24 de junho de 2011

revolucionário é ser dona de casa e praticar o consumo consciente



Para mim é um grande prazer ter a convidada de hoje aqui no blog. Cláudia Visoni é jornalista, assina uma coluna na Pais & Filhos e é dona de idéias fantásticas sobre ecologia e sustentabilidade. Já me inspirou a promover um bazar de roupas usadas (aguardem novidades para breve) e me incentiva a adotar hábitos mais simples no dia-a-dia. Não percam o blog dela, é fantástico!


família consciente.

* * * * *

Por Cláudia Visoni

Antes de engatar a conversa, deixa eu me apresentar: meu nome é Claudia Visoni, sou jornalista, ambientalista, mãe de gêmeos (Alex e Julieta) de 10 anos, microagricultora urbana, motorista de filhos, jogadora de basquete e cozinheira familiar nas horas vagas. Publico o blog Simplesmente, sobre ecologia, consumo (crítica ao) e simplicidade voluntária.

Adorei o convite da Caroline Passuelo para fazer uma visitinha por aqui. E acho essa blogosfera das mães alternativas o máximo. Pena que uma década atrás esse movimento não estivesse rolando ainda, pois eu me senti um tanto sozinha quando meus filhos eram pequenos.

Sem nenhum planejamento prévio, ao me tornar mãe decidi abandonar a carreira de jornalista/executiva que ia bem. Naquele momento, foi impossível voltar à rotina das redações e por todos os anos que se seguiram pulei fora do trabalho em período integral fora de casa. Mas não tenho nenhuma ampla teoria a respeito de maternidade e carreira. Cada caso é um caso. Cada mãe é uma mãe. Cada filho é um filho. Cada dia traz suas complicações novas e muitas vezes me vejo agindo de uma forma que sempre critiquei. Melhor não julgar as pessoas. Melhor não julgar as pessoas. (Repeti de propósito para ver se EU aprendo a lição).

Bom, em 2001 eu tinha dois recém-nascidos em casa. Fraldas, cólicas, choros noturnos, aquela canseira que todo mundo sabe, em dose dupla. Com um agravante: meu filho teve um problema de saúde com o nome meigo de “Síndrome da Morte Súbita”. Ele sobreviveu, é supersaudável, virei PHD no tema e quem tiver dúvidas pode perguntar.

Quando resolvi jogar para o alto o mundo corporativo para “ficar em casa”, sofri muito preconceito. Mesmo arranjando um emprego de meio período que durou pouco. Mesmo que logo em seguida eu tenha fundado minha empresa, a Conectar Comunicação. Mesmo que trabalhasse para caramba, muitas vezes até de madrugada, para dar conta das tarefas maternas e das reuniões com clientes e jobs para entregar. E assim uma década voou!

Se pudesse voltar no tempo, não mudaria um centímetro a decisão de acordar e colocar para dormir as crianças todos os dias. Amamentar até os nove meses. Dar comida e trocar fraldas milhares de vezes. Levar e buscar na escola sempre. Ir a todas as festinhas dos coleguinhas quando eram pequenos. Não tirar férias sem eles. Tem sido tudo difícil e ao mesmo tempo maravilhoso. O melhor presente que a maternidade me trouxe foi a possibilidade de ver o que acontece no Lado B, ou melhor, no Lado A da vida. Longe dos escritórios, dos eventos corporativos e das viagens de negócios pude ficar perto da rotina da família.

Mas, se fosse viver tudo de novo, ficaria muito mais relax e daria umas respostas bem humoradas para a turma da patrulha que tanto me encheu. 100% dela composta por mulheres. Curioso, não?

Sempre fui preocupada com ecologia. Cobri a Eco 92 e naquele tempo já era veterana no tema. Mas o ativismo só veio mesmo recentemente. No ano passado, abandonei meus clientes da economia normal para me dedicar exclusivamente a empresas e ONGs que realmente já estão na era da economia sustentável e solidária. Trata-se de empreendimentos muito pequenos ainda e por isso ganho muito menos. Resolvi me dar uma moratória em termos que rentabilidade enquanto, entre outros projetos, escrevo um livro. Depois, vou buscar uma nova carreira paralela que proporcione mais rendimentos, pois decidi ser ativista e jornalista não alinhada à grande imprensa e provavelmente dessas atividades não virá muito dinheiro. Talvez seja melhor assim, pois continuarei livre para denunciar crimes ecológicos e os efeitos nefastos do consumismo.

Outro dia, uma amiga também jornalista que abandonou as redações para cuidar dos filhos disse: “Revolucionário hoje é ser dona de casa e praticar o consumo consciente”. Concordei com ela.

No blog coloquei muitos posts sobre horta doméstica, como lidar com os desejos de consumo dos filhos, datas comemorativas, como reduzir a produção de lixo, compostagem, vida alternativa, ecologia urbana, comida orgânica e muitos outros temas. Apareça! (www.conectar.com.br/blog).

11 comentários:

Fabi Alvim disse...

Carol, suas convidadas são sempre maravilhosas!!
Adorei conhecer a Cláudia e o blog dela é muito bacana mesmo! Já dei um ctrl+c ctrl+v em várias dicas por lá!
Parabéns!!
Beijos

Fabiana
http://2-ao-quadrado.blogspot.com

Luciana - Descobertas disse...

Carol, vc é realmente chique!

Eu já li alguns artigos da Cláudia na revista.

Achei interessante a frase que ela usou como título do post, uma vez lá no trabalho, uma das analistas que trabalham subordinada a mim e escutando meu dilema de maternidade x carreira disse que a mãe dela, que cuidou dos 6 filhos e não trabalhava fora, há uns 29 anos atrás, comentou: "moderna fui eu que cuidei dos meus filhos sem precisar trabalhar!"

De fato!

De vez em quando tomo algumas atitudes que considero ecologicamente corretas, longe, dessas todas comentadas pela Cláudia, muitas ficam só na intenção mesmo, mas um dia eu chego lá" Não acho muito prático e fácil ser ecologicamente correto hoje e ser mãe consciente, mas como tudo na vida depende de força de vontade.

Também não tenho achado fácil emagrecer e só depende do meu esforço, não é?

Beijos

Parabéns pela convidada!

Lia disse...

Amei! Estou seguindo o mesmo caminho, e espero que daqui a dez anos eu possa dizer, como a Cláudia, que foi a melhor decisão que tomei.

Carolina Pombo disse...

Cláudia, estou muito feliz mesmo de ler este post! Obrigada, foi uma grande inspiração pra mim! Tornei-me revolucionária de verdade ao virar mãe e blogueira. Tenho aprendido muito e estou conseguindo colocar em prática algumas das reflexões feitas em meu mestrado solitário. Agora estou empreendendo nesse campo novo e insipiente do consumo consciente. Porque não consigo trabalhar em algo que não acredite. E eu acredito de verdade que podemos promover uma nova economia, uma sociedade mais solidária com famílias mais felizes. Por isso, transformei meu blog num site com uma loja virtual de produtos sustentáveis para mãe e bebê. Adoraria receber as visitas e o apoio de todas as mamães que se interessam por essa militância.

Carol, quero te convidar especialmente para participar de nossa blogagem coletiva "O que é consumo consciente pra você?", que vai até dia 30. Deixe seu link lá: http://www.whatmommyneeds.net/2011/06/o-que-e-consumo-consciente-pra-voce.html

Obrigada mais uma vez pela oportunidade de refletir com suas convidadas.

Beijos

Priscilla Perlatti disse...

Mais uma vez, parabéns Carol e Cláudia pela reflaxão! E se vcs me permitem vou usar a frase da Cláudia como lema: “Revolucionário hoje é ser dona de casa e praticar o consumo consciente”. É nisso o que eu acredito também. E em outras cositas más...
Beijos
Pri

Paula disse...

Adorei a sua convidade, ja fui la no blog dela e li um montao de dicas legais. Carol deixei selinho pra vc la no blog ta. Beijos e Bom fim de semana

PAULA

www.diasdesamuca.blogspot.com

Ana Paula - Journal de Béatrice disse...

Carol,
Sensacional o post e, Claudia, muito obrigada por compartilhar seu conhecimento e experiência pratica.
Eu procuro pautar-me pelo bom senso. Faço a triagem do lixo, temos horta em casa, privilegio os produtos BIO (mas tb faço compras no supermercado), procuro, na medida do possivel, comprar frutas e legumes de produtores locais. Sou avessa ao consumismo desenfreado e gostaria de passar esse valor para minha filha. Quanto aos brinquedos, procuro os de madeira, pano e até carton (papelão, caixas). Sim, ela tem os de plastico, isso é inevitavel. Tb fazemos rodizio de brinquedos entre amigas, ja que temos filhos na mesma faixa etaria.
São pequenas atitudes diarias e aprendizado constante que nos leva à pratica do consumo consciente.
Bjs : )

Renata Senlle disse...

AMEI! Meus valores sobre consumo, trabalho, família, saúde e felicidade começaram a mudar antes de ter filhos. Foi por isso que decidi gerar e educar uma pessoa. Mas depois que o Bernardo nasceu essas mudanças vêm se aprofundando ainda mais, provavelmente tomando um rumo sem volta, como o seu, que optou por buscar uma carreira paralela que traga outros rendimentos, além dos financeiros! Desejo todo sucesso na empreitada e espero que seu exemplo seja multiplicador de novas e melhores atitudes!
bj às duas, Carol e Claudia!
Rê Senlle
http://umavidamaisordinaria.blogspot.com

Unknown disse...

Parabéns as duas, e o título do post é inspirador e verdadeiro. Post fantástico que nos remete à reflexão, ao que está além do nosso próprio umbigo, para fazer a gente para de pensar no que estamos fazendo! Muito bom!

Bjos!

OBS: Se tiverem um tempinho passa lá no blog que tem sorteio massa (livros + CD).

Mix Martins disse...

Que convidada extraordinária! Amei!!!
Tô entrando nesse estilo de vida e é tão interessante como as pessoas ao redor ainda estão tão alheias aos benefícios de uma vida mais "verde".
Acho que temos que disseminar esse estilo de vida sim! Vou já lá no blog Conectar. =)

=*

Pequenos Modernos disse...

As mães que você convida são ótimas, todas elas!
Adorei o post, e super concordo que “Revolucionário hoje é ser dona de casa e praticar o consumo consciente”. Aliás adorei isso!
Beijos e boa semana!