei fralda, coloquei no carrinho e levei pra escola, mas quando voltei a casa estava tão caótica, que tomei um bom tempo até arrumar tudo e começar a trabalhar. Hoje tive uma idéia diferente: que tal um DVDzinho enquanto eles mamam? Resultado: arrumei todas as camas, juntei todos os brinquedos, dobrei roupas, escovei os dentes e, pasmem, penteei os cabelos. Levei para a escolinha, voltei, respondi mails e escrevi esse post. Tem como não se apaixonar?


13 de julho de 2011

mulheres.estressadas.com.br


O site da CNN publicou uma pesquisa da Nielsen sobre mulheres estressadas (aqui). Na realidade, o que eles fizeram foi ranquear padrões de estresse em diversos países e relacionar com o consumo feminino em diversas culturas. O resultado é bem interessante: mulheres de países em desenvolvimento são mais estressadas e consomem mais. Mulheres de países desenvolvidos são menos estressadas, consomem menos, economizam e gastam seu dinheiro com férias. Lamentavelmente, e como era de se esperar, o Brasil está em quarto lugar nesse ranking, só sendo superado pela Índia, México e Rússia. A pesquisa demonstrou que no mundo todo as mulheres lidam com diversos papéis sociais (mãe, esposa, trabalhadora, etc) e desempenham muitas funções, o que acaba afetando os níveis de estresse. O que diferencia os países em desenvolvimento dos desenvolvidos é a infra-estrutura que cerca a mulher. Como não se estressar sem saúde, segurança e educação? Como não se estressar tendo que trabalhar 8 horas (ou mais) por dia e depois ter que resolver as coisas de casa sozinha já que se está em uma cultura onde tarefas do lar são exclusivamentes femininas? Não há uma explicação que relaciona o estresse ao consumismo, mas eu vejo como um mecanismo de compensação. Se estamos estressadas, pelo menos compramos uma nova bolsa para ficarmos mais felizes, por exemplo. O que você acha?

12 de julho de 2011

#twinsfacts

Agora os meninos só mamam assim: de mãos dadas.

Se você se interessa pelo universo gemelar e quer conversar sobre como é ser mãe de múltiplos, não perca hoje o programa Lá em Casa. Eu e mais outras duas mães de gêmeos (Flávia Sodré e Carolina Longo) estaremos contando nossas experiências. Para assistir e participar através do chat acesse http://www.alltv.com.br/. O Lá em Casa é ao vivo e começa às 16h.

10 de julho de 2011

preparando reunião de amanhã com um cliente.

na pauta, minha indisponibilidade de iniciar um curso em outro estado em uma segunda-feira.

não trabalho (ou viajo) finais de semana.

sou mãe, ora bolas.

9 de julho de 2011

a pergunta que não quer calar

afinal, existe alguma fralda noturna que não vaza no inverno?

8 de julho de 2011

a difícil (e divertida) arte de educar


Sabe aquelas pessoas que quando a gente encontra pela primeira vez parece que já conhece há anos tamanha a afinidade? Pois é. Foi assim quando conheci a Pati Papp, do Coisas de Mãe, a convidada de hoje. Nos reconhecemos, cumprimentamos e falamos por não sei quanto tempo sem parar, como se fossemos íntimas há muito tempo. Além de super gente fina, a Pati é uma viajante experiente, sempre leva seus dois filhos juntos nas aventuras e até lançou um livro falando como viajar com as crianças sem enlouquecer (aqui). Hoje ela fala um pouquinho sobre como foi ir em famoso programa de televisão para divulgar o livro e o que aprendeu com essa experiência.


Luiza, Pati e Pedro em mais uma viagem.


* * * * *

Por Pati Papp  

Quando eu fui convidada para ir na ana Maria Braga, meu primeiro medo foi: será que meus filhos vão se comportar? Nao que eles não sejam educados mas eu considero que ensinar "modos" para as crianças uma arte. É preciso repetir t-o-d-o-s os dias coisas básicas como: "diga bom dia, filho", "nao é assim que se pede, filha", "olhe nos olhos das pessoas", "seja atensioso com quem fala com você"... Sem falar em coisas bem mais básicas como pedir para não arrotar, por exemplo.

No fim, acho que eles se saíram super bem, recebi milhares de elogios, muitos comentários sobre a Luiza que não parou de pular e, pelo menos um que falou que "era para eu educar melhor minha filha."

Claro que a tarefa não acabou (será que acaba????), sou uma pessoa que preza muito "bom dias" e "obrigadas", acho que posso até dizer que sou bem careta em relação a educação, mas ao mesmo tempo não tenho filhos lordes, em alguns momentos eles saem do meu controle, a Luiza chega a protagonizar os tão temidos berros em público! Já o Pedro, no máximo deu umas mordidas em colegas quando tinha uns 2 e as vezes fala "oi" tão baixinho que só a imaginação dele houve....

Todo dia torço para estar no caminho certo, tentando lembrar da educação que recebi, espero que esteja no caminho certo. Se um dia eu descobrir, eu conto!!!

7 de julho de 2011

sou mãe que conta


Fiquei super feliz com o convite da Carol Pombo para participar da Série Mães que Contam do What Mommy Needs, um blog muito legal e engajado. Hoje estou contando como faço para conciliar maternidade com uma carreira que exige viagens constantes. Vai !

6 de julho de 2011

a mãe tem vida própria


Tenho tido muita vontade de escrever sobre vinhos. Só sobre vinhos. Não sou uma especialista, muito menos sommelier como disseram esses dias, mas eu gosto muito de toda a função envolvida. Porque vinho não é só uma garrafa ou um rótulo, é composto de rituais, de conhecimentos sobre clima, geografia, poda, sol, luz e frio, barricas de carvalho de $100.000 e cantos gregorianos para o vinho descansar em paz. Enólogos estrelas e cheiros de frutas vermelhas, grama cortada e chocolate em uma taça. Meu atual objeto de desejo é uma maleta com vários cheiros para que eu possa desenvolver minha memória olfativa. Delícia de brinquedinho.

Mas embora esse blog tenha Vinhos no nome, é um blog de mãe. E como assim uma mãe que escreve sobre vinhos? Não tenho que escrever sobre a aquisição da linguagem do Rafa ou sobre a evolução da assadura do Lelo? Sobre o que escreve (e fala) uma mãe? Deveria eu tirar Vinhos, Viagens do nome do blog e deixar apenas Uma Vida Comum e Dois Bebês? Quem sou eu, afinal?

Crises e exageros a parte, acho impossível não pensar sobre identidade depois que se é mãe. Se antes eu era conhecida como a viajante e até a bon vivant, hoje sou a mãe dos gêmeos. Pergunta na escolinha dos meninos se alguém conhece a Carol Passuello. Agora pergunta se sabe quem é a mãe dos gêmeos. Exatamente. Novos mundos, novas referências.

Logo depois que os meninos nasceram a dedicação e a mudança foram tão intensas que acabei esquecendo quem era. Deixei de lado as coisas que antes gostava e o desejo próprio e me voltei para aquelas criaturinhas tão indefesas, e isso feito naturalmente. Com o passar do tempo comecei a retomar velhos hábitos, programas de adulto e a identidade de antigamente, agora somada a outra: a de mãe. Devagar, a vida começou a voltar ao normal, e voltei a me reconhecer. Sou a Carol mãe dos meninos e a louca por viagens e vinhos. A consultora e a mulher do Rodrigo. Eu sou eu mesma, tenho vida própria, gostos, vontades e desejos, independente de quantos e quais papéis desempenhe.

5 de julho de 2011

valle de colchagua


Nosso destino de férias foi o Valle de Colchagua, uma das principais regiões produtoras de vinho no Chile (e, consequentemente, na América do Sul). Na realidade, o Valle é formado por duas cidades principais (Santa Cruz e San Fernando) e várias vinícolas que as rodeiam em função de terem o terroir perfeito para produção de vinhos. Escolhemos ficar em Santa Cruz por ter hotéis melhores e ser mais próxima das bodegas que queríamos visitar, o que foi ótimo. Podíamos beber e voltar rapidinho para o hotel.

É isso.
Além das vinícolas, a cidade não tem muitas outras coisas para fazer. O único programa que eu indicaria é o Museu de Colchagua, que tem uma coleção incrível de arqueologia e arte pré-colombiana. Definitivamente, não é um destino para crianças, o que é perfeito para pais desnaturados que largaram os filhos para curtir a vida. O Valle do Colchagua é sinônimo de vinho, e é isso que tem que ser feito lá. Simples assim.

Conheço muito bem o Vale dos Vinhedos no RS, já estive lá mais de uma dezena de vezes, inclusive com fins acadêmicos (já disse que um dos meus estudos de caso no mestrado foi uma vinícola?) e é impossível não comparar. Minha impressão é que no  Brasil há uma organização melhor do vale. A rota brasileira é realmente mais bonita, e as vinícolas estão sempre abertas para visitação, sem necessidade de reservas, muitas sem cobrar nada por isso. E é tudo feito de maneira mais informal. É possível chegar numa vinícola, conhecer o nonno, ouvir histórias, ser convidado a um passeio pelos parreirais e ainda sair levando uns cachos de uva de presente. Já aconteceu comigo.

Parreiras e mais parreiras.
No Valle de Colchagua é diferente. Todas as visitas precisam ser agendadas, pagas (valores entre R$40 e R$100) e é tudo mais formal. Todos os guias que eu tive eram muito bem treinados, e sacavam muito sobre vinhos e sobre a região. Ao contrário das vinícolas do Brasil, os vinhos degustados são os top (mas não os ícones) o que confere um glamourzinho ao tour. Individualmente, as vinícolas estão muito melhor estruturadas do que as brasileiras, e obviamente oferecem vinhos melhores. Mas como um todo, deixou a desejar. Não há restaurantes na Carretera do Vino, a principal via do Valle, é necessário comer nas bodegas (as vezes pagando caríssimo) ou voltar a Santa Cruz.

Na minha opinião, o Valle não é um roteiro para iniciantes em vinhos. É caro e requer um certo conhecimento para poder escolher as melhores bodegas e tours. Sinceramente, para quem está começando ou nem gosta tanto assim de vinho, o Vale dos Vinhedos é mais legal e melhor estruturado (bairrista, eu?). No meu ponto de vista. Se eu fosse apenas uma curiosa para conhecer como se faz vinho e estivesse no Chile, não pensaria duas vezes em ir na Concha y Toro, que é pertinho de Santiago e muito legal, apesar de ser bem turística. Não iria até o Valle de Colchagua.

Prova e depois joga fora, viu?
Agora, para os metidos amantes de vinho, o Valle é perfeito! Há desde passeios mais 'comerciais' como na Viu Manent e na Santa Cruz até outros mais exclusivos, como na Neyen ou Lapostolle. É a Disney do vinho! Na Viu Manent é legal ir para passar o dia (sendo que o dia começa 12hs e encerra 16hs) pois pode ser feito um tour com direito a carruagem (eu disse que era comercial!) e experimentar vinhos em diferentes etapas de fabricação, o que eu nunca tinha feito, para ver os diferentes níveis de acidez, por exemplo. Dá para terminar o passeio almoçando no delicioso restaurante da vinícola. Para algumas fotos da Viu Manent, clique aqui.

A Santa Cruz é a mais turística do Valle. Pode-se pegar um bondinho para subir um morro e ver réplicas de casas mapuche, chaman e rapa nui, as civilizações antigas chilenas, o que eu achei cafona e sem graça para adultos. O tour também é falho, e eles cometem o crime de fazer a degustação de três tintos em uma única taça. Horrível. O que é legal (e vale a pena na visitação) é que a área deles é muito bonita, cheia de ovelhas, e há um café para sentar e tomar... um vinho, claro. Recomendo para quem fizer a loucura de levar crianças nessa viagem. Para algumas fotos da Santa Cruz, aqui.

Vista parcial da Lapostolle.
A Lapostolle é a vinícola mais exclusiva do Valle. Só faz vinhos de alto padrão e a bodega é si é um luxo. A arquitetura é fantástica e eles usam a gravidade para manipular o menos possível a uva durante a produção (o processo começa nos andares superiores e os sub-produtos vão descendo para os andares inferiores). Há um restaurante e um bed & breakfast premium na vinícola (caríssimos, por sinal). Experimentamos um Clos Apalta Merlot 2007 fantástico na degustação e resolvemos comprar mesmo pagando uma pequena fortuna só que, pela primeira vez em anos de transporte indevido de vinhos em malas a garrafa quebrou, manchou todas as roupas e perdemos toda aquela preciosidade. Mas não se faz vinho sem perder as uvas e uma viagens sem causos para contar, não é? Para outras fotos da Lapostolle, aqui.

4 de julho de 2011

e no final, todos sobrevivemos


então que depois de cinco dias e quatro noites chidren-off estou de volta. eu, marido, filhos e avó dos filhos, todos sobrevivemos. não fui tão desapegada como eu imaginava que seria (cada vez que olhava no relógio pensava no que a dupla estava fazendo, ligava/ mandava mail pela manhã e de noite, etc) e não relaxei totalmente em nenhum momento. mas será que alguma mãe consegue essa façanha? claro que eu aproveitei muito. conhecemos um lugar novo - valle de colchagua - e o foco da viagem foram as vinícolas da região. mas antes de me chamarem de pinguça e dizerem que eu larguei os filhos pra beber, saibam que esse tipo de passeio tem nome: enoturismo. conhecemos seis bodegas, experimentamos sei lá quantos rótulos e aprendemos um pouquinho mais sobre vinhos. uma delícia para o paladar e para o casamento. estar junto em uma atividade legal, sem responsabilidades ou horários, vendo coisas novas: fortemente recomendo uma viagem a dois para aqueles que têm filhos. revigora, fortalece e traz de volta a leveza, o bom humor e a cumplicidade que as vezes são esquecidas na cansativa rotina do dia-a-dia. voltamos de lá com vontade de dar mais uma escapadinha até o final do ano (mas não espalhem, minha mãe ainda não foi avisada). e os meninos? ficaram bem, mas também sentiram nossa falta. dormiram pior que de costume nas duas primeiras noites e melhor que de costume nas outras (humpft!). de dia passaram bem, sem novidades. rafael incorporou a palavra bobó (vovó) ao seu vocabulário e leonardo cresceu um tanto, está enorme. voltamos na sexta final da tarde, e eles estavam terminando a janta. quando nos viram começaram a gritar e a gargalhar, felizes. e eu desatei a chorar, feliz. ficar longe foi ótimo e voltar foi mágico.

2 de julho de 2011

dia quatro