Como não tenho mais memória para o que não for extremamente necessário, obviamente esqueci que no dia 25/01 é feriado em São Paulo e marquei uma viagem de uma semana para atender um cliente fora do estado. Seria a primeira viagem que teria que dormir 4 noites longe de casa desde que os meninos nasceram. Sim, seria, porque 'feriado' é igual a 'escolinha fechada', que é igual a 'com quem ficarão as crianças?' que é igual a 'não posso viajar'.
Então que educadamente mando um email para o gerente do projeto (que outroras foi meu chefe) explicando a situação e minha dificuldade de mãe de gêmeos sem parentes na cidade. Minha sugestão: que outro consultor, embora não tão experiente (cof, cof), me substitua, até porque bem sei que o mocinho anda um tanto ocioso. E Deus ajuda quem cedo madruga.
A resposta veio meio compreensiva (OK, Carol) e meio ameaçadora (manda um mail pra fulano - nosso chefe - pra ele saber quando e quem está em qual lugar). Ou seja, solicitando que eu informe ao chefe que eu não estarei no lugar que deveria estar. Que eu não estarei trabalhando no feriado como havia prometido porque eu tenho impedimentos para isso.
Tenho certeza que ele não fez por mal. O que acontece é que não está definido o que se espera de uma mulher que vira mãe em termos de dedicação profissional. Que não se sabe o que exigir. Que ou a mulher deixa os filhos com alguém no feriado (sem poder falar dessa situação na empresa) ou acaba por largar o emprego, de tão difícil que passa ser conciliar trabalho e maternidade.
Sim, porque as saídas possíveis são: ou a mulher age como um homem e não leva problema de casa pra dentro da empresa ou age como é (ainda) esperado de uma mulher e deixa de aceitar oportunidades profissionais em prol da maternidade. Conciliar ainda não é possível. Espero que um dia seja.
Sim, porque as saídas possíveis são: ou a mulher age como um homem e não leva problema de casa pra dentro da empresa ou age como é (ainda) esperado de uma mulher e deixa de aceitar oportunidades profissionais em prol da maternidade. Conciliar ainda não é possível. Espero que um dia seja.
* * * * *
Absurda a Vogue deste mês (e do mês passado, como a Ivi já disse). Muito bonito querer fazer um especial black is beautiful e colocar só modelos negras nos editais. Mas modelo com cabelo liso, nariz fino, e pele café-com-leite não é negra.
Nada pode ser mais preconceituoso.



21 comentários:
Carol,
Eu vivo repetindo no escritório, para quem quiser ouvir: Conciliar não é fingir que não se tem filhos. No meu trabalho todo mundo sabe que sim, sou mãe, sim, mariana é prioridade. E que, dentro dessa limitação, faço o melhor que posso sempre. Não é cedendo que a gente ganha espaço. É marcando posição. Para mim, pelo menos até aqui (rsrs) tem dado certo.
beijos
Carol,
passo pelos mesmos apuros que vc... Agora mesmo estou no RJ, em uma viagem de 5 dias. Meu filhote está com o pai e creche. Mas se fosse feriado, também não poderia ter vindo.
É complicado mesmo para a gente que trabalha, tentar ser a profissional de antes dos filhos. Eu tento não negar viagens e horas extras, mas tem vezes que não dá.
Será que vc não consegue trazer alguém da sua família para ficar com eles nesse dia? Ou pagar uma diarista que fique junto com o marido? Tenta essas opções.
Beijo!
Acho incrível essa frieza com que é tratada a mãe que tem que abdicar de seus filhos pra se dedicar a uma carreira.
Como se não fizesse mais que sua obrigação, correto?
Aqui na empresa vejo muito disso. Temos expediente no domingo e o que ouço pelos corredores são: "Com fulana não dá pra contar, ela tem filhos..."
Hellooo! Que atitude é essa?
Péssimo né? Mas é a realidade.
Bjos
Carol, muito bom esse seu texto, e tenho certeza que muitas de nós se identificaram com ele. É o problema que nos aflige atualmente, creio, pelos posts a respeito que tenho lido na blogosfera.
Eu sempre digo que se fosse funcionária da inicitiva privada já estaria desempregada há muito tempo. As empresas, na grande maioria das meses, são cruéis com as mulheres que não cumprem compromissos, ou não estão tão disponíveis quanto antes de terem filhos.
Como servidora pública tenho uma segurança maior, por conta da estabilidade funcional, mas os problemas são os mesmos: não posso participar de treinamentos presenciais em cidades distantes (e do Chuí, TODA cidade é distante) em que tenha que passar noites fora de casa, consequentemente não me aprimoro, não evoluo, não sou promovida.
Eu fui responsável durante um tempo por um determindado trabalho com empresas optantes do Simples. Antes da gravidez, estava sempre à disposição, podia fazer palestras, podia fazer cursos, ficar depois do horário, mas depois tive que "largar" meu conhecimento e essas atividades nas mãos de outros colegas com maior disponibilidade do que eu e não demorou muito para que eu mesma ficasse ultrapassada, e sem motivação para continuar com o mesmo trabalho.
Quem sabe nossos filhos já não viverão num mundo melhor para as mães que trabalham, né? Temos que nos esforçar para isso.
Beijos,
Nine
Ai, Carol, suspirei bem fundo depois de ler teu post. Se nós não sabemos como agir e o que esperar, imagina nossos chefes. Nossa geração tá apanhando bastante nesse ponto, mas acho que a gente vai conseguir deixar o campinho limpo para que nossos filhos e filhas possam usufruir de uma sociedade que em termos laborais seja mais madura em relação à mulher e à maternidade.
E nós não sabemos, também, até que ponto carregamos neuras de nossas mães, de valores sociais antigos (de épocas em que a mulher só servia para casa e filhos), e até que ponto somos tão essenciais assim para as crianças. Eu estou testando, procurando essa resposta. Se achar, compartilho com vcs!
E, o ô essa da Vogue mesmo. A mulher da capa é uma morena bronzeada, negra é outra coisa. Podiam fazer um editorial com modelos padrões normais tb, né (leia-se: pessoas normais, que comem e não tomam laxantes).
Bjsssss, tava com saudades dos teus post inspirados.
Cris O.
Nossa Carol, também tinha esquecido completamente do feriado e da escolinha fechada. Como esse mês até tive que trazer Bento pro trabalho pra não faltar, nem sei como farei se a escola emendar e não abrir dia 24.
Mas é bem isso que vc escreveu, é difícil conciliar as exigências com as possibilidades. Quem sabe um dia a gente chega lá...
bjos
é. não se sabe mesmo o que exigir.
acho que esquecem do real motivo: bebês crianças filhos,
acham que essas mulheres precisam de "regalias" por motivos "pessoais... humpf. não é mole. não é mesmo.
a vogue... humpf²
bjo
Eu noa consegui nem emprego depois da maternidade, os dois unicos eram furadas, tipo a gente abre excessoes pra ti e vc vira escrava, tapa buracos, carregadora de piano e ganha miséria, afinal nem formada vc é! e sei que tenho valor, é tão injusto...então optei por ficar em casa por enquanto. ainda sofro por isso, pq sinto a cobrança por ter estudado e ter experiencia e nao ser uma mocinha, que saco! sobre a voguq, a mulher nao é negra nem aqui nem na china né? que desaforo. com tanta negra linda eles ficam com palhaçada... bjs
A verdade é que as mnaes que trabalham tem que QUERER muito. Não digo o querer de uma pessoa mimada. Querer mesmo pela necessidade. Querer por se desdobrar. MAs não é fácil, nem no trabalho, nem em casa. Acho um malabarismo sem fim. De egos, de vontades, de prazos e necessidades.
beijos
Pati
Nossa sei bem como é isso. Sofri tanto qto voltei daq licença maternidade que acabei saindo do emprego 4 meses depois. Sinto muita falta, mas confesso que não tem preço poder estar participando tão ativamente da infância do meu filho. Quero voltar a trabalahr daqui um ano e espero que até lá haja melhorias para as mães ou pelo menos mais compreensão por partes das pessoas. Quanto a Vogue, sem comentários, Ridículo! Bjos
Cruel mesmo conciliar as duas coisas. E se com um filho a coisa já não é fácil, imagina dois. E com parentes por perto já não é mole, imagina sem ninguém!
É, realmente, todo mundo espera muita coisa da mulher! Se encara o trabalho como prioridade, não é uma boa mãe. Se prioriza os filhos, não é boa profissional! Poxa vida, vamos combinar!!!! "Expectativas desleais" não?!
Mas e aí, como ficou o caso?
Espero que tudo se resolva bem!!!
Enquanto isso, espero te ver no domingo!!! E aí, o que vai ser?
Grande beijo
e uma ótima noite para vcs :)
Ju
Oi Carol, se te consola - ou não - eles nunca compreenderão, de verdade, o que você tentou argumentar. Eles podem até fazer um "ok", mas no fundo estão nos julgando, ou nos diminuindo. Sendo assim, F.... eles, e faça o que manda a sua consciência, pois o que realmente importa está da porta da nossa casa para dentro. Bjs
Raquel
Uma vez quando o Lucas emendou alergia,com virose, com alergia, enfim, 2 meses doente, meu marido pensou alto: "e se vc trabalhasse fora como ia ser?
Eu falei na lata:" Meu chefe ia me odiar pq iria ter muitas faltas em 2 meses"
Ele ficou me olhando com uma cara indefinida.
Os homens ainda não sabem como agir, já nós temos as ordens das prioridades bem definidas logo que viramos mães.
Beijos!
oh baby, que dilema!
mais uma vez levanto a bola para os pais, porque duvido que o gerente ou o seu chefe não sejam pais. quando pais e mães dividirem fifty-fifty as tarefas inerentes da maternidade, teremos mais empatia nestas questões e passaremos a viver os dois gêneros este dilema e a questionar este regime de trabalho, assim como as políticas de apoio à família.
fique bem!
Putz cara! É incrível a postura do mercado de trabalho em relação a isso. Filhos são filhos e devem sempre vir em primeiro lugar. Os chefes deveriam ficar felizes por ter uma funcionária que tem as prioridades no lugar e não o contrário, né?
Boa sorte com tudo!
Carola eu ando conciliando assim aqui:
opa! sou mãe, lembra? então. não conte comigo.
senão, meu bem, me atropelam e f...-se a minha família e a minha sanidade materna.
um caos.
mas mesmo assim tenho que virar e fazer de mim 1000.
difícil...
a vogue está o ó. mesmo. achei absurda a capa nada beautiful e nada black.
aff....
bjocas
Oi Carol! Aqui é a Dani! Prazer!
Conheci sue blog através do "Meu projetinho de vida" da Rô Lippi, quando ela comentou aquele vídeo do natal (nossa só de lembrar, ainda caio em lágrimas!!!).
Não havia deixado nenhuma mensagem aqui ainda, mas hoje, tenho que me manifestar! Principalmente porque, depois que li seu post, me perguntaram aqui, quantos dias eu iria ficar de licença maternidade.
É...quantos dias!
Tô esperando minha segunda filha, a Alice, que já já chega (tô com 36 semanas). Sou advogada e trabalho com uma equipe de 4 advogados.
Todos homens.
Me sinto, constantemente assim como você. Se atraso uns 10 minutos porque minha filha demorou um pouquinho a mais para acordar, o celular já toca.
No começo, ficava revoltada. Mas agora, finjo que não é comigo. Liguei o fod...-se, sabe?!
Faço meu trabalho direitinho, não perco prazo e dou o melhor de mim.
Então, se alguém não quiser me esperar, dane-se!
Ah...sabe qual foi minha resposta para a pergunta dos dias? Perguntei se ele não queria saber quantas horas eu ficaria fora do escritório?!
Aí, quem saiu sem resposta foi ele!
Hum...já falei demais para a primeira vez né!
Mas é que o assunto é bom e rende! E seu texto, é bom até!
Beijo!
Vou aparecendo! Se quiser, vai lá no meu blog também!
Dani
É tão difícil esse equilíbrio! E depende muito de nós mesmas (com o apoio da família) conseguir mante-lo.
Gosto muito quando vc escreve sobre esse assunto Carol porque acho que toda mãe é obrigada a fazer essa escolha (carreira x filhos), em grandes e pequenos momentos. A identificação é grande.
Beijos
Priscilla
mae-de-duas.blogspot.com/
Obviamente sei que assim como eu outras mulheres passam por isso, mas é ótimo ouvir relatos, assim me sinto menos sozinha.
Meu Gabriel fez 2 meses ontem e esta semana me ligaram pedindo que eu retorne da licença 1 mês antes (ou seja, quando ele tiver apenas 3 meses).
Meu chefe tem 2 filhos pequenos também, mas a esposa dele pode se dar ao luxo de não trabalhar.
Apesar de não ter sido explicita, sempre fica aquela mensagem subliminar de "se preferes ser mãe, tem outras pessoas para ocupar teu lugar".
Estou bem chateada, mas tive que ceder e retornarei antes. Ao menos consegui negociar um retorno gradual, no início vou trabalhar somente meio turno.
Oi Carol!!!
Fez falta lá no almoço, menina! Todo mundo queria conhecer os meninos!!!! (E vc tb, é claro! Mas a gente só falava nos seus filhotes lindos e fofos, hehehe)
Foi uma peninha mesmo, mas eu entendo! Espero que numa outra oportunidade a gente possa se encontrar ;)
Beijo beijo
Ju
Sabe Carol que, no sábado mesmo, eu falei para o meu pai (que tinha dois celulares tocando loucamente + 38 e-mails chegando para responder em 1/2 hora, enquanto ele dirigia o carro por ter ido me buscar com as crianças, em SP): ADORO MINHA VIDA NORMAL!!!
Já ralei muito, já me fiz 1.000, já tive que aguentar cara feia de chefe porque não podia trabalhar além das 23hs (!!!), mas hoje tenho um emprego fixo, das 8hs às 18hs, com um salário adequado, que chega sempre no dia prometido. Pronto!
Decidi que não preciso ser A melhor consultora, A melhor professora, A melhor voluntária, A... só preciso ser A MELHOR MÃE que meus filhos possam ter. Porque, no final, eles só tem essa, né?
Bjos e bençãos.
Mirys
www.diariodos3mosqueteiros.blogspot.com
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