30 de abril de 2011

nana-bebês


E se eu contar que na festa do Dia das Mães da escolinha me acharam uma ET por não fazer o Nana Nenê?

Ô diversidade!

* * *

Post Scriptum

Nana Nenê é um livro/ uma técnica que promete educar um bebê para que este não pertube muito a rotina do casal. É conhecido por sua abordagem de como fazer uma criança a partir do 8º dia dormir a noite toda. E como é essa maravilha? Deixa a criança chorar que um dia ela acostuma, ora! Se chorar 10 minutos, deixa. Se for 1 hora? Aguenta firme, amiga, em uma semaninha ele acostuma. E se for mais? Com certeza vai passar. Como me disse uma das mães com quem eu conversei, 'tem que ter estômago, mas é ótimo. Ele chorava no quarto e eu na sala'.

O que esqueceram de dizer pro inventor da técnica é que bebês ainda não possuem o aparelho psíquico desenvolvido a ponto de saber esperar e que têm sim, necessidades de afeto e aconchego que podem aparecer durante a madrugada. Não é manha e é normal. E o melhor que a gente pode fazer é dar colo, amor e leite, se for o caso. Isso na minha opinião. A minha regra é clara: chorou, tá no colo. Chorou, ganhou beijo. Chorou, foi aninhado.

Mas a técnica do Nana Nenê funciona? Claro! O bebê chora, vivência sentimentos profundos de desamparo, pavor e descuido e ninguém o atende. O que resta a ele? Desistir. Não chamar mais a mãe, pois é certo que ela não vai atender. Aprender a se virar sozinho psiquicamente, mesmo que isso ainda não seja possível em termos motores. Para mim, isso é crime.

Para ler mais sobre o assunto, vai lá na Mari.  

29 de abril de 2011

mãe é a sua mãe!


A querida convidada de hoje é a Flavia Fiorillo, mais uma que sai do mundo virtual para se tornar uma amiga real. Autora do Mamãe sabe tudo, um dos blogs mais lindos que existem por ai, mãe da Matraca-Trica e do Fofoquinha, é jornalista e colabora com a Pais & Filhos e com a Vogue Kids.

família feliz!

* * * * *

Por Flavia Fiorillo

A gente se acostuma a quase tudo depois de ter filho. Se adapta, aceita, nem liga mais. Algumas coisas são difíceis de engolir, e essas a gente ataca com uma fúria acumulada de outros pequenos incômodos que não tivemos chance para nos concentrarmos e bater o pé na hora. Ser chamada genericamente de "Mãe" por estranhos é uma delas, no meu caso. Se levo Matraca-Trica* para tomar uma vacina, tem sempre uma enfermeira que diz "Mãe, por favor segure seu filho no colo assim assado". Se esqueço o balde na areia da pracinha, tem sempre alguém que me avisa "Mãe, você esqueceu o brinquedo".

Gente, eu tenho vida fora da maternidade. Eu tenho aspirações, tenho meus afazeres, minha personalidade, acima de tudo EU TENHO NOME. Se, em uma situação parecida não souber como me chamar, use a palavra que a educação manda: senhora (por mais velha que essa palavra me faça sentir). Quer me chamar por um apelido, tudo bem. Vou facilitar a vida e contar um segredo. Saibam todos, neste momento, que meu apelido oficial dentro de casa é: Lixinho de Pia.

Muito Prazer, meu nome é Flavia - não Mãe - mas pode me chamar de Lixinho de Pia. Na verdade deveria ficar, com esse apelido que me dei, tão ofendida quanto quando me chamam de Mãe, mas já que não consigo manter a silhueta pré maternidade, pelo menos mantenho o bom humor. Não posso reclamar da facilidade de perder o peso depois dos partos, a amamentação ajudou horrores. Um ano depois, me vi com as mesmas curvas da subida da serra do Rio de Janeiro. De novo. Tudo começou com a introdução da papinha de Fofoquinha.

Sobrou? Judiação, não vou jogar fora, certo? Três anos depois caiu a ficha de que não, não está certo. A gente se pega comendo qualquer resto de refeição das crianças, sejam lá lanches (no plural mesmo), almoço ou jantar. Mais tarde acompanhamos nossas caras-metade em refeições para adultos. Essa quantidade toda de calorias diárias que acaba em meu culote alimentaria uma familia de refugiados por uma semana. Em uma fazenda meu lugar seria no chiqueiro. A gente se sente culpada de jogar comida fora, talvez por ouvir durante anos que "Tem muita gente morrendo de fome e você aí, sem querer comer nada!". Essa era minha mãe. Agora repito a mesma frase para meus filhos (aiaiai). Para acabar com a dobradinha (hahaha, dobradinha!) culpa/culote e se livrar do apelido, só adotando um cachorro ou uma tênia. Amuse Bouche vai ser o nome, está decidido.


* Para quem não me conhece, chamo meus filhos e todas as crianças que menciono em meu blog por nomes de personagens de desenho animado. São minhas crias a Fofoquinha, nascida em 2002 e o Matraca-Trica, que nasceu em 2005.

28 de abril de 2011

fiz cesárea, mas não espalha


Não sou a favor da cesárea. Muito menos contra. Sou a favor da diversidade, de cada um achar o que é melhor para si e da democracia na escolha. Sou terminantemente contra rótulos e unanimidades, porque, como já dizia Nelson Rodrigues, são sempre burras.

Acho ótimo que o parto natural seja estimulado e que cada vez mais mulheres busquem por ele. É uma opção e, antes de tudo, um direito da mulher escolher de que forma terá seus filhos. Sou contra não poder escolher o que se quer, isso sim. Mas cada vez mais tenho sentido preconceito quando digo que tive meus filhos de cesárea por que eu quis assim. Como se eu fosse burra, alienada ou comprada pelo sistema. Eu e todas as outras. Mulheres que optaram pela cesariana: ignorantes. Mulheres que aceitaram oxitocina sintética: desinformadas. Mulheres que quiseram anestesia: fracas. Mulheres que não pariram no marco da porta: não amam seus filhos.

Eu escolhi fazer cesariana. Nunca tive desejo verdadeiro por parir, apesar de ter sido acompanhada por um médico conhecido por estimular e ter índices altíssimos de partos normais no setor privado. Um parteiro como ele mesmo diz, que mantém na equipe uma doula, que acompanha as mulheres na gestação, no parto e no puerpéreo.

Ouvi histórias maravilhosas sobre todos os partos naturais que eles fizeram, inclusive de múltiplos. Vi e revi o vídeo da cantora lírica que pariu seus gêmeos cantando. Até o sétimo mês estava convencida que teria os meninos de parto natural. Todos falavam que era o melhor, então assim eu faria. Mas nunca foi uma vontade minha, compreende?

Até o dia que me dei conta do meu desejo e avisei ao marido, ao médico e à doula que não iria mais ter parto normal, queria cesariana. Mas por quê? Você tem tudo para ter um ótimo parto! Porque eu não quero. Simples assim. A escolha ainda é minha ou não? Essa escolha tem a ver com minha individualidade, não cabe aqui expor os porquês, mas foi uma decisão consciente. Para mim, definitivamente, foi a melhor escolha. Em nenhum momento senti dor ou tive medo, estava segura.

Meus filhos nasceram de olhos abertos, quase não choraram e mamaram na primeira hora de vida. Não acho que minha relação com eles seria diferente se tivessem nascido de parto normal. Impossível amá-los mais. Também não acho que seria melhor mãe se tivesse optado por um parto domiciliar. Não mesmo. Também não faço apologia à cesariana, isso é uma decisão individual, e percebo que muitas das mulheres que hoje são extremistas em relação ao parto normal são aquelas que não puderam escolher e fazem disto uma bandeira. Compartilho a bandeira da possibilidade da escolha e do acesso à informação mas não, de forma alguma, de que há uma opção que é melhor para todas as mulheres.

Inclusive, acho esse tipo de colocação muito perigosa. Estou muito sensibilizada com um casal de amigos com problemas sérios de fertilidade que já tentaram inseminação e fertilização e não conseguem engravidar. Entraram recentemente para a fila da adoção. Ela será uma mãe inferior por não ter conseguido parir (e nem gestar) um bebê? E um casal de amigas homoafetivas que pensa na idéia de uma engravidar com o óvulo da outra e com o sêmen de um doador? A que parir será melhor mãe que a outra? E aquela que engravidou duas vezes indo contra todas as recomendações médicas por ter uma deficiência importantíssima de coagulação e as cesarianas tiveram que ser realizadas em tempo recorde com aparelhos de UTI por toda a parte apenas aguardando que ela descompensasse? Serão elas mães piores por não terem tido seus filhos de parto normal? Porque se dizemos que há um jeito melhor dos filhos nascerem necessariamente há um jeito pior, não importa qual seja o motivo que leve a um ou a outro. 

27 de abril de 2011

sobre príncipes e princesas



Não consigo fugir do assunto da semana: o casamento real. Em tempos de realidade nua e crua, não temos como não nos fascinar com um casamento entre príncipes e princesas, com os contos de fadas de nossa infância acontecendo aos nossos olhos. Com a possibilidade de presenciar algo que nos remete ao mágico, ao intocável e que habita o mesmo mundo de dragões e beijos que ressucitam mocinhas desfalecidas. A possibilidade de uma história de amor desse porte nos encanta. É como se a esses príncipes estivesse entregue o amor mais profundo, que não é dado a qualquer mortal. Torcemos por eles porque queremos esse amor inatingível que mora em uma torre e uma bruxa tenta destruir. Torcemos por eles porque somos modernas, mas no nosso inconsciente ainda acreditamos em príncipes encantados que montam em cavalos brancos.

26 de abril de 2011

sabe o que é legal?
voltar pra terapia.

sabe o que também seria legal?
fazer um blog para registrar cada sessão, meus devaneios e loucuras.

ah, se eu não tivesse superego, seria um sucesso da blogosfera!

la computadora


Sabe-se lá por que meu computador não desliga mais. Clico em shut down e ele simplesmente não obedece, como se eu não tivesse dado nenhum comando. Se eu quero que ele descanse um pouco tenho que colocá-lo em stand by. Desligar, ao que tudo parece, nunca mais.

Meu Deus, eu estou igual ao computador!

Um bom analista faria misérias com essa metáfora.


25 de abril de 2011

wild nights


Há muitos e muitos anos, eu era uma assídua frequentadora da noite porto-alegrense e tinha os meus dias de living la vida loca. Solteira, descompromissada, jovem e bonita (cof, cof) me divertia horrores com minhas amigas. Saía de casa com a certeza de que qualquer coisa poderia acontecer e isso era pura adrenalina. Adorava a sensação de não saber quem eu encontraria, quem eu não encontraria, como e com quem eu voltaria para casa (voltava sempre de carona ou de táxi), quais seriam os babados...

Pois bem que não saio mais a noite, mas me dei conta de que nada mudou. As noites aqui em casa são pura adrenalina. Eles jantam, brincam um pouco, tomam uma mamadeira e dormem. Será que vão reclamar muito até pegar no sono? Que horas acordarão para a primeira mamada da noite? Quantas serão? Uma, duas ou (por favor não) três? Acordarão de madrugada querendo brincar? Despertarão depois das 07hs?

Ainda que existam outras versões para o significado da expressão 'a noite é uma criança', sei bem que o que quer dizer é que delas pode se esperar qualquer coisa. Sempre gostei de emoção, mas no quesito 'noites com bebês' preferia que minhas noites de sábado fossem como reprise de filme com a Julia Roberts: doce, tranquilo, previsível e sem grandes sobressaltos. Por que a gente tem como saber quando desligar o modo adventure na vida, não é? Não é meninos?


PS1: Alguém mais já teve a certeza de nunca mais dormiria uma noite inteira na vida? E o mais importante: isso se confirmou?

PS2: Tenho certeza que se houvesse uma mulher/mãe nos Beatles, a música seria It's been a hard night's day. Ah, como seria...

19 de abril de 2011

frase do dia

Se correr a culpa pega, se ficar a culpa come.

Porque dela, minha amiga, não tem como fugir.

Ou tem?
Lista para presentear na Páscoa:
  • professoras e auxiliares
  • babá
  • empregada
  • vizinha do lado
  • vizinho de baixo
Sacaram por que os vizinhos ganharão chocolate esse ano, né?

18 de abril de 2011

amor de mãe de dois


Acho que qualquer criança que tenha irmãos um dia pergunta pra mãe quem é o filho preferido. Me lembro que eu e os meus irmãos perguntávamos isso de vez em quando. A resposta que recebíamos? Gosto dos três igual. Imaginava que minha mãe sentia sempre a mesma coisa pelo três filhos, o tempo todo. Algo linear, homogêneo e previsível.

***

Esses dias estava ninando um dos meninos e me dei conta que naquele momento ele era tudo o que mais importava para mim. Não que eu gostasse mais dele do que do irmão. Nada disso. Mas naquele momento ele era tudo. Então eu compreendi que quando a gente gosta de todos os filhos igualmente, não é igual o tempo todo. A gente intercala 'a coisa mais importante' a cada microsegundo. A gente gosta mais de um por suas peculiaridades e mais do outro por aquilo que só ele tem. E esse amor é superado a cada instante num movimento intenso, ininterrupto e inesgotável em uma lógica que a matemática não compreende. 

15 de abril de 2011

uma questão de escolha


A convidada de hoje é uma amiga que deixou de ser virtual e se tornou real. Mãe da Luísa e da Rafaela, jornalista e autora de um dos blogs mais legais sobre maternidade, o Projetinho de Vida: Roberta Lippi. Em mais um de seus textos inspirados (e inspiradores) ela fecha com chave de ouro a blogagem coletiva sobre Maternidade Real.


Rô e as meninas


* * * * *

Por Roberta Lippi

Interessante o efeito que essa blogagem coletiva sobre maternidade real causou sobre algumas pessoas e também sobre mim mesma. Quando a gente para pra pensar, acabamos refletindo sobre algumas coisas. Diria que ando mais tranqüila em relação às minhas convicções e me culpando um pouco menos. Não significa que eu não procure sempre melhorar e que eu não esteja aberta a aprender. Evidentemente, essa é uma busca constante. Mas também estou aprendendo que, a partir das informações que tenho e que continuo sempre procurando, posso fazer minhas escolhas. Eventualmente, voltar atrás e mudá-las também.
Como disse muito bem a Lia nesse post, é a nossos filhos que devemos prestar contas, e não a terceiros. O que estamos escolhendo hoje irá formar a base do que eles serão no futuro, vejam bem que responsabilidade. Sim, opiniões são sempre bem-vindas e está ao nosso critério incorporá-las ou não. Tudo depende dos nossos valores, do nosso estilo de vida, da forma como educamos nossos filhos. O importante é nos respeitarmos e respeitarmos também as escolhas alheias.
Cesárea, parto natural, com anestesia, sem anestesia, cama compartilhada, quartos separados, amamentação prolongada, necessidade de complemento, com babá, sem babá, deixa chorar, não deixa chorar, dá colo o tempo todo, não dá colo pra não viciar, deixa comer doce de vez em quando, não deixa comer doce nunca, deixa ver TV, só deixa ver DVDs, gosta de Xuxa, odeia Xuxa.
Respeitemos as escolhas e necessidades alheias. Podemos dar nossas opiniões e mostrar os caminhos que acreditamos ser os melhores, mas precisamos ter cuidado com julgamentos ou generalizações. Não precisamos aumentar a carga de culpa das mães que não tiveram opção ou informação. Se agora elas estão buscando, que maravilha! Vamos transmitir a elas o que já aprendemos e orientá-las a buscar as informações para, a partir de agora, poderem fazer suas escolhas de forma mais consciente.
Mas isto não significa que não possamos nunca nos indignar. Podemos e devemos, sim, nos rebelar contra atitudes que ferem a infância e os direitos das crianças. Contra atitudes que ferem valores como respeito, amor ao próximo, igualdade, honestidade. Contra atitudes que demonstram que pais estão mais preocupados com o consumo e aparências do que com o amor. Esses pais, sim, precisam de um chacoalhão. E precisam logo correr atrás de informação antes que suas escolhas transformem seus filhos em monstros, delinqüentes e praticantes de bullying.

14 de abril de 2011

mães de bebês de um ano


Semana passada a Anne fez um post super legal sobre bebês de um ano (aqui). São criaturinhas que cresceram e que se tornaram irresistíveis. Mudaram tanto! Pensando sobre isso, me dei conta que mães de bebês de um ano também são completamente diferente de mães de recém-nascidos.

Quer ver?

- Mães de bebês de um ano conseguem terminar o almoço antes de trocar a fralda do bebê que resolveu fazer cocô durante a refeição.

- Mães de bebês de um ano sabem que não tem problema se a criança cai e chora (isso acontece a cada 5 segundos).

- No parque, mães de bebês de um ano sabem que bituca de cigarro e pedrinhas são ítens proibidos de brincar, mas folhinhas estão liberadas (só não podem engolir).

- Mães de bebês de um ano não fazem escândalo quando o pai insiste em dar para o bebê alimentos proibidos.

- Mães de bebês de um ano consideram qualquer item de plástico brinquedo. Isso incluí coadores, conchas, colheres, espremedores de frutas e potes em geral.

- Mães de bebês de um ano não esterilizam mais nada. Por quê, se a criança põe tudo o que é sujo na boca?

- Mães de bebês de um ano compreendem que aquele bebê irá crescer e aproveitam cada momento!

13 de abril de 2011

outra sobre irrealidade



porque eu simplesmente não aguento ver a Gisele faxinando de Louboutin.

Imagem daqui.

12 de abril de 2011

estoy aqui


Então que depois de cinco dias e quatro noites fora, voltei. Não foi muito fácil ficar longe tanto tempo (terça-feira eu tava bem tristinha), mas a carga de trabalho pesadíssima e os vinhos me ajudaram a não pensar muito sobre isso. Durante o tempo que estive viajando trabalhei das 07hs - 17hs com meia hora de almoço. Entrevistei mais de 50 pessoas. Em espanhol. Imaginem como estava minha cabeça. Com certeza bem pior do que normalmente é.

Fazendo uma avaliação, a viagem valeu muito. Tive minha primeira experiência internacional em projetos, aprendi sobre uma área que não domino (aliás, não entendo nada) e pratiquei espanhol. E realmente me dei conta que preciso de um professor para estudar a língua a sério pois fiz feio. Voltei morrendo de saudades, mas feliz com a minha escolha de ter ido e de seguir investindo na minha carreira.

E tive a recompensa que só é dada às mães que viajam e ficam dias longe: chegar em casa com um nariz 'desacostumado' e sentir o cheirinho deles. Indescritível.


e tem coisa melhor que voltar?

11 de abril de 2011

viu só? você não é a única!


A blogagem coletiva foi um sucesso. Pela minha contabilidade 62 blogs fizeram posts sobre maternidade real, falando sobre como é ser mãe de carne e osso (lista aqui). O assunto bombou na blogosfera e eu tive o maior número de acessos em um único dia desde que o blog existe - 695.

Mas muito mais importante que os números que demonstram a repercussão da blogagem, são os comentários que mostram o quanto foi importante para algumas mães. Algumas se sentindo aliviadas por compartilharem problemas, outras por saberem que não foram as únicas a tomarem determinadas decisões. Narrativas de que a blogagem valeu por uma terapia e pessoas tão mobilizadas que não conseguiram escrever.

Valeu.

Em tempos em que se fala de cyberbullying e é preciso estabelecer regras de convivência na blogosfera, que maravilha poder participar de um movimento que faz o bem. Não interessa quantas pessoas atingimos, acredito que se transformamos uma pessoa foi válido. Somos todas humanas, erramos e acertamos.

Infelizmente, ainda não consegui ler todos os posts, nem retribuir os comentários no blog ou mensagens de novos seguidores. Aliás, isso não é de agora. Já faz bastante tempo que comento muito pouco, quase não visito novos seguidores e passo por mal-educada. É verdade que tenho que me desculpar, mas eu não consigo fazer tudo como eu queria, mas eu faço o melhor que posso. Sabe como é, eu sou uma pessoa real.


Update do número de participantes da blogagem coletiva: 92

8 de abril de 2011

a construção da irrealidade


Pensando sobre o que escrever, me dei conta de o quanto meus posts são 'maternidade real'. Ao contrário de muitas mães, não criei ou mantenho o blog como um registro para meus filhos quando crescerem, mas o uso para extravazar uma necessidade de escrever e de registrar o que se passa comigo. Como fazer algo de especial para a blogagem então?  

Em mais um de meus devaneios, me peguei a pensar nas mensagens que nos são transmitidas no dia-a-dia sobre o que se espera da maternidade. Não sou publicitária ou jornalista (vou adorar comentários técnicos!) mas realmente acredito que quando lançamos uma propaganda ou fazemos a capa de uma revista, por exemplo, informamos como as coisas devem ser. Ao mostrarmos uma imagem comunicamos o que é o padrão de um grupo, normatizamos e geramos expectativa. Uma imagem em uma mídia nunca é apenas uma imagem. Mostra como a sociedade se comporta e como deve se comportar.

E como a mídia se dirige às mulheres? O que os veículos comunicam às mães? Na minha opinião um pouco dessa 'irrealidade da maternidade' que vivemos começa ai. Há uma lacuna enorme entre o que é mostrado e entre a realidade de fato.

Você não se parecerá com elas no pós-parto.

Veja por exemplo os anúncios acima, de cinta pós-parto. Sim, os dois são de cinta pós-parto. Acho a primeira foto super bonita, mostra uma mulher com sutiã de amamentação e cinta bem maquiada, escovada e de salto. Poderia colocar um tubinho e ir para o escritório, não é? Se parece com você logo depois de ter filhos? O segundo exemplo é ainda mais desconectado da realidade, pois mostra uma cinta-corpete-sexy, que é tudo o que você não vai precisar quando sair do hospital, acredite. Que tipo de informação essas imagens nos mostram? Que mesmo no pós-parto a vida (e o corpo) permanecem iguais, concorda? 


Nem com ela.


A avalanche de famosas buscando o corpo magro perdido em tempo recorde também transmitem e reforçam a idéia irreal de que pouca coisa muda para a mulher quando se torna mãe. Não há o tempo do resguardo, do voltar-se para a cria e não se preocupar com o mundo exterior. Sabe-se que esse tempo não é nulo ou perdido, pois é quando o vínculo com os filhos se constrói. É necessário. Como então vemos Adriane Galisteu dois meses após o nascimento de seu filho magérrima na capa de uma revista? Será que ela estava usando conchas de amamentação por baixo do biquini?

Que violência é essa contra ela e o filho que não pode dar-lhes tempo para se curtirem, não a deixa parar de pensar no corpo e obriga-a a responder demandas externas? Quem alimenta esse círculo e compra esse tipo de informação? De que forma estamos todas implicadas nisto quando folhamos tal revista para ver se ela de fato voltou à boa forma?


Seus gêmeos darão trabalho.

A maternidade irreal começa cedo. A expectativa de ser uma mãe perfeita, paciente e pura se impõe desde a saída da maternidade. Irritar-se, cansar-se e precisar de um tempo para si não são atos esperados para uma mãe. O que dizer sobre a fala da Giovanna Antonelli sobre as filhas gêmeas: 'Elas não dão trabalho!' (aqui)? Sinceramente, compreendo como gêmeos podem não dar trabalho. A conta é clara: duas fraldas a cada três horas, peito ou duas mamadeiras a cada três horas, dois banhos por dia e brincadeiras para distrair duas crianças. Isso não é trabalho? 

Que pressão é essa para sermos perfeitas? Que tal falarmos sobre nossas imperfeições e sermos mais felizes? Topas?
    
Outros blogs participantes da blogagem coletiva:

Sinapse Feminina
Lilata e os gatos
Se for assim, tá bom!

6 de abril de 2011

valendo um alfajor

O que faz uma mãe na Argentina?

...

...

...

Vai no supermercado aproveitar a promoção de lenços umedecidos!

Fala sério: 70 toallitas húmedas Johnson por 8,79 pesos (menos de 4 reais) é pra se jogar, né?

5 de abril de 2011


esqueci a pulseira preferida, o carregador de bateria, a bota para frio, a acetona, a camisa listrada, de pegar a mala boa.

deixei meu coração.

nunca pensei que eu pudesse fazer uma viagem faltando tanta coisa. 

4 de abril de 2011

sobre morar longe


Semana passada uma jornalista me procurou para falar sobre como é criar os filhos longe da família (para ler reportagem clique aqui). Confessei que não é fácil. Não apenas por não ter braços extras para ajudar com os meninos, mas, e principalmente, pela ausência do convívio com a grande família no dia-a-dia. Convivência com a avó que mima, com o avô que tem uma coleção de carrinhos, com tios que ensinam malandragens e com uma prima que fala catalão tão bonitinho que todo mundo se derrete.

Fui criada no meio de uma família enorme, com todos os quatro avós vivos, um monte de tios, tias e primos, tanto por parte de mãe quanto de pai. Todo mundo muito próximo, dormindo ora aqui e ora ali, almoçando junto no domingo e veraneando em Capão da Canoa. Delícia. Aqui em São Paulo somos só nós quatro. Claro que vamos a Porto Alegre com alguma frequência e eventualmente recebemos visitas, mas isso é a exceção, não a regra. Realmente sinto pelos meninos não terem o 'familião' mais perto, esse bando de gente boa que vai mostrando como as coisas são feitas e o que pode ou não pode. Transmite a cultura, sendo sintética.

Além dos valores da família em si (única), passa também os valores regionais, muito mais amplos. Acho São Paulo ótima, mas não é a cidade na qual fomos criados e da qual carregamos um enorme pacote cultural. A tradição gaúcha é forte e sinto que se não aprenderem 'O Pezinho' ficará uma lacuna em suas vidas. E, sinceramente, não sei como fazer isso à distância. Como ensinar o que é o 20 de setembro, tomar chimarrão, falar tu e torcer pro Inter de longe? Sinceramente, não sei. Sinto muito por não ter a família por perto para ajudar nessas transmissões também.

PS: para quem não conhece a dança do Pezinho, clique aqui. E no RS, isso se aprende na escola.

* * * * *

Ainda sobre a distância, se a postagem programada funcionar, no instante que esse texto entrar no ar estarei embarcando para a Argentina para trabalhar no meu primeiro projeto internacional (lembra que falei aqui?) e ficar um número recorde de noites longe dos meninos: quatro. Me faço de forte, mas o coração tá apertado.

1 de abril de 2011

sorteio produtos MAM

Pensavam que eu tinha esquecido, né? Rá!

* * * * *

O sorteio foi feito através do http://www.random.org/.

Cada inscrita recebeu um número:



And the winner is...

True Random Number Generator Min: Max: Result: 50 Powered by RANDOM.ORG

Aos 45min do segundo tempo, a vencedora é a última inscrita, Renata Cardoso!

Renata, parabéns, em breve te mandarei um email para combinar o envio dos produtos!

voltando a voar...


A convidada de hoje é uma amiga muito querida, conhecida de longa data desde os tempos de Nhu-Porã. Mulher do comandante Mentz e mãe do Henrique, foi minha parceira de estágio em psicologia clínica, colega de formação em psicoterapia e amiga nesses momentos e em muitos outros. Com vocês, a Lu O.


o trio, voando

* * * * *

Por Luciana Oliveira

Quando recebi o teu convite, Carol fiquei muito feliz. Logo que terminei de ler o e-mail vi que tinha uma sugestão sobre o que escrever. Sugestão essa que me agradou muito, pois ao lê-la, numa fração de segundos me passou exatamente a sensação de tudo que tenho vivido esses últimos meses.

A idéia era então desenvolver alguma coisa sobre ser mulher de um piloto comercial, mãe de primeira viagem, profissional e ainda da relação do meu pitoco com esse pai que ora está e ora não...

Voltando a voar surgiu na minha cabeça porque acho que depois de um turbilhão de mudanças, além do Mentz, eu também estou voltando a voar.

Convivia com o meu marido há 10 anos e tinha nosso primeiro filho há um ano quando ele tomou a seguinte decisão: vou voltar a voar. Que paradoxo de sentimentos! Ver a pessoa que se ama desejosa de literalmente voar e ao mesmo tempo ver a rotina de vida que até então vinha de um jeito, ameaçada de modificar-se instantaneamente. Felicidade e tristeza passaram a se misturar dentro de mim todo o tempo, porém não imaginava que a empresa lhe chamaria tão rápido.

Para minha surpresa, dois meses depois da decisão ele foi selecionado por uma companhia aérea e três meses depois lá estava ele sendo contratado e partindo para um curso que durava oito semanas em outra cidade, sendo que voltava no sábado ia no domingo.

Foi....como eu disse antes, feliz e triste.

Preocupada com os sentimentos do meu filho e com o nosso amor. Confio nesse amor, mas seria hipócrita se não dissesse que sinto medo e que, principalmente nas duas primeiras semanas, sofri. Minha amiga, sofri muito.

Foi um luto pelo tempo de casamento onde ele estava aqui todas as noites, vinha almoçar, os feriados e festas eram programados, a cama quentinha, a disputa pela coberta e principalmente a presença concreta na construção dessa nova pessoa que trouxemos ao mundo que é o Henrique.

O Henrique sempre teve uma rotina de sono muito boa, mas nas duas primeiras semanas passou a acordar e não querer mais dormir. Antes de dormir ficava chamando o pai, e aquilo fazia com que a minha saudade se duplicasse. Eu chorava baixinho para ele não ver, mas como estava doendo.

Bom, hoje faz oito meses que tudo isso se passou. É quase uma gestação e o que estou me dando conta é que precisei desse tempo para literalmente nascer para essa nova história da nossa vida!

Voltando um pouquinho ao passado, conheci o Mentz dentro do cenário da aviação. Ele era piloto, instrutor do meu irmão e eu estava na formatura dele.

Foi assim que me apaixonei por esse homem que tem sonhos, que sempre buscou o que quis e que, principalmente, tem coragem de uma decisão tão difícil, mas mais do que necessária: ir atrás do seu sonho!!! Sei que ele também sofreu e sofre com essa mudança, pois nossas escolhas de forma alguma são constituídas só de ganhos.

O que dizer do Mentz, principalmente como pai: mega presente, faz e fazia tudo com o Henrique. Banho, trocas de fraldas, fazia dormir, remédios na madruga, acordava de noite...Enfim, paizão!!!

Ele continua tudo isso quando está aqui, sou e estou feliz por que estamos conseguindo, mas o Henrique ainda não conseguiu concretizar essa rotina dentro dele.

Pergunta do pai no mínimo 20 vezes por dia, olha pro céu, faz barulho de avião e gesticula com a mãozinha o avião fazendo a curva.

Qualquer barulho na porta ele acha que o pai chegou.

Olha-o pelo skype e ainda fica confuso de como o pai está ali...

Fala sudade... Sabemos todos que ele precisa de tempo, mas tem muita ligação mesmo a distância.

Com o decorrer dos meses fui me dando conta que a relação, claro que ia se modificar, mas que mesmo longe ele estaria presente. E que poderia estar perto, mas ausente como sabemos que acontece com muitos.

Quando a ligação é forte e verdadeira, ela pode se modificar, mas o vínculo permanece.

Eu continuo sendo mãe e profissional. Com mais tarefas, lutando para equilibrar as demandas, com as culpas e com os sentimentos de querer dar conta de tudo. Estou melhor, mas confesso que tenho muito a aprender.

Estou engatinhando...

Juntos já viajamos e nos divertimos muito! E espero fazer muito mais...

Me peguei pensando que estamos fazendo coisas que jamais faríamos se tudo que contei não tivesse acontecido. Que coisa boa, escrevendo uma nova história.

Voltando a voar...