4 de novembro de 2010

Nem santa, nem louca



Queridas Natália, Roberta Lippi, Carol Garcia, Dê Freitas, Kah, Anna, Isabela e Diego, (Mamãe) ~Pinel, Miguel...Presente de Deus, Sarah, Anne, Silvia Azevedo, Naiara Krauspenhar, Dani Lopez Garcia, Luciana, Renata, Pâm, A Mamãe do viajante, Nine, Fabiana, Coisa de Mãe, Beta, a mãe, Tatiana Menezes, tititidapietra, Mariana - viciados em colo, Vivian, Mamãe Livia, Rafaela, Carol P, Coisas de mãe, Mariana, Dione, Bia, Camila e Celia na Italia,

Muito obrigada pelos comentários no post abaixo. É confortante saber que não sou a única a não dormir e, principalmente, a ficar irritada. Como é bom ouvir outras pessoas falarem que também não têm paciência e que aguentam o tirão pensando na Birkin que comprarão na crise de meia idade do marido, com o cartão de crédito dele (adorei A Mamãe do Viajante!).

Confesso que fiquei um tanto impressionada com a quantidade de pessoas que compartilharam que passam ou passaram pelas mesmas coisas que eu pois, sinceramente, não costumo ler muito sobre isso. Claro que todas falamos sobre as noites em claro, mas é difícil assumir que nos irritamos com nossos filhos.


Madonna del Libro. Botticelli, 1481. Definitivamente, eu não me pareço com ela.

Costumamos registrar o lado bom da maternidade e talvez até idealizar essa vivência. Logo após o nascimento dos meninos perguntei para minha prima Bambam, que tinha tido um bebê 10 meses antes de mim, porque ninguém falava como realmente era ter um (ou mais de um) recém-nascido em casa e a resposta dela foi muito direta 'As mulheres são muito competitivas. Ninguém fala sobre o que não está bem ou assume que é difícil ser mãe'. Na hora me pareceu uma resposta brilhante, mas hoje penso que temos a síndrome da Virgem Maria.

Pura, santa e paciente, é de certa forma aquilo que temos como a mãe ideal. Abre mão de sua vida para acompanhar Jesus na sua missão (ei você que parou de trabalhar!) e aparece sempre como coadjuvante do filho. Me faltam conhecimentos históricos/ bíblicos para aprofundar a questão, mas faz um pouco de sentido, não é? Em uma cultura fortemente influenciada pelo catolicismo, quem mais poderia ser a mãe ideal? Maria nunca se irritaria com Jesus e nem se incomodaria em acordar milhares de vezes durante a noite, embora isso lhe conferisse um ar apático e um olhar que não era direcionado ao filho, embora ele a busque na tela de Botticelli. E olha que ela era santa.

Se alguém tiver formação/ conhecimento teórico para aprofundar essa discussão e quiser publicar no blog, manda o texto! 

21 comentários:

Mariana - viciados em colo disse...

Eu sempre disse que ia publicar uma série chamada porque ninguém nunca me disse isso... Acho que se dissessem eu não teria filho. Só que todas essas irritações valem à pena, e talvez cada sorriso banguelo apague um percalço que a gente passa... hum não sei... eu sempre falei de tudo, mas penso também que não tenho muito o que reclamar, sabe? então acho chato, muito chato, fazer posts e mais posts sobre o lado B da maternidade... é claro que tem horas que a gente explode, que expõe dilemas e fraquezas (olha o tag dilema lá no blog!).

Também porque o blog é um registro: pretendo imprimir o blog e deixar para eles... seria chato ler o quanto me chateavam... rsrsrs...

Fique bem - não quero o peso de ser a santa, prefiro a louca!

Adriana Alencar disse...

Eu não sou a mãe ideal, vivo reclamando o quanto me canso com os meus filhos, que tem apenas 20 meses de diferença, mas nem por isso deixo de amá-los e não trocaria ser mãe por nada. Temos de lembrar que somos seres humanos e não máquinas...
Bj
Adri

Carol Garcia disse...

Pois é, Carola,
ser mãe é viver na linha tênue entre a sanidade e a santidade. Eu nunca havia pensado em santidade, mas cabe sim a realidade materna.
filhos irritam sim, haja pciênciammmmmm pra aguentar a rotina sem estress ou chateção.
o ser humano é cheio de falhas e vontades desde que se descobre como tal.
não culpo meu filho, nem o filho de ninguém, mas somos feitas de carne e osso, e como alguém já disse, muito sentimento, não dá pra ficar na inércia diante de tanta novidade, vontade, personalidade.
Me irrito, nunca escondi isso, nem vou esconder do isaac que ele me tira do sério, me faz chegar no limite.
o que nos difere de nardonis e afins é que sabemos o que se passa. nos irritamos mas amamos, nos irritamos mas educamos de maneira consciente. temos momentos de alegria até nomeio da irritação. e isso tudo sem ser completamente louca. isso tudo que faz parte do ser mãe.
adorei a comparação com a Madonna.
sou sua fã.
bjo bjo bjo

Sarah disse...

Com certeza Carol, a maternidade é idealizada, assim como a amamentação. Parece tão fácil! Culpa também da publicidade, que sempre mostras mães felizes, lindas, calmas, magras, super dispostas, mesmo com a filharada a tiracolo.
Mas na prática vemos que há dificuldades - e muitas. Também me perguntei várias vezes por que ninguém me contou antes que era tão cansativo. Apesar que, mesmo sabendo, teria meu filhote da mesma forma... só idealizaria menos e teria mais consciência do que viria!
beijo!

Mariana disse...

olha, quando eu conto as coisas para as futuras mamaes, elas nao acreditam e me tiram para incompetente. desisti a anos.
e outro dia tive a mesma ideia da marian do viciados em colo, vou imprimir o blog pro filhote ler.
beijoca.
mariana do diario da mariana

Pâmella disse...

Amadaaaa, vc disse tudo!!!!! Síndrome da Virgem Maria!! É isso mesmo!!! Adorei...

Beijosssssss

Grace disse...

aMEI, FLOR!!
é ISSO MESMO!!
UM BEIJÃO

Anne disse...

Ah, Carol.... essa coisa de ficar idealizando a maternidade em público é um mecanismo de perpetuação da espécie instalado pela mãe natureza nó DNA da mãe blogueira: se a gente falasse a verdade nua e crua, em questão de décadas ninguém ia mais reproduzir, meu bem. Fim da raça humana!!!
Eu tb não "escondo" que me irrita, que saio do sério, que por vezes penso em fugir... minha mãe diz que a gente só tem o segundo filho, porque esquece da parte difícil do primeiro.(no seu caso, o terceiro filho, né??)
Relaxa, estamos todas no mesmo barco. E sim, sim, sim a influência Cristã no modelo de maternidade é um fardo para as mães "não perfeitas" como nós.
Não posso discorrer sobre o assunto, como toda boa agnóstica de meia tigela...
Beijosss
Anne
mammisuperduper.blogspot.com

Maria Thereza Pinel disse...

Na verdade, acho que ninguém conta porque as lembranças que ficam são as boas.
Eu mesma, dois meses depois que a Lara nasceu, nem lembro direito como fiquei nas noites em que ela chorava e eu não sabia o que fazer.

A gente filtra e acaba só lembrando das coisas boas. Mas é claro que a gente se irrita, sai do sério. Ontem mesmo eu me irritei, a Lara com tanta dor de barriga, o dia inteiro, desisti de tentar dar o peito à noite e dei mamadeira mesmo, e no bebê conforto, porque meus braços já não se aguentavam, se não tivessem presos no corpo, caiam. Sorte é que minha mãe ficou com ela um pouco, até eu me recompor!
Afinal, para isso servem avós, pais e outros, para nos ajudarmos a não surtar e acabar descontando nos pequenos, que não têm culpa, assim como nós também não temos!

Beijo!

Fabiana disse...

É Carol, como já disseram aí em cima, eu também tenho intenção de fazer do blog um registro do ínicio da vida do Gu então evito falar das irritações. Mas já escrevi que o Gustavo me tira do sério sim. E isto independe do meu cansaço. Me irrito sim. Às vezes a coisa é tão feia que ele está agarrado nas minhas pernas pra eu pegá-lo no colo e eu pego e levo para longe de mim, do outro lado da sala. Só pego de novo quando me acalmo. Enquanto isto ele chora...Não é fácil!
Mas também não sou do time que se culpa por qualquer coisa. Sei que faço o melhor que posso, que dou muito amor e carinho. Mas não sou de ferro, nem santa como vc disse.

E no dia a dia, com uma amiga que tem um bebê dois dias mais velho que o Gu, eu (e ela também) desabafo tudo o que tenho direito. Falamos das chatices dos meninos (porque nenhum bebê é um anjo de candura 100% do tempo né?), das noites em claro, da falta de paciência, reclamamos dos maridos, e por aí vai...

Sobre ninguém contar a real da maternidade, acho que tem muito a ver com o lance de ficarem só as lembranças boas, né? Minha mãe sempre diz isto, que eu vou esquecer as noites em claro, o cansaço, as irritações, as birras e só vou lembrar dos sorrisos, dos primeiros passos, das chamegos, das gracinhas, etc...

Bem é isto. Quero dizer que adorei os dois posts, que estou no mesmíssimo barco que você (com a diferença que só tenho 1 pra cuidar) e que desejo que em breve a gente possa fazer em mega encontro de blogueira, tomar umas boas taças de vinho e como toda boa mulher de pilequinho, rir de tudo isto como se não houvesse amanhã.

Bjos

Dê Freitas disse...

Carol,

Concordo com a mamãe Pinel, que nós ficamos apenas com as boas lembranças e assim como disse a Mariana, também registro no blog para que no futuro a Manuela leia e por isso, ficar só reclamando não seria legal e nem é o caso, pois ter filhos é sim maravilhoso. Mas ser maravilhoso não significa que tudo é perfeito.

As mulheres, não sei se por serem competitivas como disse sua prima ou para não "decepcionar" a sociedade que de certa forma cobra essa santidade, realmente passam uma imagem irreal. Esses dias mesmo fiquei muito irritada com uma colega que se tornou mãe recentemente. Toda vez que eu falava com ela, parecia que estava falando com a Pollyana (e olha que sou super a favor do otimismo). Ela dizia que a amamentação sempre foi tranquila, não tinha problemas de excesso nem falta de leite, os bicos não machucaram e nem era desgastante. Daí, falando sobre o apetite, dizendo que quando amamentamos sentimos uma fome danada (e eu mas pareço um morto de fome comendo, rsrs) e ela: Eu não, como praticamente obrigada, tanto que já emagreci horrores. Por fim, ela resolveu falar que a neném dela estava com umas bolinhas no rosto, os famosos eritemas tóxicos, que deixam a pele do bb meio grossa, vermelha e parecendo que está com espinha. Algo feio, totalmente fora do ideal da pele lisinha de bebê, mas que é super comum em RN e some com o tempo. Ela me disse o seguinte: Ai, ela tá com aquelas bolinhas, tadinha, dá um dó. Eu, que neste momento já estava irritada, respondi: Eu sei, a Manuela também teve. Dó não dá flor, até porque isso não dói, eles ficam é feio mesmo.

Puta merda, que mania as pessoas têm de maquiar as coisas. Qual o problema você reconhecer que fica cansada, que seu filho faz birra e você passa vergonha? Isso não te desqualifica como mãe e nem quer dizer que você ama menos seu filho.

Silvia Azevedo (@silvia_az) disse...

É verdade! Ninguém sai espalhando aos quatros ventos as dificuldades da maternidade... só às vezes (bem às vezes mesmo) alguém mais próximo conta algo mais sinceramente, dá uma dica realmente válida e a tempo de ser usada.
Digo isso porque minha prima me avisou logo que fiquei grávida o que devia e não devia fazer para tentar evitar que meus peitos rachassem. Não deu certo comigo... :( mas pelo menos eu fui avisada e tentei, né?

E é pensando em todas as difucldades que passamos é que perguntei a minha mãe uma vez: Mãe, COMO essas menininhas vão tendo um filho atrás do outro? - e minha mãe, sabiamente respondeu: Ah, minha filha, é que elas só pensam no prazer do antes e não criam nem educam, somente parem...

Celia na Italia disse...

Oi Carol
Alguém disse que a gente fica só com as coisas boas da maternidade. Não é o meu caso, lembro muito bem das noites mal dormidas, dos 10 dias que Eduarda esteve no hospital e que quase me fizeram desistir da minha vida profissional.
Não acho que tenhamos algo de Maria apesar de amarmos de forma incondicional nossos filhos.
Sei sim que acertamos e erramos todos os dias com eles e conosco tb.
Não sei a dose certa do dar limite, qdo o "não" é exagerado e qto a paciência, ela é sempre muito menor do que a Eduarda quer.
Portanto vc pode ver que de Maria eu não tenho nada >)

Renata disse...

Carol, para mim, o mais difícil foi no início, pois não estava acostumada (hoje, pasme! me acostumei a acordar e é mais tranquilo). Lembro que teve um dia que a Carolina acordava assim como o Raul, a cada três horas, mamava e depois não dormiua,...ela ficava com os olhinhos abertos, quietinha... aquilo me matava, pois não conseguia ir pra cama com ela acordada no berço... me batia a culpa,... lembro que olhava para ela e pensava " Dorme guriazinha!!!" (com aquele ar irritado!) Hahahhahahaha Me senti tão culpada que a peguei no colo na mesma hora e pedi desculpas,...kkkkkk Pode?
Mas é assim mesmo! Como li em um dos comentários do post anterior (nao lembro quem escreveu), essa coisa de culpa, sempre sentiremos, mesmo! Então, paciência,..faz parte...
Beijão!

Pati disse...

Carol, estava atrasada com os seus textos mas acabo de ler estes dois últimos.
Meu Deus, se eu que tenho só um fico um trapo com as noites mal dormidas, zumbi total durante o dia. Fico as vezes de mal humor até qdo ele não faz os cochilos durante o dia e eu estou precisando de pelo menos 10 minutos de silencio! Imagina vc com dois! tem todo o direito do mundo de sentir tudo o que sente!
Agora surreal esta tela que vc postou aqui, a Santa tá cansada, certeza, não dorme há noites e o menino Jesus está pronto para muitas brincadeiras!
Adoro seu jeito sincero!
E nao existe familia comercial margarina, graças a Deus!

Kah disse...

A gente já começou errado, Carol, Maria pariu virgem. hahahaha

Acho que todo mundo tem os dias ruim, péssimos, mas não se comenta porque, né?, passa.
Mas oh, muito corajosa você por expor a realidade!
Teve uma noite, nem lembro quando, que a Juh chorou a noite to-da. Eu não aguentava mais ficar em pé, embalava ela e as lágrimas escorriam de puro esgotamento.

Mas ainda bem que a maternidade não é só maravilhas, já pensou se fosse? O mundo não ia ter lugar nem para pulga! haha
Beijão!

Anônimo disse...

Nunca tinha ouvido essa teoria da "Virgem Maria", mas adorei!
Realmente é muito difícil falar sobre o quanto nos irritamos as vezes com nossos filhos porque parece que mães não podem fazer isso!!! Mas poxa, somos seres humanos E também somos mães então, é normal sentirmos coisas assim, ainda mais quando não dormimos direito, não conseguimos tomar um banho decente, comer tranquilamente...

E o bom de escrever sobre o que sentimos é que percebemos que muitas mães passam e SENTEM a mesma coisa. É reconfortante, neh, pois assim diminui um pouco a sensação de "péssima mãe" por ficarmos irritadas com os pequenos de vez em quando...

Estamos todas no mesmo barco! E somos ótimas mães! Principalmente pelo fato de nos dar conta do que sentimos e poder expressar esses sentimentos de outra forma!!!

Beijocas, Carol!

Tathy disse...

Nossa nunca tinha pensado assim.Mas é td verdade!!!Adorei o texto.
Bjs.
www.tatianastefani.blogspot.com

Ana disse...

Acordar sorrindo serelepe de madrugada pq o bebê acordou é só em comercial mesmo.
A gente perde a paciência sim. E muitas vezes.
Tomando conta de 2 então sozinha?
Vc não seria normal se não pirasse. Rs
Se fossemos santas estariamos no convento não é?
E além disso as freiras não tem motivos para se estressar pq não tem filhos. Rs
Beijos!

Cintia Grininger disse...

Carol, adorei ler seu post... desde que engravidei sigo vários blogs de mães, e me incomodava achar que todas as mães eram felizes, tinham maridos que eram perfeitos pais, filhos que só faziam gracinhas. Odeio levantar durante a noite e mais ainda quando a Letícia resolve madrugar e acordar às 5 da manhã (como hoje). Fico irritada, ela também (por não ter dormido o suficiente) e o mau humor só aumenta com o passar do dia. E - confissão de culpa total - nos finais de semana sinto falta da escolinha que me dá 4 horas diárias de sossego. Muitas vezes chorei de irritação e raiva, de arrependimento por ter deixado o trabalho pra ficar mais com ela (meu trabalho era muito longe de casa), e apesar de amar minha filha mais que tudo... sou humana, e a cada episódio desses morro de culpa e arrependimento, me achando a pior mãe do mundo (ou - horror dos horrores - me comparando com a minha mãe, de quem sempre jurei de pés juntos que seria completamente diferente!)
Vc não está sozinha, e se vale a comparação, fica aqui o relato de alguém que nem tem gêmeos, e cuja filha dorme a noite toda a maioria das noites...
Força, companheira! E repetindo o que me diziam durante os 2 meses em que a Letícia chorava o dia todo de dor de barriga, uma hora passa! e nós vamos ainda sentir saudades dessa época...

Cristina João disse...

Oi Carol,
Você, sua prima e algumas mães descobrem as dificuldades de ser mãe, mas a grande maioria exagera mesmo na ideologia.
Parabéns pelo post, maravilhoso como sempre!
Beijos,
Cris João.