29 de abril de 2011

mãe é a sua mãe!



A querida convidada de hoje é a Flavia Fiorillo, mais uma que sai do mundo virtual para se tornar uma amiga real. Autora do Mamãe sabe tudo, um dos blogs mais lindos que existem por ai, mãe da Matraca-Trica e do Fofoquinha, é jornalista e colabora com a Pais & Filhos e com a Vogue Kids.

família feliz!

* * * * *

Por Flavia Fiorillo

A gente se acostuma a quase tudo depois de ter filho. Se adapta, aceita, nem liga mais. Algumas coisas são difíceis de engolir, e essas a gente ataca com uma fúria acumulada de outros pequenos incômodos que não tivemos chance para nos concentrarmos e bater o pé na hora. Ser chamada genericamente de "Mãe" por estranhos é uma delas, no meu caso. Se levo Matraca-Trica* para tomar uma vacina, tem sempre uma enfermeira que diz "Mãe, por favor segure seu filho no colo assim assado". Se esqueço o balde na areia da pracinha, tem sempre alguém que me avisa "Mãe, você esqueceu o brinquedo".

Gente, eu tenho vida fora da maternidade. Eu tenho aspirações, tenho meus afazeres, minha personalidade, acima de tudo EU TENHO NOME. Se, em uma situação parecida não souber como me chamar, use a palavra que a educação manda: senhora (por mais velha que essa palavra me faça sentir). Quer me chamar por um apelido, tudo bem. Vou facilitar a vida e contar um segredo. Saibam todos, neste momento, que meu apelido oficial dentro de casa é: Lixinho de Pia.

Muito Prazer, meu nome é Flavia - não Mãe - mas pode me chamar de Lixinho de Pia. Na verdade deveria ficar, com esse apelido que me dei, tão ofendida quanto quando me chamam de Mãe, mas já que não consigo manter a silhueta pré maternidade, pelo menos mantenho o bom humor. Não posso reclamar da facilidade de perder o peso depois dos partos, a amamentação ajudou horrores. Um ano depois, me vi com as mesmas curvas da subida da serra do Rio de Janeiro. De novo. Tudo começou com a introdução da papinha de Fofoquinha.

Sobrou? Judiação, não vou jogar fora, certo? Três anos depois caiu a ficha de que não, não está certo. A gente se pega comendo qualquer resto de refeição das crianças, sejam lá lanches (no plural mesmo), almoço ou jantar. Mais tarde acompanhamos nossas caras-metade em refeições para adultos. Essa quantidade toda de calorias diárias que acaba em meu culote alimentaria uma familia de refugiados por uma semana. Em uma fazenda meu lugar seria no chiqueiro. A gente se sente culpada de jogar comida fora, talvez por ouvir durante anos que "Tem muita gente morrendo de fome e você aí, sem querer comer nada!". Essa era minha mãe. Agora repito a mesma frase para meus filhos (aiaiai). Para acabar com a dobradinha (hahaha, dobradinha!) culpa/culote e se livrar do apelido, só adotando um cachorro ou uma tênia. Amuse Bouche vai ser o nome, está decidido.


* Para quem não me conhece, chamo meus filhos e todas as crianças que menciono em meu blog por nomes de personagens de desenho animado. São minhas crias a Fofoquinha, nascida em 2002 e o Matraca-Trica, que nasceu em 2005.

10 comentários:

Giovanna baby!! disse...

Ilário...Estou no começo desta tragetória, de perder a minha própria identidade (perante aos estranhos), minha pequena tem 05 meses mas o mundo começa a girar em torno dela. E graças a Deus eu li a tua dica...Não vou comer o 'resto' das refeições dela: Muito obrigado! heheheheheehe

Angi disse...

ô mãe, desculpa, Flávia!brincadeira...
Ótimo texto, colocou no papel tudo que sempre penso, mas falta o dom de juntar as palavras certas, as vírgulas, tirar os palavrões e por aí vai!
YEAH,temos vida fora da maternidade, por mais que sejamos mãe em tempo integral(meu caso)!
YEAH, jogar comida fora é um desperdício, e sim tem muita gente passando fome no mundo(mãe é tudo igual mesmo), mas comer em dobro as refeições não é mole não, aqui em casa acontece o mesmo, e só me dei conta agora!Rááá!
Já que tenho gato, e não tô muito afim de adotar uma tênia, vou começar a colocar um pouco menos de comida, e se ele comer tudo, coloco mais depois!Boa idéia,né, como não pensei nisso antes!hahaha
beijos
e beijos para a Carol!

Sara Lima Saraceno disse...

SAbe que, no meu caso, eu adoooro quando me chamam genericamente de "Mãe" (como nas situações relatadas no post?)... sei que tenho váarias outras funções, mas essa é uma das que mais gosto!! rsrs!
E os coleguinhas de minha filha me chamando de "Mamãe de Lara"?? Fofo, fofo, fofo!!
Bjão
http://vivendoavidacomoelaeh.blogspot.com/

Aline, mãe da "Malia" disse...

No meu caso, desde q descobri que meu bebê era menina, desde então me chamavam de Maria Rita. Ficou assim por um bom tempo e eu achando engraçadinho, mas teve uma hora q acabou a graça e aí já mostrava que queria ser chamada pelo meu nome. Prazer, meu nome é Aline, mãe da Maria Rita. Bjs pras duas e um ótimo fim de semana!

Unknown disse...

adoro o blog da flavia, sou seguidora a muito tempo. adorei ver ela por aqui.
Parabens para as duas.
bj Carol P
www.motherlovedatabase.com

Dani Balan disse...

Adorei o post! Também fico irritada com esse negócio de mãe pra lá e prá cá em consultorios médicos.
Mas agora, eu me vingo. Me chamou de mãe, eu revido com: pois não enfermeira, sim pediatra. A conversa fica tão irritante que em menos de 10 minutos eles perguntam meu nome! Rá!
Beijo!
Dani

Anne disse...

Tb detesto q me chamem de mãe! E em prol da saúde e solhoueta tb abandonei o habito de ser lixinho de pia...
Haha!
Adorei ver a Flá e a galerinha aqui!
Bjos

Mariana - viciados em colo disse...

adorei o texto e vou correr para conhecer o blog.

também não gosto que me chame de mãe.

me lembrei de dona helena: ela tinha sete filhos e comia o restinho de todos, o resultado ó: (bota as mãos parelelas e faz um arco abrindo). aí quando as mães estão reunidas em almoços de família e alguma come um restinho, as outras gritam em coro: dona helena, dona helena...

beijoca para as duas

Ilana disse...

ODEIO ser chamada de mãe por qualquer pessoa que não seja meu filho. Concordo 100% com a Flavia - e adoro o blog dela, nem preciso falar, né?
Beijos pras duas!

Coisas de mãe disse...

AMO TODAS as referencias que a Flavia traz no blog dela, acho os ilustradores o máximo!. E tambem gosto muito quando ela escreve (críticas rsrsrs) sobre a maternidade porque o humor é otimo!

beijo pras duas

Pati