5 de setembro de 2011

quer dar um 'clique capitalista' na cabeça do seu filho?



A revista Época Negócios de agosto tem uma reportagem muito interessante sobre educação para líderes do futuro. A partir da constatação de que o Brasil vai criar muitas oportunidades nas próximas décadas, discute como as novas gerações devem ser educadas para aproveitá-las. A revista apresenta cinco possibilidades de educação, as discute e traz exemplos de empresários e líderes bem-sucedidos que traçaram esses caminhos.

Explora desde pedagogias mais liberais e inovadoras até as mais tradicionais, que estimulam a competição entre os alunos, separando as turmas dos "mais fortes" das turmas dos "mais fracos" e criam um ambiente de selva para os alunos competirem. Particularmente, acho isso absurdo e já escrevi aqui que penso que a educação vai além da escola, e que para mim a lógica sucesso = passar no vestibular = escola 'forte' não convence.

Mas parece que convence muita gente, pois a revista apresenta uma espécie de acampamento de férias cujo objetivo é dar um 'clique capitalista' na cabeça de crianças de 5 a 17 anos. Funciona como um acampamento mesmo: as crianças vão para lá aprender sobre princípios de criação de riqueza e ter aula de finanças, tudo através de jogos e dinâmicas, como, por exemplo: 'numa espécie de pega-pega organizados por especialistas em finanças, uma criança com as pernas amarradas corria atrás dos colegas. Aos pulos, tentava pegá-los - todos de óculos com uma imagem de cifrão nas lentes. O menino de pernas amarradas simbolizava a figura do trabalhador. Para aprender o conceito de renda ativa era obrigado a perseguir seu salário - os demais participantes'.

Sinceramente, não sei avaliar o quanto entender o conceito de renda ativa determina se a pessoa terá dinheiro ou não na vida. E também não vou entrar na discussão se dinheiro é sinônimo de felicidade ou de sucesso, mas botar uma crianças para correr (mesmo que metaforicamente) atrás de cifrões me incomoda demais. E como acabou a aula? Aprendendo sobre renda passiva:  'depois de acumular certo volume de capital, o "trabalhador" podia, enfim, receber o descanso merecido. Sentado numa cadeira de praia, o menino era paparicado por todos'. Claro!

14 comentários:

Carol Garcia disse...

Pois é, Carola...
Li a matéria e fiquei com essa mesma impressão.
de exagero.
se a vida já deve começar assim, com esses ensimamentos, aos 5 anos de idade, o que será do termo criança daqui um tempo?
imagino que depois de uma certa idade pais e responsáveis precisam direcionar a criança ao modelo de educação em que acreditam, mas vá lá... insrir a criança nessas dinâmicas, disputas, economias??? demais pra mim.
e mais, o sucesso de cada um não depende somente do ensino escolar.

bjocas

Chris Ferreira disse...

Oi Carol,
não li a matéria mas, pelo seu post, achei meio absurdo esse acampamento. Também acho que a educação vai muito além da escola. Acho também que o grande diferencial está no comportamental, na criatividade, no emocional.
beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/

Anna disse...

seu comentário até me embrulhou o estômago.

Onde é que querem nos levar?

Borboletas e Nostalgia disse...

Que absurdo!

Renata disse...

Achei um absurdo. Pra mim esse tipo de "educação" só vai servir pra criar pessoas gananciosas e que nao saberão lidar com a frustração caso não cheguem a um posto de comando e boa situação financeira no futuro (e é mais fácil não chegar do que chegar né?)
Beijos

Ivna Pinna disse...

Li a matéria e concordo com vc!
Será que vou ser um mostro se optar por não colocar meu filho num ambiente assim?!
Pois acho que terei que me tranformar em um mostrengo! hahahaha
Beijos

Nine disse...

Ui, que medo!
Eu já acho o maior absurdo uma filha de um colega que no auge de seus 5 anos estuda e faz aulas de balé, inglês e espanhol!
Deus me livre!
A infância é tão, mas tão curta...prá quê acelerar as coisas?
Nos preocupamos tanto com a aceleração da sexualidade nos pequenos e nos esquecemos que essa aceleração para ingresso bem sucedido na vida futura/adulta/capitalista também é prejudicial!
Beijos,
Nine

Anne disse...

Estou bastante cansada do mundo coorporate-kids.

Deixem os pequenos brincar e comer meleca!!!!
Peloamordedeus!

Mariana - viciados em colo disse...

é oficial: este mundo está perdido!
como diria a minha avó!

é, querida, o jeito é ir plantar coentro na chapada!

beijoca

Vanessa Caubianco disse...

Tipo O Aprendiz versão Baby...
hummm, tbm não curto não!

Dani disse...

me lembrou uma amiga me contando que queria colocar os filhos na escola tal (longe da casa dela e bem difícil de conseguir vaga), tendo outras opções excelentes por perto, porque "lá estão os filhos dos empresários e é bom que eles comecem a rede de contatos desde pequenos".

Catia, mamãe do Gui disse...

Nossa... mas eles não cansam de invertar... Se houvesse receita de bolo pra dinheiro ou felicidade, todos seríamos ricos e felizes...
absurdo mesmo...até porque ser rico não se aprende na infância, vamos deixar nossas crianças aprenderem a ser felizes.
Obrigada por nos alertar.
Beijos
duvidasedevaneiosdamamae.blogspot.com

Rosana Rô disse...

DÚVIDO que toda essa teoria tenha fundamentação na prática!!!!DUVIDO que haja hoje no mundo algum grande empreendedor que tenha tido alguma experiência parecida com isso e duvido que dê certo. Pena que pra provar que tudo isso é besteira o preço seja um produto de fato único, muito caro e fungível: a infância de seus filhos!!!

Anônimo disse...

carol:
Meu filho está em uma Waldorf... que prega justamente o oposto de tudo isso... fiquei assustada.
Na escola dele, só há árvores, terra, areia, brinquedos de madeira e pano. As roupas vem manchadas de barro, para se ter uma ideia. As salas do ensino infantil são como uma mini-casa: as crianças brincam, brincam e brincam... Imagine a louca da escola de pedra lá? Diria que essas crianças nunca se tornariam alguém... quando, na verdade, elas já o são: são crianças!
beijos
Sofia