Antes de começar a apresentar os resultados da pesquisa, algumas considerações:
1) Essa não é uma pesquisa científica, é um levantamento informal realizado com mães e pais de 494 crianças de 0 a 3 anos no período de 10 a 20 de maio de 2011. Os respondentes foram captados através de divulgação em blog, twitter, facebook e orkut. Uma amostra de mães e pais que utilizam redes sociais no dia-a-dia, portanto;
2) Os resultados não podem ser extrapolados, ou seja, não podemos dizer que todas as crianças do mundo (ou do Brasil) se comportam dessa forma. O que temos aqui é uma fotografia de como essas 494 crianças dormem e qual a percepção de suas mães e de seus pais sobre o sono delas;
3) Todo ponto de vista é a vista de um ponto. A interpretação que dou para os dados é uma dentre tantas possíveis. Sinta-se a vontade para comentar e tecer outras interpretações sobre os achados da pesquisa. Esse não é um relatório conclusivo ou fechado.
Vamos aos resultados?
A maioria das 494 crianças cujos pais responderam ao questionário têm entre 12 e 18 meses (22,5% da amostra), seguidos por crianças entre 30 e 36 meses (13,8%), entre 24 e 30 meses (13%) e entre 6 a 9 meses (12,3%). A distribuição completa está abaixo (clique para ampliar os gráficos):

A maioria dos respondentes não oferece 'mamada dos sonhos' (59%), não utiliza cama compartilhada todas as noites (80,1%) e refere que seus filhos possuem uma rotina estruturada (77,6%). Na percepção dos respondentes, a maioria das crianças possui uma qualidade 'boa' de sono (34,8%) ou 'muito boa' (33,4%). Crianças que possuem sono avaliado como regular são 23,8% da amostra, ruim 6,7% e péssimo 1,2%.
Ao analisarmos a qualidade do sono em comparação com a idade das crianças, observamos que as que tem o sono percebido como 'ruim' ou 'péssimo' por seus pais possuem idades a partir de 1 ano. Assim, os picos de percepção de sono 'péssimo' ocorrem nas faixas entre 12 a 18 meses e entre 30 a 36 meses (33% para cada faixa etária). Já o pico de sono 'ruim' é entre as idades de 18 a 24 meses (27,3% dos respondentes dessa categoria). Também nas faixas etárias entre 12 a 18 meses e entre 30 a 36 meses encontram-se os maiores montantes de mães que referem que a qualidade do sono de seus filhos é muito boa: 20,7% dos respondentes, em cada categoria.

É interessante observar que a percepção da qualidade do sono é influenciada pela quantidade de vezes que a mãe (ou o pai) se levanta para atender o bebê, em função de mamadas e, principalmente, em função de 'não-mamadas'. Observa-se assim que há bebês que mesmo não mamando durante a noite a qualidade do sono é referida como péssima, talvez por acordarem outras vezes por outros motivos durante a noite.
Percebe-se que 16,7% dos respondentes que referem que a qualidade de sono dos filhos é 'péssima' e 9,1% dos que responderam que o sono é 'ruim' não amamentam durante a noite. A percepção de qualidade do sono, portanto, está ligada ao que podemos chamar de 'acordadas vazias', ou seja, situações em que a criança acorda durante a noite por outros motivos, que não mamar (chupeta cai, pesadelos, etc).
Chama a atenção que 45,7% dos respondentes relataram que o filho não dorme da maneira como imaginavam que dormiria antes dele nascer. A pesquisa não investigou se o sono real que as crianças apresentam é melhor ou pior do que aquele imaginado pelos pais, mas é diferente na opinião de grande parte dos respondentes.
Não investigou-se diretamente o impacto que esse gap entre o imaginário e a realidade tem nas famílias, mas 52,3% dos entrevistados relataram que acham que a qualidade do sono do bebê interfere no vínculo entre mãe/ pai e filho. Ainda que dados qualitativos não façam parte desta pesquisa, em alguns emails ou em comentários no post de lançamento da pesquisa alguns cuidadores disseram que se dormem bem cuidam melhor do filho por estarem descansados e renovados.
Assim, faz-se claro cada vez mais necessário informar de maneira correta e clara sobre maternidade, não criando pressupostos irreais e idealizados. Falar e discutir sobre a maternidade real, eu diria, não sobre generalizões ou sobre uma 'criança média ou padrão'.