4 de abril de 2011

sobre morar longe



Semana passada uma jornalista me procurou para falar sobre como é criar os filhos longe da família (para ler reportagem clique aqui). Confessei que não é fácil. Não apenas por não ter braços extras para ajudar com os meninos, mas, e principalmente, pela ausência do convívio com a grande família no dia-a-dia. Convivência com a avó que mima, com o avô que tem uma coleção de carrinhos, com tios que ensinam malandragens e com uma prima que fala catalão tão bonitinho que todo mundo se derrete.

Fui criada no meio de uma família enorme, com todos os quatro avós vivos, um monte de tios, tias e primos, tanto por parte de mãe quanto de pai. Todo mundo muito próximo, dormindo ora aqui e ora ali, almoçando junto no domingo e veraneando em Capão da Canoa. Delícia. Aqui em São Paulo somos só nós quatro. Claro que vamos a Porto Alegre com alguma frequência e eventualmente recebemos visitas, mas isso é a exceção, não a regra. Realmente sinto pelos meninos não terem o 'familião' mais perto, esse bando de gente boa que vai mostrando como as coisas são feitas e o que pode ou não pode. Transmite a cultura, sendo sintética.

Além dos valores da família em si (única), passa também os valores regionais, muito mais amplos. Acho São Paulo ótima, mas não é a cidade na qual fomos criados e da qual carregamos um enorme pacote cultural. A tradição gaúcha é forte e sinto que se não aprenderem 'O Pezinho' ficará uma lacuna em suas vidas. E, sinceramente, não sei como fazer isso à distância. Como ensinar o que é o 20 de setembro, tomar chimarrão, falar tu e torcer pro Inter de longe? Sinceramente, não sei. Sinto muito por não ter a família por perto para ajudar nessas transmissões também.

PS: para quem não conhece a dança do Pezinho, clique aqui. E no RS, isso se aprende na escola.

* * * * *

Ainda sobre a distância, se a postagem programada funcionar, no instante que esse texto entrar no ar estarei embarcando para a Argentina para trabalhar no meu primeiro projeto internacional (lembra que falei aqui?) e ficar um número recorde de noites longe dos meninos: quatro. Me faço de forte, mas o coração tá apertado.

18 comentários:

Sofia disse...

Também vivo longe da família e concordo contigo, não é fácil. E depois além da saudade e falta na convivência do Leo com a família acontece que as duas vezes por ano que os visitamos é tão intenso tanta festa, tanta gente de uma só vez junta que acaba por ser muito cansativo e stressante para o pequeno e fico sempre com a ideia que ele acaba por não aproveitar... Não é mesmo fácil mas esta foi a escolha que fizemos temos que tentar leva-la da melhor forma possivel né?
Beijinhos e bom trabalho longe dos filhotes mas vais aproveitar tudo juntinho quando estiveres de volta :)

Lia disse...

Carol,
Me identifiquei muito com o seu post e tenho algumas ideias.
Nasci em Fortaleza e minha família se mudou pra Brasília (uma terra totalmente sem identidade) quando eu tinha 4 anos incompletos. De parentes, tinha só uma tia minha que já morava aqui e tinha 2 filhas pequenas. Deixei avós, tios, primos - e eram muitos deles!
Mas nossa identidade de cearenses e nossa ligação com a família estendida sempre se mantiveram. Qaunto à cultura, sempre lanchamos cuscuz, tapioca, almoçamos baião de dois... E meus pais mantiveram grande parte do vocabulário local. Quanto à família, íamos a Fortaleza a cada 2 anos, e toda vez era como se nunca tívessemos nos separados dos primos, tios e avós. O sangue, quando é da família, ferve com o reencontro.
Hoje, grande parte da minha família acabou vindo pra Brasília por questões profissionais. E por incrível que pareça, com os afazeres do dia-a-dia, não estamos mais tão próximos. Férias era dedicação total aos relacionamentos...
Então o que eu diria é: mantenha os hábitos da sua região em casa, que seus filhos vão absorver, e visite PoA com frequência!
Bjos

Carol Garcia disse...

ôooo carola...
força aí!
sei que esses dias vão parecer séculos, mas a volta é uma delícia.
e vc passa supercola e só desgruda quando a dupla dinâmica precisar trocar a fralda.
me deu vontade de chorar.
tchau antes que eu fale alguma besteira triste!

bjocas

Mariana - viciados em colo disse...

ai, carol,
nem me imagino ficar longe da família, mesmo desejando sair de SSA. Você tem razão sobre este processo de entrar na cultura: até hoje me lembro do primeiro oxi de Alice! Muito bom! Por outro lado, eles terão oportunidade de viver suas culturas diferentes... ou várias!

Sobre os quatro dias: também vou ficar cinco noites longe de Arthur pela primeira vez - a diferença é que vai a passeio - e estou sofrendo por antecipação.

Sei que eles vão ficar bem, se apegue nisso!

Beijoca

Roteiro Baby disse...

Boa viagem, Carol. Sua forca na reportagem se sente de longe. Exemplo!

Tchella disse...

um abraço conterraneo para ti, neem sei oq dizer, porque tambem amo esse nosso Sul, nossa cultura, tudo, me perdoe o resto do Brasil, mas aqui é o melhor lugar para se viver :)

4 noites longe? vem aqui, dá um abraço!

Nine disse...

Ai bota aqui, ai bota ali o seu pezinho/O seu pezinho bem juntinho com o meu

Ô coisa gostosa! Realmente não tem como ensinar essas coisas à distância. Eu nasci em POA, minha família está quase toda no RS, morei até os 9 anos entre Torres e Passo de Torres, mas aí fui para SC e fui perdendo essa alma gaúcha, o sotaque, o tu, os bah, tri legal, as canções nativistas nos churrascos de domingo.

Voltei a morar no RS recentemente, foi bom ver o 20/09, mas eu nunca poderei reproduzir para a minha família a nostalgia que eu sinto ao ouvir músicas de Kleiton & Kledir, ou "quero gaita de 8 baixos, prá ver o ronco que sai..."

E morar longe é difícil, eu convivi muito de perto com meus tios e primos e avós e hj minha filha não conhece o único primo que tem e a cada visita dos avós e tios leva muito tempo para de adaptar a eles...

Beijos,
Nine

Unknown disse...

Querida me faco de forte tambem, mas na verdade somos fortes e corajosas. Estou lendo seu post e batento recorde junto contigo, estarei longe da C por mais de 7 dias.
As oportunidades existem e se podemos abracar-las e sermos otimas maes ao mesmo tempo. Pq nao? O negocio eh ser feliz.
bjs Carol P
www.motherlovedatabase.com

Keka disse...

Ai amiga agora fiquei com a musica do pezinho na cabeça hahaha Morei em Caxias do Sul na infância a cantava muito "ai bota aqui, ai bota ali o seu pexinho..." kkk

Nossa, deve ser dificil ficar longe da familia e agora longe dos meninos por 4 dias mas vc é uma batalhadora e sem duvida vai conseguir amiga!!!! Traz presente pra mim hahahaha! beijos!!!

Dê Freitas disse...

Carol,

Força nesses dias. Meu coração já apertou só de imaginar essa situação.

Beijo enorme!

Mari Hart disse...

Queri, tb criamos 3 criancas longe de todos. O pai da minha filha mora em BH, minha sogra em Miami, e minha mãe do outro aldo da cidade, vejo de 6 em 6 meses! Não é mole não, mas dá-se um jeito como tudo!

Qto a sua viagem... é p/morrer de saudade né!? Mas aguenta sim! E aproveita!

Bjkas!

Mirys Segalla disse...

Carol:

E-XA-TA-MEN-TE por todas as culturas que o "familhão" traz consigo, que nós decidimos deixar a capital (e os empregos, e os salários, e...), quando o 1o filho nasceu.

Ainda hoje acho que foi uma das melhores coisas que fiz na vida!!!

Claro que não funcionaria bem pra todo mundo. Mas, nós não somos todo mundo, né? Somos só nossa familinha de 4... 3 na terra e 1 no céu (cedo demais).

Bjos e bençãos.
Mirys
www.diariodos3mosqueteiros.blogspot.com

Camila disse...

Carol querida, não posso nem imaginar o q é morar longe e ficar sem a família e os "pezinhos"... Não deve ser fácil... Hj maridinho vai passar a noite fora por motivo de trabalho e eu estou arrasada de saudades já... e ele tbem! Boa sorte pra nós, né?!
Bjos,
Camila
http://mamaetaocupada.blogspot.com/

Carlinha Freitas disse...

Nossa! Meu sentimento é igual ao seu... Crio meu filhote longe da família e me dá um aperto no coração de ver o que ele perde (colinho da vovó, bagunças com os priminhos, etc).

Quanto a viagem, eu já fiquei uma semana longe dele... é dificil demais!!! Eu que amava viajar, agora invento desculpas pra não ir eheheh

Beijo!

Nave Mamãe disse...

Olha, ruim mesmo morar longe da família, mas tem um lado bom: dois colorados a menos no mundo!

Hehehe

Beijos

Ananda Etges disse...

Eu morava em Londres quando engravidei e a família foi algo que pesou muito na hora de decidir voltar para o RS. Trouxe de bônus o marido paulista e agora pretendemos ficar em Venâncio Aires, minha cidade natal, até nosso filho ter pelo menos 1 ano. Assim podemos ter uma ajudinha e curtir o baby na calmaria do interior. Depois vamos ver pra onde a vida vai nos levar...

Mas ficar sem o chimarrão, os jogos no Olímpico e as tradições gaúchas é difícil! Ô se é!

Beijos, Ananda.

http://projetodemae.wordpress.com/

Sarah disse...

Sinto muita falta da convivência familiar também. A família mais próxima é do marido, com tios e primos já adultos. A maior riqueza é a bisa, mas as avós estão longe...
Sobre as tradições regionais, até já imagino seus pequenos dizendo "tu"! A convivência com vc e o marido vai influenciá-los muito nesse sentido, já que as crianças são pequenas esponjinhas. Bento vira e mexe repete coisas que falo, inclusive expressões (outro dia soltou um "merda", mea culpa!!). Tudo bem que não é o mesmo que estar na nossa terra, mas ajuda!
bjocas e boa viagem!

Anne disse...

gatona! Vc é uma fortaleza, percebeu?
vc sabe muito bem lidar com todas essas distâncias, elas passam rápido e só ficam as coisas boas!
sou sua fã!
#vestidodeprendafeelings
hahaha
bjo boa viagem!!