29 de julho de 2011

o dia em que me percebi cautelosa



Sempre fui corajosa. Mais do que isso, sempre gostei de fazer coisas diferentes e estar em situações que para a maioria das pessoas são problemáticas. Gosto de trabalhar sob pressão, de assumir riscos e de lidar com o inesperado. Gosto de ir para lugares em que a maioria das pessoas passaria longe, de explorá-los e conhecê-los bem. Conheço o Pará, o interior de Sergipe e o Rio de Janeiro. Tô brincando.

Herdei isso do meu pai, com certeza. Quando ele tinha 16 anos decidiu com mais 2 amigos que iriam conhecer a floresta amazônica. Detalhe: moravam em Porto Alegre. Meu pai então avisou a minha avó, que não deu muita bola, mas no outro dia não encontrou mais o filho em casa: tinha ido viajar. Passou 50 dias viajando de carona, dormindo onde dava, comendo quando tinha dinheiro. E até hoje ele conta que foi a melhor viagem que fez na vida.

Já eu, nunca viajei sem um cartão de crédito, mas independente de onde estava, sempre tirei um bom tempo para caminhar, conhecer a cidade e as pessoas. Me meter em roubadas e sair delas. Quando fui a Veneza com minha irmã, nosso programa preferido era nos perder. Caminhávamos um tempão no meio daquelas ruelas só para termos que sair e dar chance ao inesperado de nos surpreender. Porque Veneza não acontece na Piazza San Marco.

Obviamente, quando tive a oportunidade de ir à Bolívia, não tive dúvidas: só se for agora! Acontece que estava numa área de fronteira, onde tráfico de drogas e desvios de carros roubados era o que mais tinha. Uma versão hardcore da terra de Evo Morales. Mulheres com longas collas e cerveja Paceña rolando dia e noite. Em outros tempos passaria o dia fotografando.

Mas a maternidade instala em nós uma sirene, um sinal de alerta e cuidado, do dever da responsabilidade de criar alguém que depende da gente. E eu não consegui fazer nada do que faria antes. Fiquei com medo, não quis desbravar a cidade, me mantive segura. Me estranhei e percebi como fui transformada de um modo silencioso, intenso e profundo.

non-go area for mothers

7 comentários:

Carol Garcia disse...

POIS É CAROLA...
ontem mesmo conversando com sobrinha e amiga, ambas de 16 anos:
- vc vai no bungee jump???
eu, toda tímida:
- até iria, em outros tempos. ser mãe, meninas, me deixou super cagona.
e lá ficaram elas, de olhares perdidos, pesando sabe-se lá o que da vida...
bjocas

Larissa Xavier disse...

isso que é declarar amor aos filhos, afinal vc não faz as coisas que te arriscam por eles, para eles... que lindo... ! eu sempre fui cagona (com o perdão da palavra) acho que agora mãe então sou sei la o que, louca talvez rsrsrs...

bjocas

Priscilla Perlatti disse...

Te admiro. Gosto de explorar, mas dentro dos limites seguros. Sou meio cagona, admito.
Bjos

Mariana - viciados em colo disse...

aff, se eu já era medrosa, depois da materidade virei nem-sei-o-quê!
beijoca

Celi disse...

Que bom que pode curtir um tanto dessas aventuras antes de ter seus filhos.
Confesso que também fiz muita coisa, mas depois que tive filho... repensei, repensei muito o modo de vida que tinha e onde gostaria de viver com meus filhos. Tanto que não é a toa que mudei para a Alemanha. Já estava com um medo danado de tudo, de sair a noite, sei lá... meio paranóica.
Mas morro de saudades!!!
Beijos

Rafaella disse...

Deve ser legal sair e fazer uma viagem dessas como seu pai fez...
Mas relmente, quando viramos pais, não é qqr programação que fazemos...
Mas quando escolhemos um, exploramos ao maximo...

Eduarda disse...

Nem a propósito!
Sabes este fim de semana fomos visitar a "Feira Medieval" aqui perto da minha cidade e existiam várias actividades e jogos para crianças e adultos todos a retratar a Idade Medieval, o meu filho com 4 anos quis participar em todos de uma forma destemida e ainda pediu ao pai para o acompanhar nos jogos para os maiores. Eu que me considero destemida fiquei orgulhosa do meu rebento.
Espreita eu coloquei fotos da visita no meu blog
http://dadinhahistorias.blogspot.com/
é interessante.
Bj
Boa semana
Dadinha :)