16 de maio de 2011

mãe não nasce: se cria, se constrói e se transforma



Difícil falar da Tati, a convidada de hoje. A melhor amiga que já tive, que faz uma falta enorme na minha vida e de quem morro de saudades. Casada com o Bruno, um dos caras mais legais que conheço, grávida de quase 7 meses da Laura e professora de uma das melhores escolas de negócios do mundo. Tá bom?

Até estaria, mas não foi por isso que a convidei para escrever no blog. Como uma profissional muito bem sucedida, se questionou se queria ser mãe, adiou e finalmente tomou a decisão. Aqui ela compartilha conosco como está vivenciando tudo isso e quais são os dilemas que uma mulher que trabalha enfrenta quando decide se tornar mãe.

a família


* * * * *

Por Tatiana Weiss Ribeiro

Conheço a Carol há alguns anos, venho acompanhando o blog praticamente desde que começou, e admito que sou apaixonada pela maneira dela escrever. Na realidade, é como se eu estivesse conversando com ela, porque consigo enxergá-la em cada post, apesar do tempo que não nos vemos realmente.

Já de minha parte sempre fui um pouco reativa a certos aspectos relacionados à tecnologia, especialmente aqueles que nos deixam mais “visíveis” aos olhos desconhecidos. Por essas e por outras, a surpresa foi grande quando ela me convidou a fazer um post. Mas resolvi superar esses receios e aqui estou eu. Fazendo uma (muito) breve descrição minha, me chamo Tatiana Weiss Ribeiro e sou uma mulher grávida.

Indo um pouco além, sou psicóloga, pós-graduada em gestão, mestranda (ai meu Deus, esse gerúndio me mata) em administração, professora, empresária e grávida de quase sete meses. E, honestamente, essa última característica vem ocupando cada dia mais espaço nessa minha biografia. E isso tem me perturbado consideravelmente...

Não posso afirmar aqui que sou uma mulher que “nasceu para ser mãe”. Durante muitos anos na minha vida, essa possibilidade sequer passava pela minha cabeça, e até hoje acho que talvez ficasse assim por muito tempo se não houvessem pessoas que me perguntassem – principalmente depois de casar e fazer 30 anos – se eu não tinha o desejo de ser mãe. Cheguei honestamente a cogitar a idéia de uma vida sem filhos, e pesei muito objetivamente os prós e contras dessa opção, que considero extremamente válida para quem a faz conscientemente. Mas, como já se pode imaginar, escolhi ter filhos e agora me vejo grávida e repleta de dúvidas e conflitos conscientes, inconscientes, práticos e psicológicos.

Não poderia descrever nesse post todos esses conflitos, mas gostaria de dividir aqui um que me tira o sono muitas noites: o dilema da identidade. Sempre me considerei uma mulher prática, objetiva, que tinha sua identidade definida pela profissão, pelo trabalho e estudo. Tenho uma vida pessoal muito ativa, não me entendam mal, mas sempre tive dentro de mim que a resposta a pergunta “quem é você?” começava com algo que relacionado a “eu faço”.

Mas isso vem mudando muito desde que a realidade da maternidade penetra na minha cabeça e nos meus dias, tornando mais próximo aquilo que era uma grande fantasia. Porque me dei conta, ao longo desse período de preparação pessoal que é a gravidez, que eu não tinha o menor senso de realidade quanto ao tema maternidade. Até pouquíssimo tempo atrás, pensava que era possível ser mãe sem mudar muito a vida. Ou seja, pensava a maternidade como uma atividade extra que deveria ser encaixada na agenda, e que com um pouco de objetividade e bastante planejamento, depois de uns 4 meses do nascimento de um filho daria pra retornar a vida “normal”. Só era preciso dar uma espremidinha aqui, conseguir uma babá rapidinho ali, escolher uma boa escolinha que aceite bebês, negociar as viagens do trabalho nos meses iniciais e pronto!

Mas... surpresa! Não, minha querida, não é nada disso. Sim, há muitas coisas que se pode (tentar) planejar para ser mãe, mas não há jeito de organizar antecipadamente a mudança na identidade que vai acontecendo ao longo do processo. Tirei a conclusão que não nasce uma mãe ao mesmo tempo em que a gente se descobre grávida, e desconfio que também não nasce uma mãe no momento do nascimento do filho. Acho que uma mãe não nasce, ela se cria, se constrói, se transforma. Ainda não tenho idéia do que é ser mãe, e morro de medo disso porque acho que sempre fui razoavelmente competente naquilo que me propus a fazer ao longo da vida, e agora não sei... Morro de medo de decepcionar a tudo e a todos, especialmente ao meu marido e a minha filha, mas nesse momento não sei o que posso fazer para ser melhor do que sou. Vou esperando e preparando aquilo que posso e consigo, me olhando a cada dia no espelho e percebendo mais mudanças do que o reflexo me mostra.

E voltando a me descrever, hoje sou uma mulher grávida muito feliz, fiz as pazes com essa condição depois de dois meses de total confusão. Sou privilegiada pela minha família que vive longe mas que está ao meu lado quando preciso, pelo marido absolutamente incrível que tenho, pelas amigas/irmãs que o céu me deu de presente e pela filha que carrego com muito amor no ventre todos os dias. Mas ainda não sou mãe, com todas as letras que formam a palavra e o seu significado. Mas espero ser... eu espero ser.

25 comentários:

Gabi disse...

Muito legal! Muito realista. Nunca tive dúvidas que queria ser mãe, e mãe de menina, mas tive dúvida sim na decisão do segundo filho. Pensamos muito e aí vieram as gêmeas! Foi a melhor decisão da minha vida!
Beijo
Gabi
minhas3filhaslindas.blogspot.com

Renata disse...

Lindo post.
Sincero. Honesto. Limpo.
Eu entendo demais esse conflito. Estou indo pra 32ª semana de gestação e ainda não me encontrei - e desconfio de quem diz que se encontrou plenamente COMPLETAMENTE TOTALMENTE logo após o positivo. Ou logo após o nascimento da(s) cria(s). Ou logo após qualquer coisa...rs. Meus maiores ídolos, jovens e mais velhos, ainda não se encontraram e é isso que me faz admirá-los. A gente se perde nos papéis da vida, e ainda mais no da maternidade - tão complexo...
Queria ter uma solução, mas 'esperar o melhor e fazer o meu melhor' é também o caminho que eu escolhi seguir nessa jornada... e acho - sinceramente - que é o único caminho possível em direção à paz e harmonia ;)

Beijaooo!

Grace disse...

Passei por aqui, li e adorei!!
Beijos, Carol, Tati, Laura....

Mariana - viciados em colo disse...

santo dilema. o dilema de todos nós: encaixar a maternidade na agenda ou encaixar a agenda na maternidade.

o fato é que existem várias formas de ser mãe e espero que tatiana encontre uma que satisfaça suas expectativas.

excelente texto!

Doma! Lingerie disse...

Lindo e verdadeiro!
Acho que todas as maes passaram por isso. Eu tive as mesmas dúvidas quando estava grávida.
Mas isso passa, muda.
Parabéns pelo testo e pela Laura!
beijos

Sofia disse...

Adorei o post parabéns...
Ser mãe é isso mesmo é estar confusa é questionar o tempo todo... é irmo-nos construindo ao longo de cada fase da vida.

Nave Mamãe disse...

Incrível!
Texto honesto, simples e comovente.
Eu nasci pra ser mãe. Um dia eu até disse que profissão era mais importante que filhos, que eu sempre colocaria o trabalho em primeiro lugar e que não teria filhos.
Um dia muito distante, pois quando a maternidade me pegou em cheio eu me vi vazia sem ser mãe. Dei uma grande pausa no trabalho (por coincidência a minha postagem de quinta-feira é sobre isso) e estou muito feliz sendo mãe!

Na verdade acho que a tua perspectiva é muito mais realista do que foi a minha! Durante toda a gestação achei que já fosse mãe. Só descobri, com um Lorenzo já nos braços, que não fazia ideia do que era ser mãe!

Mas não se preocupe, também acho que a mãe não nasce com o filho. Com o nascimento do filho a mãe é concebida. Porém a gestação é curta e a mãe nasce em breve!

Anne disse...

Como é gostoso ler relatos assim honestos!

eu não tive grandes dilemas, engraçado.

planejamento não é meu forte - engravidei sem querer querendo, a carreira caiu da escada.
e ok, estamos subindo os degraus novamente!
bjos

Cintia Grininger disse...

Meus dilemas foram muito parecidos... também tinha muito medo de decepcionar as pessoas, por ter seguido o figurino esperado a vida inteira. E quando minha filha nasceu foi um choque, cuidar dela 24x7 era muito mais trabalho do que tinha imaginado. Mas o incrível da maternidade é que o amor cresce a cada dia, a cada nova descoberta, a cada aprendizado, a cada teste de paciência que aquele serzinho nos submete.
Tatiana, só pela consciência que vc tem do que está passando já te qualifica a ser uma ótima mãe. Super boa sorte e tudo de bom!

Patrícia Boudakian disse...

clap, clap, clap.
palmas pro post.
realmente lindo.
me vi nele. eu tb nunca tinha me visto mae, ate decidir engravidar. tb achava que conseguiria encaixar a maternidade na agenda. até que me dei conta que nao eh assim. chorei no primeiro mes inteirinho com alice nos bracos. senti saudade do trabalho e da patricia-nao-mae. quis muito ser mae enquanto estava gravida e reconheco que quando ela nasceu tive nocao da dimensao da coisa.
eu tb sempre gostei de fazer bem o que me propus e no comeco cheguei a cambalear se estava fazendo certo com a pequena. senti medo e inseguranca. dai aos poucos fui construindo e moldando um caminho. no final, o que posso dizer eh que consegui incluir minha agenda na maternidade. mas quem manda por enquanto, no alto de seus dois meses, eh alice.
beijo pras duas!

Mari Hart disse...

Acho que é um pouco do sentimento de todas as mamães de 1ª viagem! Gostei da sinceridade em um post/desabafo! Mas depois tem que vir contar o sentimento pós nascimento! Aí é que são elas! rs!

Bjks!

Unknown disse...

Parabéns pela gravidez, e muita sorte nesso novo desafio o de Ser mãe!!!

Celi disse...

Que depoimento.... Parabéns! Adorei a sinceridade.
Também tive minhas crises pensando no melhor momento para ter filho. Sempre questionava se conseguiria equilibrar tudo na minha vida (tempo individual, profissional, mãe, esposa e tudo mais). Precisei abrir mão de algumas coisas para garantir outras. Não me arrependo!
Por isso, deixa o tempo correr e dia a dia descobrirá o que será melhor para você e sua família.
Boa sorte! Futuramente dê notícias para nós.
Um beijo.

Unknown disse...

Com certeza vc vai fazer o seu esquema Mãe, Profissional, Esposa, e tudo mais!!!
carol, passa lá no meu blog que tem selinho pra vc!!!
Bjos
Ana
http://amaedosgmeos.blogspot.com/

Unknown disse...

Lindo post Tatiana. Repense suas teorias e cogite a idéia de ter um blog também, vc escreve muito bem!
Quanto à sua identidade, ela vai realmente mudar, mas não é nada tão radical assim e como vc mesmo entendeu, não é do dia pra noite. Mas vc já é mãe sim, nos tornamos mãe antes mesmo de o sermos, quando desperta em nós o desejo da maternidade. O que é construido aos poucos é justamente essa relação entre a mulher que éramos antes e a que nos tornaremos após o nascimento do bebê. A gestação vai dando forma à essa relação que se consolida após o parto. Deixe o seu instinto falar e ouça sempre o que ele lhe diz e tudo vai se ajeitar.
Acabei de dizer isso em outro comentário em outro blog, mas cabe perfeitamente aqui também: é no andar da carroça que as melancias se acomodam.

Beijos.

Ótima semana para vocês Tatiana e Carol.

Pequenos Modernos disse...

Lindíssimo este texto. É simples, mas com certeza explica muito bem o conflito que várias mãe vivem, e vai ajudar muitas delas a "se encontrar".
E parabéns pela filhota!
Beijos!

Tatiana Weiss Ribeiro disse...

A todas que comentaram o post, muito obrigada!
Cada frase tem um significado único nesse momento e a experiência de vocês - essa "individualidade coletiva" que o blog tem - serve de inspiração pra olhar pra frente com mais confiança. Um grande beijo a vocês, e um ainda mais especial pra Carol, essa amiga que me surpreende e emociona mesmo quando está só me apresentando como convidada desse blog incrível! Tatiana

Coisas de mãe disse...

Muito bacana, este post vai ser inspirador para várias amigas minhas que começar a pensar ou vão comerçar a pensar em engravidar!

beijos

Pati

Unknown disse...

Adorei o post!!!
Bem realista, quando ainda estava grávida pensava que sabia como era ser mãe! Que nada! E ainda não sei! Vou a cada dia descobrindo. Estou tentando equilibrar a minha vida como mãe, mulher, profissional e assim assumir minha nova "identidade"!

C disse...

Tati,
boa noticia: tu começou bem. Talvez essa insight, o da mudança de identidade, tenha sido um dos ultimos que tive.
E é a mudança mais forte de todas, tens razão. Mas no início, depois a gente consegue equilibrar. Por muito tempo eu fui (e ainda sou) a Cris, mãe dos gemeos. Assim sou apresentada pelas(os) minhas(meus) amigas(os) a outras pessoas. Mas hj consigo durante 8 horas do meu dia ser outra pessoa. Graças a Deus...
Beijos e parabens!

Ana disse...

Muito lindo seu post, e embora meus sentimentos tenham sido outros, porque não planejei nadica, compreendo agora amigas muito proximas que estão vivendo parecido com vc. E elas não souberam me explicar tão bem assim. Acredito que escrever organiza os pensamentos, põe ordem na casa, e aí acaba sendo um parto, né?!
Beijo e boa sorte na sua caminhada!

Unknown disse...

Muito legal! Sincero, autêntico e espelha bem o pensamento de muita mães de primeira viagem. Olha, e com todas as dúvidas, incertezas e desafios, no final tudo dá certo, tudo flui, quando se tem um ambiente de amor, de união e de cumplicidade. As coisas se ajeitam naturalmente!
Boa sorte e tudo de bom pra vocês!

Alessandra disse...

Tatiana...

Muito bacana seu post...também sou psicóloga e antes mesmo de ter filhos já me cobrava a respeito de que tipo de mãe eu seria...se conseguiria dar conta do recado ...se saberia utilizar na prática pelo menos um pouco de toda a teoria aprendida no decorrer de anos de profissão...Hoje, quando olho meus meninos dormindo, percebo muito claramente que estou longe de ser uma mãe perfeita (ufa!), ao contrário, sou uma mãe possível, que trabalha fora 10 horas por dia, que chega em casa louca de saudades, que erra e acerta todos os dias e que, acima de tudo, se torna uma pessoa melhor desde que resolveu entrar nessa dança louca que é a maternidade!
No final...tudo dá certo e vc verá que o saldo é muito positivo!
bjos

Alessandra

Mariana disse...

olha, muito bom o post. me vi muito nele. sempre fiz mil coisas,e achava que a maternidade era algo que se encaixava na agenda. cai do cavalo, me dividi em 2, chorei muito, e hoje me equilibro entre o filho (em primeiro lugar) e a carreira. ainda assim, meus outros eus, andam meio esquecidos....
se puder ajudar: NÃO SE CULPE....a culpa tumultua tudo. e vou te contar mais um segredo: ser mãe é maior que tudo, é meu maior projeto!

Anna disse...

Tatiana, lindo post e muito realista.

Isso que você está questionando, acho que vai continuar questionando por um bom tempo ainda: quem sou eu mesmo? (pelo menos eu me questiono) Porque com a maternidade muita coisa muda, chega uma hora em que a gente nem se reconhece mais (temos sim essas crises).

E olha, adoro minha vida, amo meus filhos, mas também morro de saudade da Anna Paula antiga.

Mas, mesmo com essa saudade, mesmo com essa mudança, a correria, o compromisso e o cansaço, não troco essa vida por nada.

Beijos pra você e tenha certeza que será a melhor mãe que sua filha pode ter.