19 de julho de 2011

"tem que" nada



Falar (e questionar os pressupostos) da maternidade mexe com a gente. Toca no que nos é mais sagrado: os filhos e o que queremos para eles. Fazemos nossas escolhas pensando neles, no que é melhor dentro do possível e (espero que) também em nós, mães, tendo o cuidado para não ultrapassar alguns limites. Quais limites? Desde os mais concretos até os mais abstratos. O contracheque mensal comporta apenas papinhas com legumes e verduras orgânicas e frango Kórin? Se sim, ótimo, se não, legumes, verduras e frango comum. Tive informações, apoio e força de vontade suficientes para amamentar meus filhos até a idade que acho adequada? Se sim, ótimo, se não, leite artificial. Tenho vontade de cuidar exclusivamente de meus filhos até determinada idade? Se sim, ótimo, se não, volto a trabalhar. E assim por diante.

A vida é cheia de escolhas e possibilidades, por isso me incomoda tanto a ditadura do "tem que". Dependendo para o lado que se olhe, "tem que" um monte de coisas: tem que fazer cesariana e sair do hospital já com Nan; tem que parir sem o uso de analgesia e amamentar até a criança ter 4 anos; tem que comer apenas produtos orgânicos e passar longe do Mc Donald's; tem que fazer festa em buffet e gastar uma fortuna na festinha de 1 ano. Escolha sua tribo e o que você tem que fazer.

A coluna do meio não existe. Ou existe? É possível circular por diferentes ambientes e conviver com pessoas de distintos valores? E o que ensinamos a nossos filhos quando dizemos que existe apenas uma forma de ver as coisas, "o" jeito certo? Na minha opinião, no dia em que realmente entendermos que a maternidade é o exercício da escolha e das possibilidades e respeitarmos (verdadeiramente) a visão do outro conseguiremos fazer uma revolução do bem, através da tolerância, da gentileza e do respeito ao próximo. Esse é o verdadeiro empoderamento feminino.

27 comentários:

Larissa Xavier disse...

APOIO O "TEM QUE NADA" TBM...

a gente se programa e lá vai a vida e muda tudo... e ai a gente tem q achar outros jeitos, outras maneiras, e fazer só o que eé melhor pra nós mesmos, e pras nossas crias...

Rogeria disse...

Apoio o "tem que nada" e muito...
Acho tão cruel apontar,julgar e condenar quem não fez tudo igual a vc,quem não segue a mesma cartilha...
Eu amamentei a 1ª até os 7 meses o 2º até os 3 anos e aí?Nem por isso aponto o dedo na cara de quem ñ da de mamar...meus filhos comem sim no Mc Donald´s e faço batata frita em casa,nossa sou a pior mãe do mundo...
Acho que precisamos respeitar mais uns aos outros né?Adorei o teu post,assino embaixo!Mil bjs!!!

Carol Garcia disse...

pois é carola,
outro dia estava pensado nisso e hoje chego a conclusão: eu sou super coluna do meio, com orgulho e tudo.
adoro a coluna do meio e o leque de possibilidades que ela me oferece.
o que a gente deve ser crica mesmo é em ser responsável. pelos nossos atos e pelos nossos filhos enquanto eles dependem do nosso apoio, compreensão e bom senso.

bjocas

Luciana - Descobertas disse...

Aplausos mil para ti! Adorei muito esse post, diferente do anterior!

Acho que é isso que deveria sair na Revista Veja, para que TODAS as mães se sintam acolhidas e respeitadas nas SUAS escolhas e limites! Para saírem na neura da busca da "perfeição" que não existe! Para exercerem sua maternidade sem contos de fadas nem bicho de 7 cabeças!
Parabéns Carol!!!

Beijo grande!

Sarah disse...

Que ótimo texto Carol! Eu sou dessas que transita em diferentes meios. Leio e acompanho sites e blogs de várias linhas, das naturebas mais radicais às mais feministas. Concordo com pontos de ambas as vertentes, mas discordo de outros pontos de ambas também. Acho que isso ajuda a nos manter informadas e conscientes das diferenças e a embasar nossas próprias convicções.
E sabe o que eu acho que "tem que"? Tem que seguir os próprios instintos, aquilo em que acreditamos, e tem que respeitar nossos próprios limites. Que pode ser um para mim, outro para você. O que não nos impede de conversar, trocar ideias, e de maternar - da melhor forma que podemos!
beijos
Sarah
http://maedobento.blogspot.com/

Pequenos Modernos disse...

Amei! Acho que cada um tem que cuidar do seu filho, do seu jeito.

Beijinhos

Martha disse...

Adorei.. fico exatamente no meio da coluna e ainda assino em baixo do comentário da Sarah..

É isso ae.. temo que aproveitar a quantidade imensa de informações que temos e seguir nossos instintos.. Se diz para dar Nam pq o peito não ta dando conta, ok! Se diz que vai continuar amamentando até sei lá quantos tempo, ok tbm! Eu já vivi as duas realidades e sou tranquila com isso..

Acho q o unico "tem q" que eu sigo é o tem que seguir o coração e instinto e ponto (litarelmente!)

Bjnhos

Unknown disse...

Olá, tudo bem? O que houve? Te criticaram pelo post de ontem?
Concordei com o de ontem e concordo com o de hoje.
Campanha pela vida, cada um cuida da sua. O mesmo com a maternidade.
beijos

Unknown disse...

Adorei seu texto!
Tbem acho que na minha maternidade real estou bem na coluna do meio, diferente de quando não tinha filhos e achava que seria a coisa mais fácil do muno criar, educar, amar, brigar!!!
Mas como sempre falamos essa é a maternidade verdadeira a que vivemos no dia a dia e não a que aparece nas revistas e tv!!!!
Ana
http://amaedosgmeos.blogspot.com/

Unknown disse...

Olha, eu não ligo a mínima pra esse lance de "tem que".
Tenho amigas que fazem festa de 15 mil reais pra filha que fez 1 ano e amigas que preferem gastar 300 reais e comemorar na pracinha.
Cada um na sua, nossa troca é maior do que isso. Falamos do desenvolvimento das crianças, da adaptação na escolinha, birras, alimentação, enfim... fases. Se eu dou Nan desde que nasceu e a outra da peito até fazer 2 anos, isso não me importa, não ficamos querendo fazer uma a cabeça da outra.
É isso aí, viva a liberdade de escolha. E se só existisse uma verdade, seria tudo muito chato e os blogs de mães não fariam sucesso! :)

Angela e Mateus disse...

Achei ótimo esse post..Quando eu ainda era uma pirralha minha mãe me disse uma coisa que nunca mais esqueci: " você não TEM que fazer nada, faça apenas o que quiser e da forma que quiser, mas lembre-se que tudo tem uma consequência e você e somente você pode arcar com as consequências do seu ato!"..Acho que em relação a maternidade, além de mim o meu filho também vai arcar com as consequências dos meus atos, e sendo assim acabo me colocando na coluna do meio...não sou completamente natureba e nem liberal demais...Procuro sempre encontrar um equilíbrio.

Dani Maciel disse...

Carol, concordo! sou coluna do meio!!! creio e procuro ensinar meus filhos a serem tolerantes, e que não há verdade absoluta, e que as diferenças só fazem a gente melhor, minha vida inteira, por exemplo na escola, andava com os: punks, mauricinhos e patricinhas, galera do fundão, pessoal da primeira fileira que fazia SHIIII, povo do rock, povo do barzinho e violão, MAS SÓ GENTE BOA!!!

E é isso que faz a diferença GENTE BOA, no melhor sentido da palavra.

Bj gata, amei o texto de ontem,já tinha lido a Veja e gostei de saber que não sou a única que concorda, e hj repito contigo:

tem que, nada!

Adriana disse...

ADOREI SÓ O CORAÇÃO VAI NOS MOSTRAR A NOSSA MEDIDA CERTA E SE SOMOS "BOAS PESSOAS" CONSEQUENTEMENTE FORMAREMOS "BOAS PESSOAS" E SEM RECEITINHA MÁGICA. RSRSRS

Maura Fischer disse...

Falou e disse Carol!
Estou realizando o sorteio de um lindo adesivo decorativo lá no meu blog! Participe!
Um abç,
Maura

Bruna Dofen disse...

Nossa! Achei o seu blog agora e de cara já adorei o post! Falou tudo o que eu penso!

"adoro a coluna do meio e o leque de possibilidades que ela me oferece." [2]

Bjssss

Dani Brito disse...

Carol, que texto lúcido e abrangente. O "tem que" tem me dado muita preguiça ultimamente...

O que não podemos de jeito nenhum é sermos INTRANSIGENTES.

Super beijo

Anne disse...

lá no livro, a badinter 'classifica 'genericamente as mulheres em 4 categorias - tradicionais, neo tradicionais, modernas e pós modernas.
com significados óbvios.

o livro é tendencioso em favor das opcoes pos modernas - mulheres sem filhos em prol dos desejos individuais e das carreiras. e satiriza levemente as tradicionais - mulheres com 3 ou mais filhos que optam por maternar somente.

claro que ela enfia todo mundo numa panela e julga que essas últimas seriam tb adeptas de toda a revoluçao do ativismo materno- parto natural, fraldas de pano e tals - coisas que ela julga seriam "anti-feministas" - no ponto de vista de que tomam tempod as mulheres e "obrigam "que elas fiquem em casa e aquela coisa toda.

mas tudo isso para dizer que... coluna do meio. algumas com uma quedinha para a esquerda, outras para a direita. uma cesárea eletiva e um cardápio recheado de orgânicos. um parto natural e um filho viciado em video game....

não é bom poder ter escolha e fazer um pouquinho de tudo, do que nos convém, do que tem à ver com nossa família, nossa cultura?

a minha tribo é essa aí. eu, meu(s) filho(s) e minhas escolhas ( e o pai deles concorda com tudo o que eu falo)

bo tentarei ser mais sucinta, nao está em mim!!

Beatriz Zogaib disse...

Acabo de escrever sobre isso. Sobre o fato de termos que escolher o que é melhor para nossa família e respeitar o que outras mães escolhem para si. Esse "tem que" é saudável...
beijos
Beatriz

Eduarda disse...

Permitam-me discordar um pouquinho:
No que ao meu filho respeita e ao seu crescimento, educação e desenvolvimento existem alguns "tem que", tais como: Tem que ter valores, tem que ter principios, tem que ser educado, tem que se fazer respeitar, tem que respeitar o proximo, tem que ser solidário...são estes "tem que " que mais exigem de nós mas tb são os que nos dignificam e distinguem. Por isso valem a pena! Muitas vezes na vida é necessario demarcar a nossa posiçao sem margem para duvidas, mesmo que seja colocar-nos à direita ou à esquerda, no lado preto ou no lado branco. As zonas cinzentas em matérias importantes fazem-me confusão, não gosto.

Milenna disse...

Tem que nada! Nós sabemos as melhores escolhas que fazemos pra nosssos filhos e pra nós consequentemente.
Fico com a coluna do meio, mas posso ir pra esquerda ou pra direita sem nenhum problema.
Bjos.

Camila disse...

Carol, não sei em qual coluna eu pertenço. Não diria que nem um extremo ou outro, coluna do meio talvez não tbem. Tenho convicções, estudei, sou psicóloga e identifico muito bem as necessidades e possobilidades da minha família. Do tipo McDonald´s no fim de semana, sabe?! Qual é o problema? Festa em buffet?? Adooooro! E outras cositas mais... O que me tranquiliza e me dá segurança pelo caminho que escolho a cada dia é o resultado vivo: os meus filhos. Não poderia ter mais orgulho por eles e pela forma que chegaram até aqui.
Bjos,
Camila
www.mamaetaocupada.com.br

Priscilla Perlatti disse...

Carol, maternar é uma coisa que se faz com o coração (na maioria dos casos, claro. mas há exceções) e por isso desperta paixões e irracionalidades.
Muitos(as) dirão: coluna do meio é coisa de quem não tem princípios claros, de quem não se importa em defender o que realmente acredita e pratica a maternidade preguiçosa.
Lembra dela, a preguiça? Pois é, acho que aí me achei: sou sim uma mãe preguiçosa, que prefere gastar mais tempo sendo mãe do que teorizando sobre ser mãe.
Bjo
Pri

Roberta Lippi disse...

Posso somar o comentário da Sarah e o da Dadinha? O da Dadinha eu gostei e também acho que você pensa assim: os únicos "tem que" são aqueles que se referem ao respeito ao próximo, a ética, aos valores morais. Esses "tem que" são importantes. Agora os demais se referem a escolhas. Como eu sempre digo, o mais importante de tudo é informação, porque assim podemos fazer nossas escolhas de forma consciente.
Eu sou suuuuper coluna do meio no sentido do equilíbrio, de não ser radical e de respeitar as opiniões diferentes. Mas ser coluna do meio não significa ficar em cima do muro sempre. Significa que um dia você pode concordar com a massa, outro dia discordar, mas na minha concepção estar na coluna do meio significa respeitar quem está nas outras pontas, sem achar que todos têm que pensar da mesma forma.
Impossível a perfeição. Quanto mais tentamos alcançá-la, mais longe ela parece estar.
Beijos beijos beijos

Viviane Pereira disse...

Oi Carol! Tem que o que você quiser, te agradar e ser bom pro seu filho, famíçia. Ponto. E mudaria a palavra maternidade para a VIDA.

No dia em que realmente entendermos que a VIDA é o exercício da escolha e das possibilidades e respeitarmos (verdadeiramente) a visão do outro conseguiremos fazer uma revolução do bem, através da tolerância, da gentileza e do respeito ao próximo.

Daniela disse...

Adorei, Carol!
Cada mãe sabe bem o que é melhor para si e para seu filho... E já temos dúvidas e incertezas demais para ficarmos tentando nos enquadrar neste ou naquele modelo... Não aos radicalismos!
Cheguei ao teu blog qdo estava procurando na net opiniões sobre e entrevista da Elisabeth Badinter e já encontro este texto! Resumo: adorei o de ontem e o de hoje também!
Bjo

Ananda Etges disse...

Carol,

Li teu post e super me achei a coluna do meio. Fiquei inspirada e escrevi um pouco mais sobre o assunto. Tá lá no meu blog :)

Beijos, Ananda.

http://projetodemae.wordpress.com/

Glauciana Nunes disse...

Carol,

Não acho que a coluna do meio seja sempre a mais saudável. Em muitas situações da vida é preciso tomar atitudes, fazer escolhas, aceitar decisões.

E a ditadura do "tem que", em muitos momentos se faz necessária, sim. Há assuntos que, para mim, são indiscutíveis, como a amamentação. A mãe tem, sim, que amamentar seus filhos, caso tenha leite para oferecer. Se não pode, não consegue, não tem leite suficiente, busque ajuda e tente ao máximo. Não conseguiu? Uma pena, é lógico que não é menos mãe nem isso garante que seus filhos serão seres menos amados. Não, nada disso, mas "passar a mão na cabeça" de mulheres que optam por não fazer determinadas coisas por seus filhos é aceitar, de forma bem omissa, nessa tal coluna do meio, que os filhos não são merecedores do melhor. Me entende?

Eu aceito muito bem as diferenças, mas acho que alguns valores éticos e morais e os que envolvem a amamentação e a presença de qualidade da mãe com seu filho como não dignos da tal coluna do meio.

Obrigada pela discussão e pelo bem argumentado ponto de vista.

Beijão!

Glau @redemulheremae e @BlogCoisadeMae