1 de abril de 2011

voltando a voar...



A convidada de hoje é uma amiga muito querida, conhecida de longa data desde os tempos de Nhu-Porã. Mulher do comandante Mentz e mãe do Henrique, foi minha parceira de estágio em psicologia clínica, colega de formação em psicoterapia e amiga nesses momentos e em muitos outros. Com vocês, a Lu O.


o trio, voando

* * * * *

Por Luciana Oliveira

Quando recebi o teu convite, Carol fiquei muito feliz. Logo que terminei de ler o e-mail vi que tinha uma sugestão sobre o que escrever. Sugestão essa que me agradou muito, pois ao lê-la, numa fração de segundos me passou exatamente a sensação de tudo que tenho vivido esses últimos meses.

A idéia era então desenvolver alguma coisa sobre ser mulher de um piloto comercial, mãe de primeira viagem, profissional e ainda da relação do meu pitoco com esse pai que ora está e ora não...

Voltando a voar surgiu na minha cabeça porque acho que depois de um turbilhão de mudanças, além do Mentz, eu também estou voltando a voar.

Convivia com o meu marido há 10 anos e tinha nosso primeiro filho há um ano quando ele tomou a seguinte decisão: vou voltar a voar. Que paradoxo de sentimentos! Ver a pessoa que se ama desejosa de literalmente voar e ao mesmo tempo ver a rotina de vida que até então vinha de um jeito, ameaçada de modificar-se instantaneamente. Felicidade e tristeza passaram a se misturar dentro de mim todo o tempo, porém não imaginava que a empresa lhe chamaria tão rápido.

Para minha surpresa, dois meses depois da decisão ele foi selecionado por uma companhia aérea e três meses depois lá estava ele sendo contratado e partindo para um curso que durava oito semanas em outra cidade, sendo que voltava no sábado ia no domingo.

Foi....como eu disse antes, feliz e triste.

Preocupada com os sentimentos do meu filho e com o nosso amor. Confio nesse amor, mas seria hipócrita se não dissesse que sinto medo e que, principalmente nas duas primeiras semanas, sofri. Minha amiga, sofri muito.

Foi um luto pelo tempo de casamento onde ele estava aqui todas as noites, vinha almoçar, os feriados e festas eram programados, a cama quentinha, a disputa pela coberta e principalmente a presença concreta na construção dessa nova pessoa que trouxemos ao mundo que é o Henrique.

O Henrique sempre teve uma rotina de sono muito boa, mas nas duas primeiras semanas passou a acordar e não querer mais dormir. Antes de dormir ficava chamando o pai, e aquilo fazia com que a minha saudade se duplicasse. Eu chorava baixinho para ele não ver, mas como estava doendo.

Bom, hoje faz oito meses que tudo isso se passou. É quase uma gestação e o que estou me dando conta é que precisei desse tempo para literalmente nascer para essa nova história da nossa vida!

Voltando um pouquinho ao passado, conheci o Mentz dentro do cenário da aviação. Ele era piloto, instrutor do meu irmão e eu estava na formatura dele.

Foi assim que me apaixonei por esse homem que tem sonhos, que sempre buscou o que quis e que, principalmente, tem coragem de uma decisão tão difícil, mas mais do que necessária: ir atrás do seu sonho!!! Sei que ele também sofreu e sofre com essa mudança, pois nossas escolhas de forma alguma são constituídas só de ganhos.

O que dizer do Mentz, principalmente como pai: mega presente, faz e fazia tudo com o Henrique. Banho, trocas de fraldas, fazia dormir, remédios na madruga, acordava de noite...Enfim, paizão!!!

Ele continua tudo isso quando está aqui, sou e estou feliz por que estamos conseguindo, mas o Henrique ainda não conseguiu concretizar essa rotina dentro dele.

Pergunta do pai no mínimo 20 vezes por dia, olha pro céu, faz barulho de avião e gesticula com a mãozinha o avião fazendo a curva.

Qualquer barulho na porta ele acha que o pai chegou.

Olha-o pelo skype e ainda fica confuso de como o pai está ali...

Fala sudade... Sabemos todos que ele precisa de tempo, mas tem muita ligação mesmo a distância.

Com o decorrer dos meses fui me dando conta que a relação, claro que ia se modificar, mas que mesmo longe ele estaria presente. E que poderia estar perto, mas ausente como sabemos que acontece com muitos.

Quando a ligação é forte e verdadeira, ela pode se modificar, mas o vínculo permanece.

Eu continuo sendo mãe e profissional. Com mais tarefas, lutando para equilibrar as demandas, com as culpas e com os sentimentos de querer dar conta de tudo. Estou melhor, mas confesso que tenho muito a aprender.

Estou engatinhando...

Juntos já viajamos e nos divertimos muito! E espero fazer muito mais...

Me peguei pensando que estamos fazendo coisas que jamais faríamos se tudo que contei não tivesse acontecido. Que coisa boa, escrevendo uma nova história.

Voltando a voar...

8 comentários:

Carol Garcia disse...

lindo.
sincero e cheio de esperança, não?
adorei.
injeção de ânimo pra esta mama aqui, cujo maridex está abraçando nova fase na carreira, onde tbm terei que dar voos solo em alguns dias...
bjo bjo

Carolina Pombo disse...

Poxa, Carol e Lu, foi muito bom pra mim ler esse texto. Penso que às vezes é mais fácil para os homens irem em busca de seus sonhos, quando temos filhos. Mas, ao mesmo tempo, lembro da Carol que trabalha viajando, fazendo o que ama, e sentindo-se feliz por conciliar maternidade e profissão. Eu quero voltar a voar, quero muito. Mas, ainda sofro com as mudanças que isso pode causar na minha família. Esse texro foi uma injeção de ânimo e realidade!

Obrigada!

Beijos

Mirys disse...

Lu:

Para quem já quis trabalhar viajando (eu!!!), só consigo me imaginar (e me empolgar) no seu lugar! Deve ser beeeeem diferente e vocês têm que fazer vários ajustes, mas BYE BYE MONOTONIA PRA ESSA FAMÍLIA!!!

Bjos e bençãos.
Mirys
www.diariodos3mosqueteiros.blogspot.com

PS: quando der, apareça para conhecer o nosso "Diário"! Será bem vinda!

Fabi Multifuncional disse...

Minha mãe criou 3 filhas com meu pai viajando todo mês, a trabalho. Foi difícil, mas ela deu conta do recado e ele como pai tb, pq sempre se fez presente em nossas vidas. Qdo estava em casa, era ele q nos preparava para a escola, q fazia nosso café, q levava, estudava conosco, um paizão. Hoje, eu com mais de 30 anos, meu pai continua viajando e qdo vou para a minha terra, ele ainda faz questão de estar em casa e preparar o café da família. E meus pais estão casados (e felizes) há 35 anos nessa vida de viagens!
Com amor e paciência, tudo se resolve!
Bjs, Fabi

Muito Criança disse...

Muito legal essa idéia de conseguir fazer amigas escrever no seu blog....adorei.
Ah hoje tem mais fotinho da princess agora no momento sentar aqui nesse meu novo e adorável espacinho....
a gente se ve também no face...

Monge Voador disse...

Sou amigo do Mentz desde os tempos de aeroclube. Nos separamos pelas decisões de vida, que puseram meu camarada na rota familiar e eu a viajar pelo mundo. Adorei o texto, mas sob um aspecto completamente diferente: o de voador que recebe de volta um companheiro.

É maravilhoso saber que depois de levar tantos tombos, um grande aviador não resiste e volta ao combate. Porque o gene da aviação é dominante, não tem jeito. Especialmente para aqueles mais talentosos, como ele, na arte de voar.

Tenho certeza que os 3 vão dar um jeito de lidar com a saudade, com as idas e vindas, pelo reconhecimento do brilho nos olhos do Mentz quando ele chegar em casa.

Seja bem vindo de volta, xiru!

Aoki Shop Brechó Infantil disse...

Comovente sua história. Não se preocupe com o o bebê pois ele precisa de qualidade de tempo com o pai e não quantidade. A minha vida inteira via meu pai somente aos fins de semana. Mas era sensacional, ele fazia tudo com a gente... E detalhe meus pais são casados e muito felizes há mais de 40 anos. Quando der dê uma passadinha para conhecer o meu cantinho..


Beijo

Estela Aoki
http://aokishop.blogspot.com/

Luciane Slomka disse...

Que bonito ler o texto que essa minha amiga tão especial escreveu. Conheci ela junto com a carol e nos nos cohecemos antes do mentz entrar na vida da nossa amada Lu O. Hoje, eu que acompanhei muitas fases dessa historia me emociono de ver minha amiga ter se tornado uma mulher incrivel, uma esposa dedicada, atenta e reflexiva e uma mae amorosa e inteira.

Admiro tua força Lu, tua sabedoria, tua calma. Tenho certeza de que tu tambem estas alçando teus voos e mais certeza ainda de que o Henrique vai se tornar um grande homem, um homem que aprendeu com os pais que uma pessoa tem que antes de tudo buscar os seus sonhos e sua realização.

Amo essa família toda!!!!

Beijos com muito carinho!

Lu S