21 de setembro de 2011

sobre possibilidades



Quando eu estava de licença maternidade, vivi aquele dilema de voltar ou não a trabalhar e por um breve período estava certa que me tornaria full time mom. Não achava possível me separar dos meninos, deixá-los em escolinha ou com babá e estava certa que me demitiria na volta ao trabalho. A combinação era que eu cuidaria dos meninos e da casa e Rodrigo pagaria as contas. Simples assim.

Minha certeza era tanta que compartilhamos essa decisão com a família. Todos acharam ótimo, apoiaram e esperaram nossa volta a Porto Alegre. Conversa vai, conversa vem, alguém me disse: "Que bom que vocês podem! Porque eu nunca pude parar de trabalhar, sempre tive que trabalhar para ajudar a pagar as contas!'. Gelei. A pessoa que me disse isso é uma super profissional na casa dos 45 anos, com um ótimo cargo e bom salário. Ela e o marido trabalharam duro e juntaram um super patrimônio.

Mas como assim não poder parar de trabalhar? Simplesmente não acredito nisso. Acho que a vida é feita de escolhas, poucas são as pessoas que realmente não tem opção. Mas as escolhas carregam um ônus: pode parar de trabalhar desde que baixe o padrão de vida, desde que não compre casa na praia, desde que se contente em diminuir o ritmo de viagens e idas a restaurantes caros. Mas é possível.

Estou falando disso hoje porque esse assunto tem sido discutido muito no Mamatraca, nessa semana especial sobre maternidade e carreira. O que a gente pode? O que a gente não pode? E pode mesmo? Independente da minha decisão, que foi continuar trabalhando, acho que prioridade não se discute nem se negocia, e que se cuidar dos filhos full time for uma, sempre se dá um jeito!

17 comentários:

Nine disse...

"Mas como assim não poder parar de trabalhar? Simplesmente não acredito nisso."

Penso que ao escrever essa frase vc se refere a pessoas (mulheres, famílias) como as nossas, classe média, bom padrão de vida...e não a maioria da população que, de fato, não pode se dar ao luxo de escolher.

Eu sempre digo que discutimos muito isso porque podemos sim escolher, mas somos minoria, não podemos nos esquecer disso.

Beijos,
Nine

Sara Lima Saraceno disse...

Discordo, viu, Carol... pq o que significa 'cuidar'?? Pra mim, não é só a mãe estar ao lado do filho em todos os momentos de sua vida, mas, sim, também poder proporcionar certas coisas que, se formos depender do governo, estamos fritas!
Não estou falando de luxo, pois não considero luxo ter uma boa escola (que não precisa ser A ESCOLA MAIS CARA DA CIDADE), um plano de saúde decente (depender do SUS, ao menos aqui na Bahia, é terrível!), poder fazer algum esporte (mesmo quando é gratuito, implica em custos de transporte, vestuário). Que escolha seria esta???
Enfim...

Nanci disse...

Eu optei por cuidar da minha filha full time, como vc diz, mas muitas vezes na hora do aperto financeiro eu me sinto uma inútil que tomou a decisão errada. Adoro cuidar dela, mas é difícil parar de trabalhar, tanto pelo dinheiro como pela sensação de não ser produtiva. É uma discussão que não tem fim realmente e acho que qualquer que seja a decisão tomada pode ser revista e mudada se for necessário. Amo seu blog, ainda espero uma visitinha sua. bjs.

Anônimo disse...

Eu também pensava que "querendo, dá-se um jeito". Só eu sei o quanto eu queria. Tudo foi planejado pra eu largar o emprego no segundo filho, avisei minha chefe e o universo inteiro, até que fizemos as contas e não, não dá.
Tenho uma vida classe média, praticamente não viajo, não ligo pra restaurantes e outras saídas caras (um passeio na praça pra mim já realiza o dia!) mas pra eu ficar em casa, teríamos que reduzir gastos de um jeito que, se o carro quebrasse ou um filho ficasse doente, não teríamos um tostão pro conserto ou pro remédio. Isso, pra mim, não é vida. Então vou voltar a trabalhar, com um aperto no peito imenso, faltam mais de dois meses mas já choro todo dia por isso. Mas na minha concepção, não restou opção para vivermos (já que eu não queria que apenas sobrevivêssemos).
Beijos!

Ananda Etges disse...

Oi Carol,

Concordo com os comentários aqui de cima, tem vezes que não dá e ponto. Meu salário é a base financeira da minha família, paga 70% das nossos contas. E daí, como faz? Acho que tu foi muito generalista do teu universo.

Beijos, Ananda.

http://projetodemae.wordpress.com/

Mamatraca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Minha casa também depende do meu salário, sabe? Mas sempre penso o seguinte: e se um dos meus meninos tivesse algum tipo de situação que precisasse 100% de mim, alguma situação especial ou coisa do tipo, o que eu faria? Seria 100% dele, ora!
Acho que sim, existem casos que a mulher precisa trabalhar, escrevi isso inclusive. Mas o que vejo ao meu redor são casos de pessoas que dizem que precisam trabalhar quando na realidade optam por isso...
Não estou dizendo que a vida não precisaria de adaptações, claro que sim. Mas eu acredito que quando realmente queremos uma coisa, damos um jeito...
A discussão que quero propor é de assumirmos nossa vontade de trabalhar!
Bjs, Carol Passuello

Bianca disse...

Carol, eu entendi totalmente o que vc falou mas é complicado mesmo pq sabemos que tem muita gente que simplesmente não pode, não dá, precisa para o plano de saúde da criança e tals.
Mas tb entendi que existe sim uma "faixa" social que sim, poderiam cortar um pouco ali e aqui mas não "podem", né? E eu apesar de não julgar ninguém acho que tem muita mulher que acha que se falar "vou parar" parece que é uma coisa definitiva, o que não é verdade, né? Fica 1 aninho e depois volta, por ex.. É o que eu fiz e deu certo, TKG!
beijo
Bianca

Karin - @Blogmamaeecia disse...

É verdade quando você diz que pode sim parar de trabalhar, basta diminuir o padrão de vida, ué.
Mas tudo depende da prioridade de cada um. Não dá pra julgar, vai saber!!!

Não é mesmo???

Beijos

Dê Freitas disse...

Olha Carol,

Eu sempre disse que consegui conciliar a melhor solução dentro das minhas possibilidades. Trabalho por conta, com isso consigo administrar melhor o meu tempo, sem abdicar de algo que também sempre deixei claro, minha necessidade por uma atividade profissional.

Não seria uma boa mãe se me dedicasse exclusivamente a Manu, porque estaria frustrada, o que com certeza refletiria nela. Claro que se eu quisesse ser mãe full time, exigiria uma seria de mudanças, algumas até radicais a nossa atual realidade, mas de fato só o faria se meu coração julgasse ser a melhor solução.

Por hora, trabalhar com a cria ao lado (a casa da vovó fica a 5 casas do meu escritório), poder ir em todas as consultar e estar presente sempre que o coração manda me deixa pra lá de tranquila com a escolha.

bjs,

Liten disse...

Ola Carol,

Ameiii o Mamatraca, é muito bom ouvir outras mães com os mesmo problemas que a gente!

Eu voltei a trabalhar mas optei por trabalhar em casa, e foi a melhor coisa que fiz!!

Beijos

Liten disse...

Ola Carol,

Ameiii o Mamatraca, é muito bom ouvir outras mães com os mesmo problemas que a gente!

Eu voltei a trabalhar mas optei por trabalhar em casa, e foi a melhor coisa que fiz!!

Beijos

Tathyana disse...

Só pode escolher parar de trabalhar quem tem essa opção. Pra grande maioria das mulheres essa opção simplesmente não existe e não se trata de deixar de comprar uma casa na praia, mas de dar de comer aos filhos. Eu deixei de trabalhar por um tempo e hj sou dona do meu negócio, trabalho a quantidade de quero e posso, por opção em cuidar e ficar com meus filhos. Precisamos discutir um pouco mais a maternidade real, das brasileiras que não tem opção e nem escolha porque precisam trabalhar, precisam colocar o dinheiro em casa, se não o bicho pega. A nossa realidade é diferente da grande maioria das mulhres, pense nisso.

Bjs

Mariana - viciados em colo disse...

carol,

discordo, respeitosamente, de você quando diz: "poucas são as pessoas que realmente não tem opção." na verdade, estatisticamente, poucas são as famílias que podem abrir mão do rendimento de um dos cônjuges, pelo menos poucas famílias brasileiras de classe média...

talvez para as mais pobres até seja obrigatório, já que não podem pagar um cuidador/escolinha, não contam com equipamentos públicos e as tradicionais redes de solidariedade estão cada vez mais esgaçadas.

talvez o rendimento obtido pelo trabalho da mulher pobre seja tão baixo, que baste parar de comer carne ou de comprar roupas, para as despesas caberem na receita masculina...

eu não quero parar de trabalhar e se quisesse não poderia. NÃO PODERIA MESMO!!!

beijoca

Tati Weiss disse...

Carol, concordo com você que muitas vezes o "não posso parar" é uma forma que algumas mulheres encontram para lidar com a culpa. Acredito que ainda vivemos em uma cultura extremamente injusta e equizofrênica que, ao mesmo tempo que exige da mulher a mesma capacidade e disponibilidade produtiva dos homens, as julga por não dedicarem tempo suficiente aos filhos. O resultado disso é a eterna e incessante culpa, e a necessidade de buscar razões para o trabalho, além do simples e válido amor ao que se faz e a esse papel. Sou mãe há pouco mais de 2 meses, mas já sinto claramente os terrorismos que me cercam: tem que amamentar exclusivamente até os 6 meses, tem que AMAR ficar 100% disponível e ter mudado a vida toda, tem que sofrer e não querer voltar ao trabalho, etcetcetc. Ou isso, ou não devia ter sido mãe. Cruzes! Espero mais pra frente poder ensinar a minha filha que as escolhas estão aí para serem feitas, e que a culpa é a maior inimiga de nós mesmas. AMO o Mamatraca!!!! Beijos, Tati

Coisas de mãe disse...

Oi Carol, acho que muitas mulheres realmente não tem esta opção, não tem nem marido para pagar as contas caso elas não trabalhem.

Mas muitas tem e, como você falou, não querem mudar o padrão de vida, ou querem trabalhar e usam isto como desculpa.

beijos

PS O mamatraca está realmente muito bacana, parabens!

Anônimo disse...

Impossível quando vc e a provedora da casa... Mas nao acho que há problema algum o papai ser o cuidador fulltime. Existem inúmeras possibilidades... E cabe ao casal decidir qual a melhor alternativa. Porém, nunca e fácil.