15 de dezembro de 2010

executivos



Depois de escrever o último post, fui dar um treinamento para um grupo de 20 líderes, todos homens, e me dei conta de algo que nunca tinha percebido: assim como nós, eles também sofrem. Muitos falaram sobre como se sentem culpados em deixar a família para se dedicar à carreira em uma empresa que exige muito. De como se sentem tocados quando a filha de 05 anos pergunta para o pai (gerente de manutenção) se naquele final de semana haverá troca de um rolamento na fábrica pois ela gostaria de ir ao clube com ele e de como é difícil se concentrar no trabalho quando a esposa já está na 40ª semana de gestação e o filho pode chegar a qualquer momento.

A figura do executivo durão que não tem sofrimento ou sente culpa nem sempre é real.

* * * * *

Ainda, me peguei pensando que a paternidade, assim como a maternidade, envolve uma construção. E como mães de meninos, que pais são esses que ajudamos a construir? Como disse a Cris nos comentários do post anterior, "criamos filhas princesas e filhos guerreiros". Meninas orientadas para forno e fogão e meninos para ganharem o mundo. Que tipo de pais serão? Será que ajudarão suas esposas nos cuidados dos nossos netos e da casa? Por que então não damos uma boneca e algumas panelinhas para nossos meninos? Será que meninos não deveriam brincar de ser pai?




17 comentários:

Tchella disse...

brincar de ser pai, boa gostei, quero lembrar disso qdo o lucas tiver idade p entender...

Nós, os Cebola disse...

Nossa, Carol, mas eu falo SEMPRE isso pra minha mãe!
Eu vou [tentar] fazer do meu filho um homem sem preconceitos, que entenda que certas tarefas/sentimentos/pensamentos não são definidos por gênero.

Ah, que legal que outras mães pensam como eu!

Porque, sei lá, tem gente que me acha maluca por achar que tudo bem dar uma boneca pro meu filho se ele quiser. Não acho que chega a esse ponto, mas, se chegar, não vou deixar de dar a ele porque existe "brinquedo de menino/de menina".

Uma amiga [que está terminando psicologia na USP] disse que um professor dela estava comentando exatamente sobre isso, sobre o homem precisar construir depois de adulto essa sensibilidade, desenvolver "o cuidar".
Disse que o cara separou da mulher e, por gostar muito da filha, pediu guarda compartilhada. Mas daí que só depois ele descobriu que ele não sabia cuidar, que não tinha paciência quando a menininha chorava e se tocou que não tinha sido criado pra isso... e em vez de se conformar, ele procurou ajuda psicológica, acredita?


Enfim, chega, comentário gigante.
Câmbio desligo.

Beijo!

Camila disse...

Adorei essas boas notícias!!
Bjos,
Camila
http://mamaetaocupada.blogspot.com

Rafaela disse...

Aqui na Suécia os meninos usam roupas rosas e brincam de panelas e bonecas da mesma maneira que as meninas. isso foi um choque pra mim, mas para eles é ali que começam as igualdades de sexo.
aqui, os pais tem o mesmo 1 ano de licença paternindade das maes...
aqui voce MUITO mais paes com carrinhos doque mães... é INCRIVEL a diferença para o Brasil.

Docedia-dia disse...

oie passando para conhecer seu blog..
Beijinhos

Camila disse...

Sabe Carol, aqui em casa, o fato de ser "um de cada" ajuda bastante. Ou melhor, está ajudando. Tanto o Antônio quanto a Isabela brincam com os brinquedos um do outro. É incrível a curiosidade deles com algo de "menino" ou "menina". Eu incentivo, brinco junto e sempre explico que os meninos brincam disso e as meninas daquilo, mas eles podem brincar com o que tiverem vontade.
Beijos*

Letícia Volponi disse...

Excelente reflexão. Adorei o post

Raquel M.B.G. disse...

Oi Carol, acho este post bem interessante, pois não é uma questão de sexos, e sim de mudança dos tempos. É claro que a carga maior da modernidade está nos nossos ombros, não podemos negar. Mas eles também sofrem, pois não são mais os mesmos homens de antigamente...(hope so...) abraços,
Raquel

Carol Garcia disse...

Carola,
ontem mesmo tive um papo desse com a minha sogra.
ela riu quando eu disse que isaac gostava de panlas e eu arrepiei:
- qual o problema de um rapaz ou pai de familia saber cozinhar? ou querer ser um chef de cozinha?
então, querida amiga... acho até que estou no caminho certo, não?!?!?!
ótima questão, viu? adorei o post.
bjo bjo bjo

Lia disse...

Falou e disse. Se todas as mães de menino fossem como você, que maravilha viver...

Martha disse...

Minha mãe sempre fala isso... que o comportamento dos homens é influenciado diretamente pela criação que os pais dão.

Se são preconceitusos e machistas será dificil o "menino" tratar a mulher com respeito e em pé de igualdade.

Otima sua reflexão!
Bjnhos

Anne disse...

Li tb o outro post e choquei com a relação sapatos X poder. analogia estúpida.
Homens e mulheres são diferentes, essa história de ficar buscando igualdade é falida. O que buscamos é RESPEITO igual, com direto às mesmas oportunidades e o pacote completo.

Mas então os homens tb merecem o mesmo tratamento, por exemplo com relação à paternidade? Ah sim, sem dúvida. Ou uma semana é suficiente para vc receber, acolher, se adaptar ao seu novo filho e ainda (se for um pai xuxu) ajudar um monte a recém parida?

Culpar a diferença de gêneros pela disputa entre famíliaXtrabalho é superficial. Homens sofrem, mulheres sofrem, mas de maneiras diferentes, pois são diferentes a sua responsabilidade e participação na família.

Cabe às empresas conseguirem respeitar as relações humanas à frente dos ideais de lucro, rapidez, eficiência.

É louvável como mulher se atingir a presidência da CSN, sem dúvida. Mas essa pessoa não é a mãe do ano, e tem que aceitar essa escolha. E não se ofender qdo alguém diz: vc coloca sua carreira na frente dos filhos. Ok, coloco mesmo. (eu não tá... ando numa loucura intensa para conseguir equilibrar MESMO as duas coisas. andando na corda bamba de verdade. acredito no equilíbrio, mas acho que é uma corda tão fina, que fica quase impossível não cair para um lado ou outro)

espero que o mundo corporativo chegue lá, em respeito aos pais e mães/ trabalhadores que fazem questão em serem bons em ambas as coisas.
bjo bjo

Jussara disse...

Vc tem toda a razão. Conheço homens que são como são por causa da criação machista que as mães deram, de colocar a menina pra fazer tudo e poupar o menino. Crescem folgados, mimados, querendo que a namorada ou esposa seja uma outra mãe pra eles. São do tipo que não ajudam nos cuidados com os filhos e nem da casa. Enfim, acho que cabe à nossa geração mudar a forma como cria os meninos. Confesso que de tanto ver a folga e o jeito de ser do meu irmão (e de outros que conheço, mas ele é o meu [mau] exemplo mais próximo) eu sinto arrepios e tenho um certo medo de ter meninos. Mas como acredito muito em educação e criação, sei que posso mudar isso.
Só acho que a questão vai um pouco além de dar panelinhas para os meninos; meu irmão brincou com panelas e não adiantou nada. rs
Mas acho válido que eles brinquem com bonecas e fogão, se for da vontade deles, assim como não acho errado menina brincar de bola ou com carrinho.

Mary disse...

Ai jesuis.. marido tb fica as vezes no fim de semana, os computadores não podem parar, então, quando chamam ele vai.. e o Pietro chora, pergunta por ele o tempo todo!

Dani, a Mãe da Flor disse...

Amei!!!
Muito boa reflexão!!!
Minha sogra devia ter dado umas panelinhas e uma loucinha para meu marido lavar!!! rsrsrs
Bjo!

Geane Cristina Schuh disse...

Na escolinha da minha filha de 3 anos, as tias são orientadas a não diferenciar ou estimular as diferenças entre meninos e meninas. Mas é algo que não se tem controle... já ouvi a Sofia dizendo: "mãe, esse é brinquedo de menino... esse é de menina...", dentre outras. Perguntei para ela o que quer ser quando crescer e respondeu: "não quelo mais ser doutola, agola quelo ser pincesa"... rsrsrs...

Priscilla Perlatti disse...

Carol,
Quando vc escreveu esse post e o anterior fiquei pensando muito sobre o assunto. Levei 1 mês pensando antes de comentar.
É louvável você levantar esse assunto e vi que tiveram muitos comentários e trocas de experiências.
Acho que, assim como está sendo feito com a abudância (no bom sentido) de informações sobre parto, gestação e assuntos de empoderamento das mães, deveria haver um debate maior (principalmente na blogosfera materna!) sobre a questão filhos x carreira. Não é possível que só haja a opção ou um ou outro! Será essa uma questão apenas cultural ou da nossa geração??
Vou produzir um post sobre o assunto e vou te linkar, ok?

Bjs

Priscilla
mae-de-duas.blogspot.com