as gordinhas
Me dei conta que a atual discussão sobre amamentação é muito mais falada e difundida na mothersfera se analisada sob o ponto de vista da autonomia e do direito dos indivíduos (da mãe e do bebê) do que sob o prisma do feminismo. Por um único motivo: as pessoas ainda não sabem bem o que é ser feminista. Pairam dúvidas se feministas não são pessoas feias, amargas e masculinizadas que resolveram se vingar dos homens, queimar sutiãs e sair caminhando com os peitos de fora. Um bando de loucas mal-comidas, com cabelo desgrenhado e sovaco cabeludo, para ser mais exata.
Tremendo engano. Feministas são pessoas críticas (independente do sexo) que reivindicam a possibilidade de direitos iguais para todos. Homens e mulheres. Negros e brancos. Homo e heterossexuais. Pobres e ricos. Gordos e magros. A discussão pode até parecer óbvia, mas não é. O machismo é tão impregnado na nossa sociedade que é preciso uma mobilização nacional pelo direito da amamentação em lugares públicos. E o que amamentar tem a ver com ser feminista? Como muito bem escreveu a Lola, lugar de mulher que tem filho não é em casa? Como assim ousar ter vida social, levar o filho em uma exposição e amamentar quando a criança tiver fome? Peito de fora na nossa sociedade só se for no carnaval. Mulher como objeto já!
O corpo assume importância no feminismo. Não vale só o corpo magro, torneado e lipoaspirado para satisfazer um ideal, mas a diversidade é respeitada. Vale o peito sensual para o namorado/marido/amante e o peito alimentador para o filho. Isso tudo sendo tratado com naturalidade. A mulher não precisa amamentar trancada em um banheiro. Cada um faz suas escolhas e elas são respeitadas. Nessa linha, o que dizer da Vogue Itália desse mês que colocou três modelos plus size de lingerie na capa? Lindo! Para ser bonito não precisa vestir 36. Sendo feminista você pode ser quem você quiser. Usar sutiã de amamentação. Não usar sutiã. Usar sutiã rendado e sexy La Perla. Você tem opções.
Você é muito mais feminista que imaginava, não é?
Imagem daqui.



15 comentários:
Duro é pensar que essas mulheres da capa são consideradas gordinhas. Não deixa de ser uma discriminação também, vc não acha? Porque, digamos assim, normal é ser magra. Elas são diferentes e por isso são chamadas de plus size.
Veja bem que hoje eu me encaixo nessa categoria plus size e nem sou das mais gordinhas.
Quero ver mesmo o dia que essas modelos hoje chamadas de "plus size" sejam, definitivamente, chamadas de normais.
Beijos
Concordo com vc, hoje em dia esse modelo de beleza é que é correto, embora com certeza essas mulhere nao se sintam tão bem para se manter com o corpo perfeito!!
Se formos olhar por outro prisma, o machismo e o consumismo andam assim oh, de mãos dadas.
Cria-se um padrão impossível (magra, loira, olho azul, pele de bebê) e vende-se produtos que tornem isso "possível".
A amamentação, além de bater de frente com o machismo, bate contra o consumismo: um bebê que mama no peito não precisa de leite em pó, mamamdeira, aquecedor de mamadeira, esterilizador de mamadeira, pote para leite em pó, etc etc etc...
A amamentação não é um bom negócio.
Beijão!
Excelente ponto de vista, Carol. Amei as feministas de La Perla e concordo que todas nós somos mais feministas do que imaginamos!
beijos
Admito que fico um pouco irritada de ter que haver uma campanha para que se possa amamentar, um lei que criminaliza a homofobia, isso tinha que acontecer sem ninguém pedir, mandar... Mas ao mesmo tempo é um sinal que as pessoas estão mais do que nunca reivindicando o direito de serem diferentes!!!
Bjuss
Adorei seu ponto de vista e concordo que foi uma atitude machista!
Essa é a capa mais linda de Vogue que já vi! Ficou belíssima e muito feminina!
Adorei seu texto!
Beijos
Talitah Sampaio
Nossa... faz pensar, refletir e tenho certeza que atinge seu objetivo!
Quem dera que esses criticos mesquinhos da tv brasileira fosse mais cabeça aberta e se retratassem, viu.
beijos
Karin
www.mamaeecia.com.br
Adorei o texto! Realmente, sou mega feminista! Sou a favor da igualdade de todos como vc disse e tbm da liberdade total: amamentar livremente ou não amamentar. Tudo deve ser respeitado.
Beijos!
Essa capa ficou demais, e as suas colocações coroaram esse "espírito feminista" que nos contamina. Tenho certeza de que tem muita gente se surpreendendo com seu lado feminista, inclusive eu. Passa lá no blog que tem post de protesto: #basta.
Bjos1
Oi Carol,
Achei muito legal essa capa da Vogue Italiana e também a tua reflexão sobre o machismo e o feminismo.
Eu acho que muitas vezes nós muheres também somos machistas, talvez reflexo da sociedade em que vivemos mas espero que em breve possamos relaxar e exigir menos de nós mesmo, sempre tentando ser mães perfeitas, profissionais exemplares, amantes desejáveis, cara menos enrrugada, peito mais durinho e bum bum mais firme.
A verdadeira beleza está no olhar e na simplicidade na real.
Beijao
Van
sim, o feminismo nos causa dúvidas.
confesso que acho a blogsfera materna um tanto machista (apagar)
acho que estou lendo os blogs errados...
ou não, porque hoje vim aqui, né?
amei o post.
quero saber mais tb sobre essas cabeludas (vulga eu mesma que estou cagando para os pelos da perna. sou sim um tantinho feminista, viva!)
chega!
bjo
Purz Carol, achei as mulheres lindas e só fui reparar que elas eram plus size na hora que vc falou. Daí voltei na foto e ampliei e vi que elas continuam lindas e sei lá porque alguém inventou que elas são plus size e não as modelos atuais umas aberrações.
Quanto ao feminismo concordo com cada linha que escreveu..
sua fã, beijos
Aplausos!!! Muitos!
Carol, adorei o post.
Militei no movimento: Mulheres da UFF na universidade onde eu estudava. E confesso que o universo feminino é muito machista também. E nossa, como é difícil militar em prol da igualdade dos direitos sendo que muitas de nós mesmo que internamente ainda são machistas.
Sou técnica eletricista, e nos meus três empregos na área eu era a única mulher. Foi bem difícil no começo ser aceita pois o preconceito era imenso. Achavam que eu não era capaz de trabalhar num ambiente megablaster machista e masculinizado, onde eu precisava usar muito a minha força física, muitas vezes ter as unhas quebradas, cabelo bagunçado. Piadas bizaaaarras. o tempo inteiro. No final das contas, eu me impus, e ganhei meu espaço. Depois disso, essas três empresas, contrataram mais mulheres!!!!
A-D-O-R-E-I!!! Juro que eu tinha um certo medo desse termo (feminista). Tinha um tanto dessa imagem errada de mulher exageradamente contra homem quando ouvia falar do assunto. Seu post foi exclarecedor, inspirador! Sou, sim, MUITO mais feminista do que pensava!!
Beijos
Fabiana
http://2-ao-quadrado.blogspot.com
A que ponto chegamos? A ponto de termos de defender o mais natural dos atos humanos, a amamentação... Como de o normal fosse o não amamentar, ou levar aos recôndidos íntimos a amamentação da prole...
Na era em que se coisifica-se o afeto, virtualiza-se as relações, padroniza-se os comportamentos, sexualiza-se a rotina, não se podia esperar trato diferente a este ato de amor, o amamentar.
Uma irracionalidade mamífera!
É pena! O que me anima são pessoas como você, que de insurgem frente a esta aberração.
Abraço afetuoso, Cassiê.
Ps: estou acompanhando seu blog!
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