Tenho tido muita vontade de escrever sobre vinhos. Só sobre vinhos. Não sou uma especialista, muito menos sommelier como disseram esses dias, mas eu gosto muito de toda a função envolvida. Porque vinho não é só uma garrafa ou um rótulo, é composto de rituais, de conhecimentos sobre clima, geografia, poda, sol, luz e frio, barricas de carvalho de $100.000 e cantos gregorianos para o vinho descansar em paz. Enólogos estrelas e cheiros de frutas vermelhas, grama cortada e chocolate em uma taça. Meu atual objeto de desejo é uma maleta com vários cheiros para que eu possa desenvolver minha memória olfativa. Delícia de brinquedinho.
Mas embora esse blog tenha Vinhos no nome, é um blog de mãe. E como assim uma mãe que escreve sobre vinhos? Não tenho que escrever sobre a aquisição da linguagem do Rafa ou sobre a evolução da assadura do Lelo? Sobre o que escreve (e fala) uma mãe? Deveria eu tirar Vinhos, Viagens do nome do blog e deixar apenas Uma Vida Comum e Dois Bebês? Quem sou eu, afinal?
Crises e exageros a parte, acho impossível não pensar sobre identidade depois que se é mãe. Se antes eu era conhecida como a viajante e até a bon vivant, hoje sou a mãe dos gêmeos. Pergunta na escolinha dos meninos se alguém conhece a Carol Passuello. Agora pergunta se sabe quem é a mãe dos gêmeos. Exatamente. Novos mundos, novas referências.
Logo depois que os meninos nasceram a dedicação e a mudança foram tão intensas que acabei esquecendo quem era. Deixei de lado as coisas que antes gostava e o desejo próprio e me voltei para aquelas criaturinhas tão indefesas, e isso feito naturalmente. Com o passar do tempo comecei a retomar velhos hábitos, programas de adulto e a identidade de antigamente, agora somada a outra: a de mãe. Devagar, a vida começou a voltar ao normal, e voltei a me reconhecer. Sou a Carol mãe dos meninos e a louca por viagens e vinhos. A consultora e a mulher do Rodrigo. Eu sou eu mesma, tenho vida própria, gostos, vontades e desejos, independente de quantos e quais papéis desempenhe.


28 comentários:
Enfim, uma mãe com todas as definições que deseja e quer ter!!!!
Bjos
Ana
http://amaedosgmeos.blogspot.com/
Ai Carol...acho impossível não passar por essa "crise de identidade" após o nascimento do flhote...viramos mãe, mãezinha, mamãe...confesso que sempre me pergunto onde foi que deixei a Ana de antigamente...Final de semana passado um amigo perguntou quando foi a última vez que eu e o meu marido tomamos um vinho juntos...eu rí e disse que não me lembrava...e ele nos deu um vinho para que a gente possa reviver isso...rs..mas acredito que devagar a gente se acha novamente...complicado né...
abraço
http://soumaepravaler.blogspot.com
Seus babys são lindos!! E entendo bem o que vc acaba de escrever, pois tem este momento que é a maternagem, em que somos completamente envolvidos por ela, acaba se tornando o nosso mundo , pelo menos por alguns 2 anos... mas eles crescem, e depois de um tempo a gente vai se resgatando novamente !!!!!
Abraço !!!
É um processo, né? Nós iniciamos a maternidade totalmente fundidas a eles (e eles a nós) e, aos poucos, vamos encontrando nossos caminhos. O engraçado é que, depois que me tornei mãe, reencontrei em mim identidades perdidas, paixões, talentos, dons que eu vinha sufocando em nome do status quo. E estou revendo toda a minha vida profissional, não apenas para permitir que eu me dedique mais aos meus filhos, mas também para que eu sinta prazer no que faço.
Para mim, a maternidade foi libertadora.
Agora, quanto à vida própria... me diz comofas quando a gente engravida e o primogênito tem só 11 meses? :p
Essa crise é tão comum...
Mas na minha opinião, vc pode sim usar esse espaço para falar o que quiser.
Adoro viagens e vinhos. Adoro papo de mãe...
Assim como vc, somos ecléticas!
Bora falar sobre tudo que vc quiser???
ass.: Sua fã
Nossa, esse é um papo intenso e eterno!
Eu nao me perdi depois da maternidade, eu me achei.
Eu nao sabia de uma enorme parte de mim, pode parecer exagero, mas é verdade.
É claro que as vezes a parte mãe ocupa muito mais do que as outras facetas que me habitam, e estas ficam bravas e começam a reclamar.
Mas a mãe é bacana, e cede espaço e me permite ser artista, mulher, dona de casa, blogueira, amiga... A gente é muito, muito versátil!
Mas nos primeiros meses era só mãe mesmo. Foi - e ainda é - uma questão de cada uma respeitar o tempo da outra. Elas se dão bem no geral. Quando brigam, eu mando que se resolvam....
Hoje em dia quem me da mais trabalho é a empreendedora... Essa é cheia de crises!
Bjo
Olá adorei o post e o blog todo!!
Estou seguindo e se puder retribuir, aguardo uma visita, ok?
http://petitninos.blogspot.com
bjos
É isso mesmo. Eu acho que volto a ser eu mesma depois que retomo o trabalho. Ajuda muito. Por enquanto estou nessa fase que vc descreveu, sendo só mãe, volto a trabalhar em agosto quando meu segundo filho faz 5 meses. E to meio apavorada. Receosa sem saber se a babá (que está aqui há 3 semanas) vai conseguir dar conta dos dois. Minha mais velha tem 2 anos e meio. Aff! Ser mãe, mulher, amante, adulta e profissional não é nada mole, NADA! bjs
Também tenho essa crise, as vezes fico procurando a Meriellen dentro dessa mamãe do noah/dona de casa... to tentando voltar a me reconhecer... bjos
acabo de postar sobre isso.
Ha 21 meses me dedico apenas a minha Nina e decidi q nao serei mais só a Dea mamae da Nina, e sim a Dea mae, mulher, esposa e uma pessoa com vontades e desejos q vao alem das trocas de fraldas e rotina da filhota.
Cheguei num estagio de afastamento de mim mesma q a coisa ficou preta.
Agora a a prioridade sou eu, logico q jamais deixando minha filha de lado, mas precisamos de um tempinho nosso pra se cuidar, passear, enfim viver uma vida alem da maternidade.
Bj bj bj
Querida,
Você não é a única a se perder em meio a tantas tarefas maternas. Mas, como disse a Anne, é possível se achar também, encontrar aquela outra mulher, mais forte que a de antes e, pelo visto, você achou. Afinal, não é só a mãe dos gêmeos que escreve neste blog...
Forte abraço
Bia
Vida da Mami
mesmo isso sendo uma coisa muito natural, me fez refletir. já fui, jpa deixei de ser, já fui e já deixei de ser mais uma vez e agora aos poucos, o bebê vai crescendo e nossa identidade vai reaparecendo... vou pensar!
beijoca
Esse assunto dá muita discussão viu.. mas também acho que as mulheres não devem deixar de ser elas mesmas quando se tornam mães. A maternidade muda a vida sim, mas a pessoa continua existindo e tendo suas próprias vontades!
Beijinhos
Acho que nesse primeiro ano das crias nós vivemos mesmo esse dilema por causa da dependência deles, da nossa doação mesmo.
Depois vamos voltando, claro que sempre com um "plus" a mais na bagagem... Eu já me pego pensando mais na frente, quando podemos e devemos retomar o nosso "eu" verdadeiro, com filhos criados.. Tudo dá uma insegurança, né??
beijos
Carol, escreve sobre vinhos então!!! Eu adoro!!
Vc mais que ninguém sabe transitar pelos papéis de mãe, esposa, profissional, etc!!
Beijo
Vou começar a aguardar posts sobre vinhos, que eu também amo! A gente acaba aprendendo a ser multitarefas, a ser mãe mas não só: mulher, profissional, amiga, amante e mais um monte de coisas! Beijos
Eu discutia isso com umas amigas esses dias: quem somos agora, depois de sermos mães? Passado esse primeiro ano, ano e meio das crianças, as coisas começam a voltar ao "normal". Eu vejo isso quando a minha pequena, de 13 meses dorme; o mais velho (de quase 3 anos), já me deixa fazer minhas coisas, e fica na dele, empurrando carrinho. Não tme nada de errado em se reencontrar depois da maternidade. O começo da maternidade é um grande aprendizado; depois, vai ficando mais fácil.
TEm que escrever sobre vinhos sim, claro!
Ahhhh... como nos esquecemos de nós mesmas, sem contar que perdemos nosso nome e viramos a mãe de fulano e cicrano... kkk
As vezes da muita saudades, mas essa nova identidade é tão gostosa... que não tem preço que pague!
Beijos
Karin
www.mamaeecia.com.br
Começo referindo que adoro seus textos.
Compartilho da idéia de que não é preciso enterrar a mulher de antes para que se faça nascer a mãe de hoje! Só que percebi isso no meu velório... Apenas agora, após 01 ano e meio do nascimento do Eduardo, é que pude perceber o tanto que me havia abandonado na função de mãe. Estou no processo de reconhecimento ainda, do que eu era antes e de como conciliar todos os meus papéis.
Beijo grande, Cassiê.
Nós nos distanciamos sim de nós mesmas...Mas o reencontro é certo e inevitável. Na natureza tbém é assim, só que o período é menor. Uma mãe pássaro por exemplo...tem que deixar de voar por aí, para montar o ninho, botar os ovos, chocá-los, e alimentar os filhotes. Deixando de lado outros prazeres, mas a vida dela volta ao normal, depois de concluída esta magnífica missão de perpetuar a espécie.
É um assunto e tanto, que acho, merece uma parte 2, ou uma blogagem coletiva? quem sabe!
Certo dia para tentar administrar meu tempo tentei usar um programa de uma empresa e lá vc tem que colocar os PAPÉIS que você exerce na sua vida e quantas horas precisa para cada!
Daí veio toda uma reflexão como está que vc acabou de fazer!
Será que dá para dividir assim? Daí quando coloquei papel de mãe, aí fiquei tentada a colocar 24h! E não é?
Até quando dormimos?
PQ tem o tempo de fato, na prática e tem o tempo na nossa cabeça né, que ocupa nossa mente , mas não necessariamente nossas mãos! Que é quando estamos no trabalho, viajando, tomando banho, dormindo, enfim!
Tema para refletir!
Beijos
É normal agente se perder um pouco... Eu também estou nessa fase, meio sem identidade rss... Vivo exclusivamente para meu bebê e divido o pouco tempo que me resta com meus filhos adolescentes, mas ainda estou na fase de puro deslumbramento com o pequeno... Sempre que penso em postar algo mais pessoal no blog, tem algo mais importante sobre as crias rss...
Beijos e que venham os post sobre vinhos. Amo!
É de fato muito difícil nos situarmos depois damaternidade. Eu só estou conseguindo me 'reinventar' com novos arranjos e prioridades agora, depois que João Victor fez um ano.
Estou reconquistando minha vaidade, meus interesses e reunindo esforços para não ser monotemática, rs
Enfim, temos vários papéis a desempenhar nesta vida. Acredito que só seremos boas mães, se conseguirmos equacionar a maternagem com nossos interesses individuais. Mulher feliz = mãe feliz.
Ótimo post!
www.mamaeatomica.blogspot.com
lindo post.... o se redescobrir depois da maternidade é uma coisa incrível, assustadora, inspiradora, e tantos outros adjetivos....
mix
Carol acho que vc não esqueceu quem vc era. Vc priorizou, e isso é sábio. Temos muitos papéis sim, mas para realizar todos eles, é preciso respeitar o tempo, a necessidade. Escrevemos sobre o que vem do coração. Ou sobre o que estamos sentindo falta.
Bom eu adoro quando vc fala de vinhos, tô longe de ser especialista, mas adoro apreciá-los!
Bj, Ana.
pois é, carola,
quando percebemos somos mais que 3 em 1.
somos mais que uma profissão, mais que uma barriga, mais que podemos imaginar.
e sim, também ganhamos o super poder de conseguir conciliar e driblar as dificuldades, assumindo todas as nossas identidades, uma de cada vez ou todas jutnamente.
bjo bjo
Com certeza Carol, somos mães, mulheres, profissionais, esposas. Mil facetas em uma. Às vezes uma se esconde para a outra se desenvolver, mas todas estão ali. Também senti essa crise, também esqueci quem era por um (bom) tempo... mas a gente volta, mesmo que demore.
Fala sim sobre vinhos, não entendo nada, mas adoro e aprendo muito com vc!
bjos
Sarah
http://maedobento.blogspot.com/
Quando me caiu a ficha que eu precisava retomar minha identidade e voltar a ser primeiro a Priscilla, depois a mãe das duas a minha primeira providência foi trocar a foto do Facebook por uma onde só eu aparecia. Agora preciso ver isso aí da identidade real x a da vida imaginária...
Bjo
saudade de vc!
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